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Um lugar para estar com o resto do mundo

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Ontem a White Lady partilhou um artigo do Público que gostei muito de ler (um aparte para dizer que este jornal generalista continua a ser o que publica os artigos mais interessantes sobre literatura, pelo menos do que me é dado a ver). No texto, ficamos a conhecer a casa de João Luís Lisboa, que é casa ao mesmo tempo que é biblioteca. Segundo ele, “uma biblioteca pode ser um lugar de isolamento, mas também pode ser um lugar de conversa. É uma forma de estar com o resto do mundo”, o que revela que a biblioteca e o seu dono não são duas entidades distintas, mas duas partes que se complementam. Todo o artigo é prova do amor que este bibliófilo tem pelos livros enquanto objeto, como os livros não contam uma só história, mas também a sua própria história, só pelo facto de existirem e de ali estarem. Mas ainda assim, admite que “não seria o fim do mundo se os livros desaparecessem, até porque os textos decerto continuarão“.

 

E eu pego nesta última observação para falar um pouco daquilo que mudou nos últimos anos relativamente à perceção que tenho do livro enquanto objeto físico e da relação que com eles estabeleço. Lembro-me perfeitamente de, há uns 10 anos, desejar construir uma biblioteca enorme, de querer ter uma casa em que uma das divisões tivesse as paredes repletas de estantes. Posso dizer que atualmente estou num processo de limitar os livros que tenho em casa apenas àqueles de que realmente gostei e/ou pretendo reler um dia. O que é que mudou entretanto? Bem, várias coisas. A leitura digital foi certamente uma delas, porque me fez perceber que, acima de tudo, do que eu gosto é de ler, das histórias e das palavras. Claro que continuo a adorar o objeto-livro, mas percebi que não me pesa no coração deixar que um livro me deixe e encontre outro dono, porque não crio elo emocional com todos eles (longe disso). Por outro lado, também percebi que viver numa casa com muitos objetos me faz sentir assoberbada, e preciso de ordem e restrição ao essencial para me sentir bem comigo própria, pelo que o “destralhar” de livros acaba por ser uma parte natural de tudo isto.

 

E para vocês, é importante o livro como objeto ou são como eu e gostam, acima de tudo, da história que contém?


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.