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A Canção de Tróia | Colleen McCullough

6387287Autor: Colleen McCullough
Título Original:
The Song of Troy (1998)
Editora: Difel
Páginas: 468
ISBN: 9729722904445
Tradutor: José Vieira de Lima
Origem: Comprado

Sinopse: A Canção de Tróia reinventa a trágica e terrível saga da Guerra de Tróia, uma história com três mil anos de existência – uma história de amores que ignoram barreiras e de ódios nunca mitigados, de vingança e de traição, de honra e sacrifício. Tão viva e apaixonante como se fosse contada pela primeira vez, a narrativa é assumida pelas vozes das diversas personagens: Príamo, rei de Tróia, condenado a tomar as decisões erradas pelos motivos certos; a princesa grega Helena, uma beldade que é escrava dos seus desejos e que abandona um marido enfadonho pelo amor de outra beldade, tão escravo dos seus desejos como ela – o príncipe Páris de Tróia; essa máquina de guerra perseguida por uma maldição que é Aquiles; o heroicamente nobre Heitor; o subtil e brilhante Ulisses; Agamémnon, o Rei dos Reis, que consente o horror a fim de lançar ao mar os seus mil navios e que, por isso mesmo, atrai a inimizade da sua sinistra mulher, Clitemenestra. Porém, onde termina a loucura humana? E onde começa o impiedoso castigo dos Deuses? As personagens fascinam o leitor, levando-o a sentir simpatia ora pela Grécia, ora por Tróia, à medida que cada uma delas avança inexoravelmente para um desfecho que nem mesmo os Deuses podem evitar. 

Opinião: A Canção de Tróia é um livro que me chegou muito bem recomendado, não só por colegas bloggers em cuja opinião confio bastante, mas também porque o meu pai leu-o e gostou muito. Apesar de o ter fisicamente, li a versão em inglês: primeiro, porque não o tenho comigo e depois porque a ideia de pegar num livro que o meu pai folheou me enche de uma tristeza infinita. Não me perguntem porquê, o luto tem destas coisas.

Sabia algumas coisas sobre a famosa Guerra de Tróia: uns pedaços de sabedoria popular que apanhei aqui e ali e também porque gostei muito do filme Tróia (que eu tenho noção ter algumas alterações que vão contra o cânone, mas mesmo assim). Depois disso, li Helena de Tróia, de Margaret George, que nos apresenta a história sob o ponto de vista de Helena, e de que na altura gostei bastante, mas que é, na sua essência, bastante diferente deste A Canção de Tróia e que, de acordo com o meu gosto pessoal, fica a perder.

Se se interessam por mitologia grega e querem ler um livro que conte de forma cativante e com um bom nível de detalhe a história da Guerra de Tróia, este livro é certamente uma boa escolha. Colleen McCullough optou por contar esta história com a técnica dos capítulos point-of-view, percorrendo personagens como Príamo, Helena, Aquiles, Páris, Agamémnon, Ulisses ou Heitor, entre outros. Assim, através de várias vozes, vamos acompanhando cronologicamente os acontecimentos que antecederam a guerra de 10 anos, o seu início, desenvolvimento e conclusão. A opção pela história contada sob várias perspetivas tem as suas vantagens e desvantagens, mas neste caso penso que a autora é bem sucedida, porque esta técnica empresta frescura e dinâmica narrativa ao enredo, para além de tornar as personagens mais reais aos olhos do leitor.

Os deuses, as profecias e o destino desempenham um papel fundamental nesta história, como certamente acontecia na época. O conhecimento por parte do leitor em relação ao desenlace da guerra e o facto de saber que os oráculos irão concretizar-se poderia tirar alguma piada à leitura, mas neste caso isso não acontece pela forma cativante como os acontecimentos vão sendo relatados e por estarmos perante personagens que nos parecem reais, ainda que posteriormente tenham sido endeusadas. Adorei Aquiles, que a autora aqui tentou fazer mais humano e aprazível. Ulisses é também uma personagem fantástica, que se destaca pela inteligência e por ter uma visão sobre os acontecimentos que ultrapassa qualquer outro homem; Ulisses é perito em jogos políticos e intriga e a forma como a autora desenvolve esta personagem é notável.

Nota-se que a autora fez um grande trabalho de pesquisa. Não tenho conhecimentos suficientes para atestar da exatidão histórica do que ela relata, mas tudo me soou credível e aprofundado, em especial nas questões relacionadas com a guerra e a política da mesma. Curioso perceber que a ida de Helena para Tróia foi a razão menos importante para a guerra, apenas um pretexto. Interessante também o tratamento que a autora dá à homossexualidade, encarando-a como algo naturalíssimo para guerreiros e soldados (a mostrar que, em alguns aspetos, regredimos bastante). Outra coisa que apreciei bastante foi a não tomada de posições por parte da autora: Tróia é muitas vezes vista com uma certa nostalgia romântica, como os bons da fita porque estão na posição de invadidos, mas o que é certo é que neste caso não há bons nem maus, ambas as partes têm a devida atenção e é referido o que têm de bom e mau.

A Canção de Tróia foi, sem dúvida, uma das melhores leituras do ano. Um livro que tem tudo o que eu gosto: escrita cativante, personagens interessantes e bem desenvolvidas, pesquisa histórica detalhada e um enredo que, apesar de conhecido, encanta o leitor. Muito bom.

Classificação: 5/5 – Adorei


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.