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[Opinião] Os Doze, de Justin Cronin

18455165Autor: Justin Cronin
Título Original:
The Twelve (2004)
Série: A Passagem #2
Editora: Editorial Presença
Páginas: 728
ISBN: 9789722350037
Tradutor: Miguel Romeira
Origem: Comprado

Sinopse: Os Doze é a sequela de A Passagem, um bestseller internacional que nos dá a conhecer um mundo transformado num pesadelo infernal por uma experiência governamental que não correu como previsto. No presente, à medida que o apocalipse provocado pela mão humana se vai intensificando, três personagens tentam sobreviver no meio do caos. Lila, uma médica e futura mãe; Kittridge, que se viu obrigado a fugir do seu baluarte com poucos recursos; e April, uma adolescente que se esforça por manter em segurança o irmão mais novo num cenário de morte e destruição. Mas, embora ainda não o saibam, nenhum dos três foi completamente abandonado…



A uma distância de 100 anos do futuro, Amy e os outros sobreviventes continuam a lutar pela salvação da humanidade… sem se aperceberem de que as regras foram alteradas. O inimigo evoluiu, e surgiu uma nova ordem negra com uma perspetiva do futuro infinitamente mais terrífica do que a da própria extinção humana.

Opinião: Ler séries, no meio de tantos outros livros, às vezes tem este problema: se não pegamos nos volumes seguintes num curto espaço de tempo acabamos por esquecer alguns detalhes que permitem aproveitar a história ao máximo. Acho que o ano e tal que deixei passar entre a leitura da primeira parte desta série (publicada em Portugal em dois volumes) foi demasiado tempo porque quando ponderei a hipótese de continuar senti necessidade de ir à Wikipedia ler o resumo do primeiro livro, mas nem isso nem o prólogo que o autor incluiu, ao estilo bíblico, me fizeram deixar de ter a sensação que havia coisas que me estavam a escapar.

Para quem não está a par, A Passagem contou a história de uma experiência científica que correu mal, quando alguns seres humanos condenados à cadeira elétrica foram contaminados com um vírus que os transformou numa espécie de super-vampiros. Estes seres conseguiram escapar e começaram a contaminar outros seres humanos a uma velocidade surpreendente, até que grande parte da população dos Estados Unidos foi atacada por este flagelo e só alguns focos de resistência se mantiveram. Nesse livro, o autor explorou duas linhas temporais: a altura em que se deu a epidemia e cerca de 100 anos depois, quando um grupo de jovens residentes numa colónia se propuseram a viajar para longe a fim de salvar os seus. As minhas expectativas para este livro eram a continuação das aventuras destes jovens e da demanda para exterminarem os Doze, a suposta origem de todos os males. De certo modo, foi isso que aconteceu, mas não só o autor optou por voltar ao ano zero da epidemia como as aventuras dos nossos jovens conhecidos acabaram por ter uns contornos inesperados.

Quando percebi que estávamos a voltar ao início da história, questionei-me sobre a pertinência dessa opção porque me estava a deparar com uma série de novas personagens, onde teria de investir o meu tempo. Não duvidei que algumas delas viessem a ter importância no futuro (como se veio a verificar), mas temia que estivesse a apegar-me a pessoas que dali por pouco tempo viriam a deixar de fazer parte da história (o que também se veio a verificar). Na verdade, a minha sensação é que este recuo serviu apenas de pano de fundo às novas linhas de enredo que o autor iria explorar na linha temporal do futuro e que poderia ter sido melhor aproveitado para mostrar coisas sobre os Doze. 

Já no futuro, o autor regressa ao grupo de jovens que tínhamos conhecido no primeiro volume, cinco anos após os acontecimentos a que assistimos no final do mesmo. Está cada um para seu lado, com as suas mágoas, mas previsivelmente irão juntar-se para unir esforços. Ficamos a saber o motivo do desaparecimento da colónia, que serve de base a um novo desenvolvimento do enredo que me fez lembrar um pouco A História de uma Serva. Achei a ideia interessante, porque explora a maldade do ser humano e os extremos a que este pode chegar pela sua ambição, mas o principal vilão é tão previsível e unidimensional que acabou por me parecer uma caricatura um pouco irreal. O desfecho acabou por ser um pouco previsível e certinho, certificando-se o autor que não acabava com nenhuma personagem querida dos leitores. Acho que esse foi o meu principal problema com este livro: a previsibilidade, a falta de momentos realmente surpreendentes. O destino dos Doze, esse, pareceu-me demasiado básico tendo em conta tudo o build-up e terror que estas personagens deveriam inspirar.

De uma forma geral, foi um livro que me suscitou sentimentos contraditórios. Por um lado, gosto muito da premissa desta história, acho que o autor tem bom momentos de escrita, com bons diálogos e algumas personagens bem construídas. Por outro lado, algumas opções em termos de desenvolvimento de enredo neste livro pareceram-me ter acertado ao lado e, depois de um início que me entusiasmou, achei que o livro se arrasta em demasia sem manter o mesmo nível de interesse. De qualquer modo, conto ler o volume final desta trilogia, cuja data de publicação (no original) está prevista para outubro deste ano.

Classificação: 3/5 – Gostei


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.