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[Opinião] Brandwashed: Os truques de marketing que as empresas usam para manipular as nossas mentes, de Martin Lindstrom

imageAutor: Martin Lindstrom
Título Original:
Brandwashed: Tricks Companies Use to Manipulate Our Minds and Persuade Us to Buy (2011)
Editora: Gestão Plus
Páginas: 312
ISBN: 9789898115669
Tradutor: Rita Figueiredo
Origem: Comprado

Sinopse: «Porque é que pegamos sempre no segundo jornal de uma pilha de jornais, e não no primeiro? Porque é que, ao falarmos ao telemóvel, andamos em círculos? Sabia que “competitividade altruísta” é o que nos leva a comprar produtos orgânicos e ecológicos? As formas estranhas que os consumidores têm de andar, falar e sacar da carteira é o tema de fundo de Brandwashed. Este livro fascinante, divertido e por vezes chocante revela os drivers que os publicitários e marketeers usam para nos levar a comprar. Martin Lindstrom adora descobrir os incentivos ocultos por detrás de diversos fenómenos humanos e sociais, bem como as diferenças entre como dizemos que agimos e como realmente agimos (aquilo que em Economia se chama “preferência declarada” e “preferência revelada”). O marketing e a publicidade são negócios de espertalhões. Sabem muito sobre nós. Tendo trabalhado como guru de marketing para empresas como a PepsiCo, a Disney, a McDonalds e a Microsoft, Martin Lindstrom está numa posição ideal para nos revelar as artimanhas e truques que as empresas e os marketeers usam para nos fazer gastar quantias loucas de dinheiro. Truques como a nostalgia, o medo, a competitividade e o recurso a ingredientes e elixires mágicos que prometem livrar-nos de todas as preocupações e ser – ou pelo menos parecer – eternamente jovem. E também usam o sexo, claro. Prometo que vai adorar descobrir alguns segredos dos bastidores do marketing, tais como quem é o verdadeiro público-alvo das boys bands e como os homens realmente reagem aos anúncios de roupa interior masculina.

Opinião: A minha formação em Gestão é, provavelmente, a principal causa para “fugir” de livros relacionados com o tema ou as suas vertentes, como é o caso do marketing. Aliás, sempre preferi, de longe, as componentes financeiras da gestão e, por isso, o marketing sempre foi uma área de conhecimento que não me cativou sobremaneira. Foi a minha cara-metade que me chamou a atenção para este livro, que tinha começado a ler e que achou bastante interessante. Era, segundo ele, um livro que falava sobre casos curiosos e situações mais que estudadas dentro do marketing e publicidade e que demonstram o nível de manipulação que empresas e respetivas marcas exercem sobre nós, consumidores.

Martin Lindstrom é (fiquei a saber depois de ler este livro), uma espécie de guru do marketing e da publicidade, que dedica grande parte do seu tempo a dar palestras sobre o assunto, quando não é contratado por grandes empresas para dar o seu contributo a objetivos que definam para os seus produtos ou para resolver todo o género de problemas que tenham detetado. Começa o livro por descrever uma altura da sua vida em que tentou, pura e simplesmente, deixar de consumir qualquer tipo de marca para testar até que ponto estas influenciavam a sua vida. Resistiu estoicamente durante cerca de 6 meses, para sucumbir numa situação de necessidade, que acabou por o fazer regressar ao consumo de marcas, ainda com mais vigor. 

Ao longo dos capítulos do livro, Lindstrom vai descrevendo várias vertentes da influência das marcas sobre a nossa vida, o que começa a acontecer quando os bebés ainda estão na barriga das mães, e também como a exposição a marcas na infância influencia indelevelmente as nossas preferências em adultos. O autor aborda também a forma como o marketing e a publicidade jogam constantemente com os nossos sentimentos de medo, insegurança e vontade de sermos aceites, como estamos dependentes dos nossos smartphones e vidas internautas, do papel do sexo ou da nostalgia na publicidade, e de como o peer pressure é fundamental na forma como encaramos as compras.  Um dos capítulos mais interessantes (e assustadores!) do livro aborda a temática do data mining feito pelas lojas onde temos cartão de cliente ou dos sites onde nos inscrevemos (o exemplo mais flagrante é o Facebook). E, acima de tudo, conclui da importância da boca-a-boca na publicidade.

É um livro que achei muito interessante, não só por revelar aos leigos na matéria vários truques que as empresas utilizam para nos fazer comprar, mas também por, mesmo naquelas situações de que já temos consciência, chamar a atenção para a importância de nos mantermos atentos, fornecendo-nos, por isso, algumas armas para lutar contra isto. Só não gostei muito da sensação de vanglória que detetei em vários relatos de casos em que o autor participou, ainda que o próprio relate também situações em que se tornou “vítima” do marketing.

O balanço é bastante positivo. Foi um livro que gostei de ler por tudo o que enunciei acima e também por causa da pausa da ficção, de que às vezes nem me apercebo que preciso. Valeu a pena.

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.