Home / 3/5 / [Opinião] As Ligações Perigosas, de Pierre Choderlos de Laclos

[Opinião] As Ligações Perigosas, de Pierre Choderlos de Laclos

8864294Autor: Pierre Choderlos de Laclos
Título Original:
Les Liaisons Dangereuses (1782)
Editora: Impresa
Páginas: 298
ISBN: n.d.
Tradutor: João Pedro de Andrade e Alfredo Amorim
Origem: Comprado

Sinopse: Um clássico da literatura universal, adaptado ao cinema por Roger Vadim, em 1959; por Stephen Frears, em 1988; e por Milos Forman, em 1989. É um livro epistolar, em que o enredo se desenha através de cartas trocadas por membros de uma perversa aristocracia francesa, escassos anos antes da Revolução de 1789. Os grandes intriguistas desta história são o Visconde de Valmont e a Marquesa de Merteuil. Quando foi editado, em 1782, o livro foi considerado perigosamente escandaloso.

Opinião: Quando foi originalmente publicado, em 1782 (antes da Revolução Francesa, portanto), este livro foi considerado escandaloso pela sua natureza sensual e pelo caráter manipulativo e degradante dos protagonistas, representantes da aristocracia francesa.

O livro está escrito na forma epistolar, ou seja, a história é contada exclusivamente através de cartas, trocadas dentro de um grupo de nobres, em que os protanistas são o Visconde Valmont e a Marquesa de Merteuil: ele, um sedutor incorrigível, começa esta história a tentar conquistar uma mulher casada, Madame de Turvel, que resiste estoicamente às suas iniciativas; ela, uma manipuladora e libertina que joga com as relações à sua volta para atingir os seus objetivos ou, pura e simplesmente, para demonstrar o seu poder e inteligência.

Sempre que leio um clássico, tento perceber um pouco melhor qual a sua história, importância e um pouco sobre a vida do autor, sem ser muito exaustiva, mas de modo a contextualizar melhor o que estou a ler. Este livro não foi exceção, e foi bastante interessante descobrir mais. 

Quando pego num clássico, invariavelmente quero gostar. Por vários motivos, mas principalmente porque me quero juntar a todas as pessoas que os adoram e perceber o fascínio que os acompanha. Às vezes consigo, outras nem por isso. Desta vez, fiquei num meio-termo. Consigo perceber porque é que este livro se transformou num clássico, apreciei a capacidade do autor de estruturar as suas cartas de uma forma competente, contando a história que queria contar, gostei do desenvolvimento das personagens e da escrita tipicamente floreada da época. 

Mas em certas partes do livro senti-me tão aborrecida que só me apetecia ler na diagonal. Apesar de tratar de temas que continuam atuais (vingança, manipulação, futilidade), a novidade e o impacto que trouxe aquando da sua publicação, que lhe garantiu um lugar na prateleira dos clássicos, ficaram bastante esbatidos para a leitora que vos escreve. Os encontros e desencontros entre as personagens são engraçados, mas tão distantes da minha realidade que tive alguma dificuldade em criar ligação emocional com o que estava a ler. Existem livros nos quais ultrapasso isto tudo quando encontro um ponto de apoio: uma personagem que me cativa bastante, um desenvolvimento do enredo que me capta a atenção, escrita maravilhosa, ou tudo em conjunto. Aqui, isso não aconteceu. Reconheço ao livro todos os méritos que lhe apontam mas, pessoalmente, faltou um bom bocado para se transformar numa leitura marcante.

Classificação: 3/5 – Gostei


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.