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[Opinião] O Suspeito, de Michael Robotham

10582416Autor: Michael Robotham
Título Original:
The Suspect (2004)
Série: Joseph O’Loughlin #1
Editora: 11 x 17
Páginas: 512
ISBN: 9789722519762
Tradutor: Eugénia Antunes
Origem: Comprado

Sinopse: Joseph O’Loughlin aparenta ter a vida perfeita: uma mulher bonita, uma filha adorável e uma bem sucedida carreira como psicólogo clínico. Porém, até mesmo a existência mais irrepreensível pode cair por terra num abrir e fechar de olhos. Para tal basta uma rapariga assassinada, um jovem perturbado e a maior mentira da sua vida. A polícia pede ajuda a Joseph para tentar determinar se a morte da rapariga foi suicídio ou não. O psicólogo reconhece a vítima como sendo uma antiga colega, e quando um dos seus pacientes alega estar envolvido no crime, O’Loughlin acabar por se envolver numa complexa teia de enganos…

Opinião: Houve uma altura em que achava que o género policial não era, de todo, a minha praia e por isso pura e simplesmente não comprava nem lia livros policiais. Até que comecei a ler Agatha Christie e foi como se todo um novo mundo se tivesse aberto para mim, em termos literários. Comecei a explorar policiais clássicos e modernos, dos mais variados tipos, e descobri a emoção que acompanha a viagem de descoberta de culpados e, acima de tudo, do funcionamento por vezes macabro da mente humana.

Este O Suspeito vinha bem recomendado via GoodReads, e uma promoção muito boa na Feira do Livro do ano passado foi pretexto mais que suficiente para o ter comprado. O protagonista, e narrador da história, é Joseph O’Loughlin, um psicólogo que se vê, subitamente e sem se aperceber bem como, envolvido num crime de uma jovem que conheceu em tempos. À medida que os detalhes do crime vão sendo desvendados, tudo parece apontar para que O’Loughlin seja o culpado. A narração ambígua leva o leitor a ficar na dúvida em relação ao autor do homícidio, mas a partir de determinado ponto – na minha opinião, demasiado cedo – o mistério dissipa-se e as dúvidas que permanecem são apenas em relação aos contornos e motivos do crime. Ao apostar numa narrativa na primeira pessoa, talvez com o objetivo de aproximar o leitor da personagem principal, o autor hipoteca algumas das possibilidades que tinha de fazer twists e tornar, assim, a história mais emocionante.

Não posso dizer que tenha gostado particularmente de Joseph O’Loughlin: é mentiroso, traidor e egocêntrico. As suas reações perante as adversidades que se lhe vão deparando parecem por vezes idiotas, quando provavelmente apenas quereriam conferir-lhe uma aura de coragem que a mim não me convence. O facto de sofrer da doença de Parkinson acabou por me parecer apenas uma forma de o autor conferir densidade à personagem e arranjar algo que faça o leitor desculpar algumas das suas atitudes. Mas ultrapassadas estas questões e o facto de não o ter achado um policial muito emocionante, daqueles page-turners, acaba por ser um livro onde se nota a preocupação em construir uma história com personagens interessantes e que explora  de uma forma satisfatória traumas passados e as suas consequências.

Não foi um livro que me tivesse marcado muito dentro do género ou que me tivesse prendido o suficiente para querer continuar a explorar o autor, mas ainda assim foi uma leitura agradável e que entreteve.

Classificação: 3/5 – Gostei


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.