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[Opinião] Herdeiros do Ódio, de V.C. Andrews

23125765Autor: V.C. Andrews
Título Original:
Flowers in the Attic (1979)
Série: Dollanganger #1
Editora: Quinta Essência
Páginas: 400
ISBN: 9789897261442
Tradutor: Filipa Aguiar
Origem: Comprado

Sinopse: Os quatro filhos da família Dollanganger levavam vidas perfeitas – uma bela mãe, um pai amoroso e dedicado, uma linda casa. De repente, o pai morre num acidente de viação e a mãe fica endividada e não possui qualificações para ganhar a vida e sustentar a família. Assim, decide escrever aos pais – os seus pais milionários, dos quais as crianças nunca tinham ouvido falar. A mãe fala-lhes dos avós ricos, de como Chris, Cathy e os gémeos irão levar vidas de príncipes e princesas na luxuosa mansão dos avós. As crianças deleitam-se com as perspetivas da nova vida, até descobrirem que existem algumas coisas que a mãe nunca lhes contou. Nunca lhes contou que eram consideradas pelos avós «filhos do demónio» e que nunca deviam ter nascido. Não lhes conta que é obrigada a ocultá-las do avô porque deseja herdar a fortuna dele. Não lhes conta que devem permanecer trancadas numa ala isolada da casa, tendo apenas o sótão escuro e abafado onde brincar. Prometeu-lhes, porém, que seriam apenas alguns dias… Contudo, os dias transformaram-se em meses, os meses em anos. Desesperadamente isolados, aterrorizados pela avó, Chris e Cathy tornam-se tudo um para o outro e para os gémeos. Agarram-se ao amor mútuo como última esperança, única força sólida – uma força quase mais poderosa que a morte. Herdeiros do Ódio é um romance de terror, traição e salvação através do amor. 

Opinião: Herdeiros do Ódio já havia sido publicado em Portugal em 1992 pelo Círculo de Leitores, mas eu nunca tinha ouvido falar deste livro. O filme de 2014 que adapta esta história foi o pretexto para uma nova tradução da Quinta Essência e algumas opiniões positivas que fui lendo, aliadas à sinopse intrigante, foram o empurrão de que necessitava para sentir vontade de ler este livro.

Os irmãos Cathy, Chris, Cory e Carrie (estes dois últimos gémeos) vêm-se órfãos de pai em tenra idade; a sua mãe, Corrine, não consegue arranjar forma de os sustentar e por isso decide regressar a casa dos pais com as crianças. Mas Corrine havia saído de casa em conflito com o seu rico pai e precisa de voltar a ganhar a sua confiança de modo a poder herdar a fortuna assim que o pai falecer. Estas pretensões seriam goradas se o pai soubesse da existência dos seus filhos, por isso Corrine coloca as quatro crianças num quarto de uma ala pouco usada da mansão, que apenas tem comunicação com um sótão, onde elas deverão ficar escondidas até o avô falecer e Corrine ter finalmente meios para os sustentar condignamente.

Entretanto, a parca alimentação fornecida aos irmãos é-lhes trazida pela avó, uma figura austera e beata, que não possui em si qualquer noção de carinho ou amor em relação aos netos. Corrine vai aparecendo para visitar os filhos, cada vez com menor frequência, mas sempre prometendo que a sua saída da reclusão está para breve, enquanto os dias se vão transformando em meses e os meses em anos.

Tenho dificuldades em dizer que gostei deste livro. Se pensar na aversão que senti em relação àquela avó e àquela mãe, então posso dizer que a autora foi muito bem sucedida em apresentar-me o desespero, a maldade e a crueldade. Sofri com os miúdos, ansiei que se livrassem daquela prisão e odiei aquelas duas mulheres que só conseguiam olhar para o próprio umbigo. 

Achei a escrita muito básica e às vezes até um bocado sofrível. Eu sei que a história é contada na primeira pessoa por Cathy, que é uma adolescente, e por isso o tom teria de ser por vezes um bocado juvenil, mas sinceramente penso que a escrita é mesmo o ponto mais fraco deste livro. Depois, achei o desenlace previsível. Fiquei sempre à espera de um momento chocante, com alguma revelação inesperada, mas já estava à espera do que na verdade acabou por acontecer.

Compreendo por que motivos Herdeiros do Ódio fez furor aquando do seu lançamento: conta uma história terrível e a descoberta sexual é um tema tratado sem grandes pudores. A mim chocou-me amiúde, mas penso que o impacto teria sido maior se lido há alguns anos, noutra fase da minha vida. Agora, mesmo não tendo sido um livro que me deixasse indiferente, não foi uma leitura que me fascinou ou marcou.

Classificação: 3/5 – Gostei


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.