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[Opinião] A Praia Mais Longínqua, de Ursula K. Le Guin

7150200Autor: Ursula K. Le Guin
Título Original:
The Farthest Shore (1972)
Série: Terramar #3
Editora: Editorial Presença
Páginas: 208
ISBN: 9789722329019
Tradutor: Carlos Grifo Babo
Origem: Comprado

Sinopse: O Ciclo de Terramar, tantas vezes comparada a clássicos como O Senhor dos Anéis de J.R.R. Tolkien, traz à fantasia e à ficção científica uma nova sensibilidade e um número de admiráveis, impressionantes e simpáticas personagens. É uma tetralogia magnífica; uma saga admirável que despoleta com O Feiticeiro e a Sombra – livro premiado com o ´Boston Globe Horn Book Award of Excellence´ de 1969 – e continua com a publicação de Os Túmulos de Atuan. O universo destas narrativas envolve-nos, desde o princípio, numa atmosfera mágica e deveras inquietante. Este segundo volume é uma obra onde impera o suspense, os encontros místicos, os horrores inomináveis, mas também o sentido de humor. É neste cenário que os destinos dos heróis, Tenar e Gued, irão entrecuzar-se. Tenar, a grande sacerdotisa, é uma criança que foi despojada da própria identidade e afastada da família para se dedicar às entidades do além: Aqueles-Que-Não-Têm-Nome, as forças misteriosas dos túmulos de Atuan. Gued, o jovem feiticeiro, é o bravo herói que arrisca a vida no labirinto proibido em busca do grande tesouro, o famoso Anel de Erreth-Akbe. Ao mesmo tempo, é também sua missão libertar Tenar daquele local tenebroso.

Opinião: O enredo de A Praia Mais Longínqua tem início cerca de 20 anos após os eventos que tiveram lugar no volume anterior. Vamos encontrar Gued já como Arquimago de Roke (uma espécie de feiticeiro-mor de Terramar), a receber uma visita do jovem Arren, que lhe traz a mensagem enviada por seu pai, na qual relata a existência de vários sinais a sul do território que mostram que a magia está a perder força e, na pior das hipóteses mesmo a desaparecer.

Gued decide partir e levar com ele Arren, não sabendo para onde nem em busca do quê, mas pressentindo que terá de fazer essa viagem e que os sinais indicadores irão surgindo no decorrer da mesma. Esta viagem leva-os (e a nós, leitores) por vários locais de Terramar, uns já conhecidos e outros nem por isso. Apesar de a demanda ser bastante dispersa geograficamente, acaba por se revelar não só uma viagem física mas também espiritual, no sentido em que Gued, já mais maduro e sábio, parece finalmente encontrar o sentido para a sua existência, e Arren – personagem cujo ponto de vista predomina – eleva-se para além da mediania que ele próprio considerava ser uma característica sua.

É um livro com uma componente filosófica forte, cujo grande tema acaba por ser a dicotomia vida-morte e a inevitabilidade desta última. Isto acaba por se refletir num ritmo mais pausado, que por vezes achei que funciona muito bem tendo em conta o tema do livro, e noutras achei que o tornava demasiado monótono. Em relação à escrita de Ursula K. Le Guin, já pouco mais há a acrescentar, e para mim é mesmo o ponto alto destes livros.

Parto, assim, para o quarto volume da série com expectativas moderadas e alguma curiosidade em relação ao que se segue.

Classificação: 3/5 – Gostei


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.