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[Opinião] Da Mão Para a Boca, de Paul Auster

9673279Autor: Paul Auster
Título Original:
Hand to Mouth: A Chronicle of Early Failure (1996)
Editora: Edições Asa
Páginas: 112
ISBN: 9789892303963
Tradutor: Fernanda Pinto Rodrigues
Origem: Comprado

Sinopse: A narrativa autobiográfica que compõe este volume conta-nos a história do jovem escritor Paul Auster. Num tom profundamente intimista e revelador, o autor abre-nos a porta para os anos da sua entrada na literatura e na vida, quando o que a mão escrevia servia para alimentar a boca. O relato comovente e divertido dessa época é assim, também, uma lúcida reflexão sobre o dinheiro e sobre o que significa não o ter. Dinheiro era o que Auster pretendia ao escrever, na época, textos tão diversos como peças de teatro, romances policiais e, até, um jogo de cartas baseado no baseball.

Opinião: Li este livro por duas casualidades: primeiro, recebi este livro de oferta na compra de outro, e depois decidi lê-lo agora devido a uma iniciativa no Goodreads, o National Readathon Day, em que nos comprometíamos a ler durante um certo período no dia 24 de janeiro; escolhi-o por ser pequeno e me parecer que a leitura devesse ser rápida. 

De Paul Auster, ainda só li um livro, O Livro das Ilusões, que adorei. Lembro-me de alguns contornos da história, o que é extremamente positivo uma vez que já lá vão 10 anos. Tornou-se um daqueles escritores de quem lemos algo de que verdadeiramente gostamos, mas por qualquer motivo a segunda leitura vai-se adiando sem percebermos bem porquê. E nem sequer me faltam livros dele por ler, na realidade até tenho três (A Trilogia de Nova Iorque, Sunset Park e Palácio da Lua). Portanto, parti com expectativas moderadas, com alguma esperança que este livro ressuscitasse o meu interesse pelo escritor.

Da Mão Para a Boca é uma autobiografia do escritor que relata como foi a sua vida antes de se ter tornado escritor, com grande foco na vida errante que levou e nas dificuldades financeiras por que passou. Paul Auster dá conta da sua irreverência precoce, da sua vontade de não permanecer muito tempo no mesmo lugar e das contradições que o levavam a aceitar praticamente qualquer emprego que lhe aparecesse pela frente apesar de, por dentro, continuar fiel à sua vontade de se tornar escritor.

Em termos cronológicos, esta pequena autobiografia termina praticamente antes de Paul Auster ter conseguido publicar o seu primeiro livro e de ter, finalmente, conseguido juntar o útil ao agradável: poder viver daquilo que mais gostava de fazer. Até lá, assistimos ao relato das viagens do escritor (especialmente a Paris), a algumas situações caricatas e pessoas que conheceu e entendeu relevante referir. Para ser muito sincera, não achei um relato incrivelmente interessante, porque duvido um pouco da mensagem que o autor pretendeu passar (pelo menos, segundo o meu entendimento) – a de que, quando as coisas têm de ser, podem dar muitas voltas mas acabam por acontecer. Acho que as coisas acontecem devido a um misto de trabalho e sorte, e Paul Auster apresenta aqui o tornar-se como escritor como uma inevitabilidade apesar das muitas voltas que a sua vida deu.

Foi um livro moderadamente interessante, mas que na maior parte do tempo me deixou indiferente. Ainda assim, continua a curiosidade por ler mais obras de ficção de Paul Auster. 

Classificação: 2/5 – OK


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.