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[Opinião] O Amante, de Marguerite Duras

6321780Autor: Marguerite Duras
Título Original:
L’amant (1984)
Editora: Biblioteca Sábado
Páginas: 179
ISBN: n.d.
Tradutor: Luísa Costa Gomez e Maria da Piedade Ferreira
Origem: Comprado

Sinopse: Na Indochina, em 1929, uma jovem francesa de quinze anos estranhamento ataviada atravessa numa barcaça o rio Mékong. Durante a travessia conhece um homem chinês, filho de um magnata local. Ambos se dirigem para Saigão, onde rapidamente se entregarão um ao outro. Será no enquadramento desta relação que a jovem revelará a estranheza das suas relações familiares, os seus problemas económicos, os sentimentos de alienação que a acompanham em todos os lados excepto no apartamento onde se encontra com o amante, atirados para uma relação acossada pelas normas sociais que imperavam na colónia francesa…

Opinião: Este livro não vinha muito bem recomendado. A maioria das opiniões que fui lendo ao longo dos anos não era muito animadora, por isso as expectativas estavam em baixo. Admito que só lhe peguei por ser pequeno e por me parecer que a leitura ia ser rápida. Isso confirmou-se, tal como se confirmaram as minhas expectativas.

O Amante é contado umas vezes na primeira pessoa por uma jovem francesa residente no Vietname, outras vezes por uma narrador omnisciente. A jovem, de quem nunca sabemos o nome, tem 15 anos quando a história tem início – isto se a considerarmos pela ordem cronológica. A narrativa tem constante saltos temporais e vamos tomando conhecimento das várias fases da vida daquela jovem, mais tarde mulher, sendo os acontecimentos centrais a relação com um chinês que conhece no Vietname e a relação com a sua família, mãe e irmãos. Pelo que li sobre Marguerite Duras, percebi que a história que aqui conta tem muitos paralelismos com a sua história pessoal, mas também várias coisas fruto de ficção.

Os saltos temporais estão bem conseguidos, na medida em que, com alguma atenção, conseguimos perceber onde pertence cada acontecimento. O que achei demasiado confuso foi a alternância constante entre a primeira e a terceira pessoas; não consegui perceber qual o objetivo da autora ao utilizar este técnica (problema meu, admito). A escrita tem vários momentos de beleza poética que é preciso enaltecer, mas ainda assim não foram suficientes para eu sentir empatia com a personagem principal e a sua relação impossível com o chinês. O estilo da autora impediu que eu sentisse aquela jovem como uma pessoa real, com sentimentos reais, e que tivesse ficado com pena dela pela forma como a história acaba. 

No final de contas, não foi uma leitura que me tivesse ficado na memória. Valeu a pena pelo explorar de uma nova autora, mas não me parece que leia outro livro dela.

Classificação: 2/5 – OK


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.