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[Opinião] Ivanhoe, de Walter Scott

Autor: Walter Scott
Ano de Publicação:
1819
Editora: Book.it
Páginas: 336
ISBN: 9789896280710
Origem: Comprado

Sinopse: Inglaterra, 1194. Os Cruzados estão a regressar da Terceira Cruzada. Ricardo Coração de Leão foi capturado pelo Duque da Saxónia e continuará seu prisioneiro, julga-se. Robin dos Bosques luta contra a injustiça com os seus alegres companheiros de armas. Wilfrid de Ivanhoe é um nobre saxão partidário de Ricardo I, o rei normando, com quem combateu na Terra Santa. Este facto, mais a sua paixão por Lady Rowena, fazem com que o pai o deserde. Enquanto uns esperam e outros temem o regresso de Ricardo, as paixões, torneios, os ardis e as vinganças sucedem-se. Com um conjunto de personagens inesquecíveis, este romance de Walter Scott foi um êxito mundial desde a sua publicação, em 1819, e continua hoje a ser um dos mais amados romances de cavalaria de sempre.

Opinião:  Antes de passar à opinião propriamente dita, tenho de falar sobre a edição portuguesa do Ivanhoe que tenho. Comprei-a em 2008 no hipermercado Continente, dentro daquelas publicações da Book.it de clássicos a preço convidativo. Já tinha lido As Aventuras de Tom Sawyer da mesma coleção e nada me desagradou, mas desta vez tenho dificuldades em encontrar algo de positivo para além do preço. Bastou-me ler o primeiro capítulo para decidir que não conseguia continuar a ler aquela tradução e que optaria por ler em inglês. Imensas gralhas, vírgulas mal colocadas, frases a soarem mal… A certa altura, para verificar em que página ia, comecei a procurar o capítulo que estava a ler no e-book e não o encontrava; foi quando percebi que esta edição não o tinha e pior, enquanto que o e-book tinha 44 capítulos, ali só se encontravam 42. Recordo que na capa diz explicitamente “Versão Integral”, o que não é verdade. Por curiosidade, li uma página do livro e comparei-o com o texto original, e concluí que naquele bocadinho o texto tinha sido completamente assassinado.

Tive curiosidade em pesquisar sobre a tradução/tradutor, e descobri uma edição dos anos 1950 de Ivanhoe, da Romano Torres, precisamente traduzida por António Vilalva. Isto levou-me a imaginar que, para esta edição, alguém se lembrou de digitalizar a tradução original (que ainda assim me parece tomar demasiadas liberdades em relação ao texto) mas achou que a revisão do texto era um passo dispensável – isto apesar de haver uma revisora creditada. É só especulação da minha parte, mas não me admirava nada. Concluo este pequeno aparte relembrando o ditado que diz “o barato sai caro”.

Passando ao livro propriamente dito: Ivanhoe é um dos romances de cavalaria mais famosos, recuperando o contexto social na Inglaterra do final do século XII. Foi uma época de profundas divisões no país, numa altura em que o Rei Ricardo I, Coração de Leão, se encontrava ausente do país após a participação na Terceira Cruzada e de ter desaparecido, supostamente após ter sido raptado. A nobreza do país estava dividida entre Saxões e Normandos, com predominância dos segundos, e é precisamente esta divisão o grande tema do livro.

Ivanhoe, que tinha partido com o Rei Ricardo para a Cruzada e deserdado pelo pai – um Saxão que continuava fiel às suas origens – não tem propriamente grande participação ao longo da narrativa, mas acaba por aparecer aos olhos de leitor como um símbolo da união entre as duas fações e, em última análise, um símbolo de todas as virtudes do povo inglês, fruto de várias culturas. Os judeus e a sua relação com outras culturas são igualmente um tema importante no livro e não deixa de ser interessante aprender um pouco mais sobre o papel deles na sociedade da época.

De resto, é um livro com ação constante, que traz consigo um certo tom épico, no sentido em que possui elementos como os regressados que desejam recuperar a sua honra, a luta contra a corrupção, a elevação do sentido da nação e, também, o reencontro com personagens que conhecemos de outras andanças (notável aqui o cameo de Robin Hood). 

Foi uma leitura agradável e que me permitiu aprender algumas coisas sobre a época medieval, mas ainda assim, e para o meu gosto pessoal, achei as personagens demasiado a preto e branco e os acontecimentos, na sua maioria algo previsíveis. Não deixa de ser um bom livro, e por isso recomendo-o (mas comprem outra edição ou leiam em inglês!).

Classificação: 3/5 – Gostei


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.