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Um lugar para estar com o resto do mundo

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Ontem a White Lady partilhou um artigo do Público que gostei muito de ler (um aparte para dizer que este jornal generalista continua a ser o que publica os artigos mais interessantes sobre literatura, pelo menos do que me é dado a ver). No texto, ficamos a conhecer a casa de João Luís Lisboa, que é casa ao mesmo tempo que é biblioteca. Segundo ele, “uma biblioteca pode ser um lugar de isolamento, mas também pode ser um lugar de conversa. É uma forma de estar com o resto do mundo”, o que revela que a biblioteca e o seu dono não são duas entidades distintas, mas duas partes que se complementam. Todo o artigo é prova do amor que este bibliófilo tem pelos livros enquanto objeto, como os livros não contam uma só história, mas também a sua própria história, só pelo facto de existirem e de ali estarem. Mas ainda assim, admite que “não seria o fim do mundo se os livros desaparecessem, até porque os textos decerto continuarão“.

 

E eu pego nesta última observação para falar um pouco daquilo que mudou nos últimos anos relativamente à perceção que tenho do livro enquanto objeto físico e da relação que com eles estabeleço. Lembro-me perfeitamente de, há uns 10 anos, desejar construir uma biblioteca enorme, de querer ter uma casa em que uma das divisões tivesse as paredes repletas de estantes. Posso dizer que atualmente estou num processo de limitar os livros que tenho em casa apenas àqueles de que realmente gostei e/ou pretendo reler um dia. O que é que mudou entretanto? Bem, várias coisas. A leitura digital foi certamente uma delas, porque me fez perceber que, acima de tudo, do que eu gosto é de ler, das histórias e das palavras. Claro que continuo a adorar o objeto-livro, mas percebi que não me pesa no coração deixar que um livro me deixe e encontre outro dono, porque não crio elo emocional com todos eles (longe disso). Por outro lado, também percebi que viver numa casa com muitos objetos me faz sentir assoberbada, e preciso de ordem e restrição ao essencial para me sentir bem comigo própria, pelo que o “destralhar” de livros acaba por ser uma parte natural de tudo isto.

 

E para vocês, é importante o livro como objeto ou são como eu e gostam, acima de tudo, da história que contém?


Sobre Célia

  • Patrícia

    Sou como tu. Dou, empresto, levo para casa da minha mãe. A estante da minha casa cada vez tem mais espaço livre (para livros novos que não tenho tempo de ler)… Desde que tenha sempre livros para ler e alguns dos quais não me quero separar, estou bem e feliz :). Boas leituras e um excelente 2015 para ti e para os teus

    • CeliaCM

      Bom ano de 2015 para ti também, Patrícia 🙂

  • WhiteLady3

    Já tenho dito que não sou das pessoas mais apegadas aos livros, mas é claro que gostava de manter todos os que comprei. No entanto, a falta de espaço realmente tornou-se um problema grave e depois de ter trocado livros por muito tempo, agora tento dá-los e vou ver se este ano também começo a vendê-los que dá sempre jeito uns trocos para outros projetos. Aqueles de que me recuso separar são os dos meus pais, porque ok ainda não os herdei (e espero não herdá-los rapidamente) e porque serão sempre um elo de ligação com eles. 🙂

    Mas não deixo de querer ter uma casa forrada a livros. Eu já vivo rodeada deles e sabe Deus como em 2013 houve alturas em que não podia vê-los à frente, mas fica aquela coisa de estar acompanhada. Não sei como explicar. E há aqueles que só de olhar para a lombada traz recordações. É capaz de ser mais isso, quero uma casa forrada a recordações, da época de vida em que li certos livros, do momento em que conheci algumas personagens e autores, ou das situações em que os livros me ajudaram. 🙂

    • CeliaCM

      Lá está, é quando a ligação emocional com os livros é relevante que existe maior probabilidade de o leitor querer que eles lhe façam companhia. Também tenho ligação emocional forte com vários livros que tenho, por vários motivos, e por isso muito dificilmente me separarei deles, mas a verdade é que não sinto isso com a maioria deles, daí o que digo no texto.
      De qualquer modo, não deixa de ser uma forma linda de decorar uma casa 🙂