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[Opinião] Frankenstein – O Filho Pródigo, de Dean Koontz

10516419Autor: Dean Koontz
Título Original:
Dean Koontz’s Frankenstein: Prodigal Son (2005)
Série: Dean Koontz’s Frankenstein #1
Editora: Contraponto
Páginas: 301
ISBN: 9789896660635
Tradutor: Susana Serrão
Origem: Ganho em passatempo

Sinopse: Cerca de 200 anos depois de ter criado o seu monstro, Victor Frankenstein (agora conhecido como Victor Helios), instalou-se em Nova Orleães. As suas experiências e a sua investigação estão cada vez mais sofisticadas; já não tem de roubar cadáveres em cemitérios para construir as suas criaturas, e desenvolveu uma tecnologia que lhe permite escapar ao envelhecimento. O seu plano consiste em propagar por Nova Orleães espécimes da sua Nova Raça de criaturas perfeitas, destinadas a exterminar e a substituir os «imperfeitos» seres humanos. A única criatura capaz de travar este plano diabólico é o misterioso Deucalião – o primeiro «monstro» criado por Frankenstein. Aparentemente imortal e indestrutível, Deucalião parece possuir também uma alma e uma consciência quase humanas. Mas será isso suficiente para impedir os planos do seu monstruoso criador?

Opinião: Gostei muito de Frankenstein, de Mary Shelley. Sem ter sido o meu clássico preferido, são inesquecíveis as lições sobre a busca do ser humano pela perfeição e sobre a necessidade que tem em sentir-se integrado. Por norma, nada tenho contra sequelas destes famosos livros e a sinopse deste pareceu-me mesmo bastante interessante; era mais um dos que tinha por casa há alguns anos à espera da sua vez, que chegou agora.

Frankenstein – O Filho Pródigo parte do pressuposto que os acontecimentos narrados no Frankenstein original têm muito de verdade. O monstro criado por Victor Frankenstein há 200 anos continua vivo e ele próprio também; as experiências científicas permitiram-lhe não só prolongar a sua vida como aperfeiçoar as técnicas de criação de seres humanos “de raiz”, alimentando o desejo do aparecimento de uma nova geração de homens perfeitos, a dita “Nova Raça” (com grandes inspirações em “Admirável Mundo Novo” – inspiração essa que, de resto, é assumida no próprio livro).

Quando começam a aparecer vítimas a que faltam partes do corpo, a detetive Carson O’Connor e o seu companheiro Michael Maddison vêm-se perante uma realidade que parece saída de um livro de fantasia e, contando com um ajudante pouco provável, terão de fazer face ao assassino em série e, em última análise, aos planos diabólicos de Victor Frankenstein.

O Filho Pródigo é um livro que se lê relativamente depressa, pelos seus capítulos curtos e pela ação constante. Os capítulos intercalam pontos de vista dos detetives, do primeiro monstro de Frankenstein, do próprio e de várias das suas criações. Se por um lado isto permite uma dinâmica muito própria ao livro, por outro achei que não dá muito espaço ao conveniente desenvolvimento de todas as personagens. Gostei dos detetives, especialmente de Michael e do seu bem conseguido humor, mas o amor platónico entre os dois pareceu-me forçado e desnecessário. 

Gostei da mistura entre elementos de terror, ficção científica, policial e thriller. Acho que o autor consegue misturá-los sem transformar o enredo numa grande salganhada, mantendo ao mesmo tempo o interesse do leitor. A busca pela perfeição, tema repescado da obra original, é aqui tratado de uma forma relativamente original. Mas apesar destes pontos positivos, não consigo deixar de sentir que a obra fica um pouco aquém no que diz respeito às personagens e ao seu desenvolvimento. Os capítulos curtos, que já referi acima, provavelmente não ajudam, nem a profusão de tantas personagens diferentes num livro sem tamanho suficiente para elas. Acresce ainda que algumas das personagens que julgava terem margem de progresso acabam por não chegar ao fim do livro.

Em suma, é um livro com boas ideias, com um enredo interessante e com um ritmo agradável, mas que quanto a mim peca por não ter um desenvolvimento de personagens – e da relação entre elas – satisfatório. Este livro não tem propriamente um final, pelo que não me parece que deva ser lido isoladamente; é bom que quem ficar fascinado por esta história tenha o segundo volume à mão (atenção que em Portugal só foram publicados três de um total de cinco). Quanto a mim, não fiquei suficientemente cativada para achar que valha a pena continuar a investir nesta série.

Classificação: 3/5 – Gostei


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.