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[Opinião] A Princesa de Gelo, de Camilla Läckberg

7215351Autor: Camilla Läckberg
Título Original:
Isprinsessan (2003)
Série: Fjällbacka #1
Editora: Oceanos
Páginas: 399
ISBN: 9789892306728
Tradutor: Ricardo Gonçalves (do inglês)
Origem: Comprado

Sinopse: De regresso à cidadezinha onde nasceu depois da morte dos pais, a escritora Erica Falk encontra uma comunidade à beira da tragédia. A morte da sua amiga de infância, Alex, é só o princípio do que está para vir.
Com os pulsos cortados e o corpo mergulhado na água congelada da banheira, tudo leva a crer que Alex se suicidou. 
Quando começa a escrever uma evocação da carismática Alex, Erica, que não a via desde a infância, vê-se de repente no centro dos acontecimentos. Ao mesmo tempo, Patrik Hedström, que investiga o caso, começa a perceber que as coisas nem sempre são o que parecem. Mas só quando ambos começam a trabalhar juntos é que vem ao de cima a verdade sobre aquela cidadezinha com um passado profundamente perturbador…

Opinião: “A Nova Agatha Christie que vem do frio” é o epíteto que a editora escolheu dar a Camilla Läckberg na capa deste livro policial que é o primeiro da série Fjällbacka (nome da pequena localidade sueca onde decorre a ação do livro). Isto suscita, por um lado, muita curiosidade a quem é fã da Agatha Christie, mas também cria expectativas muito altas e, por isso, um risco maior de ficarem defraudadas.

O livro inicia-se quando Alexandra Wijkner é encontrada morta na banheira da sua casa gelada, com cortes nos pulsos, no que aparenta ser um suicídio. Uma das primeiras pessoas a vê-la naquele estado é Erica Falck, uma amiga de infância, com a qual a vítima perdeu abruptamente contacto. Erica é uma escritora de biografias de relativo sucesso, que voltou à sua terra de origem após a recente morte dos pais, e ainda se encontra a tentar ordenar a sua vida. Erica vê-se envolvida na investigação deste acontecimento, em conjunto com Patrick Hedström, um polícia local que conheceu há muitos anos.

O enredo vai intercalando a investigação policial com o envolvimento das duas personagens principais na mesma e as respetivas vidas pessoais. Ao contrário do que se poderia esperar, a autora optou por não incluir apenas o ponto de vista de Erica e Patrick, mas também de várias personagens secundárias de algum modo relacionadas com o que aconteceu a Alexandra ou que são apenas protagonistas de histórias laterais. Se por um lado isto dá ao livro uma multiplicidade de perspetivas que muitas vezes enriquece o livro, por outro contribuem muito para que o leitor se disperse da trama central com acontecimentos que em nada contribui para a sua resolução ou sequer têm muito interesse, de um modo geral.

A leitura é viciante, tenho de admitir. A autora consegue despertar no leitor a curiosidade de descobrir o desenlace da história (que eu não adivinhei), mas faz uma coisa muito irritante, por várias vezes: põe os seus protagonistas a descobrirem elementos fulcrais da investigação e só os revela bastante mais à frente. Percebo que isto seja feito para aguçar a curiosidade do leitor (e comigo teve sucesso), mas não deixei de me sentir excluída da história.

Uma das coisas que dá piada aos policiais é o leitor ter as pistas ali todas à mão para ele próprio tentar fazer de detetive, mesmo que não chegue lá e que seja surpreendido no final. Era isto que Agatha Christie fazia tão bem e que tanto me cativa nos seus livros. Tinha uma habilidade incrível para colocar nos seus enredos apenas o essencial, dando ênfase à ação mas nunca descurando a caracterização das suas personagens e desencantando, na maioria das vezes, finais épicos para as suas histórias. Camilla Läckberg tem os seus méritos, mas não achei que chegasse sequer aos calcanhares da Rainha do Crime, e o final deste livro, apesar de inesperado (pelo menos para mim), soube a muito pouco.

No final de contas, é um livro agradável e um page-turner. Entreteve, suscitou curiosidade, mas não correspondeu às expectativas que criei. Em princípio, não será uma série para continuar.

Classificação: 3/5 – Gostei


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.