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[Opinião] Menina de Ouro, de Chris Cleave

17695352Autor: Chris Cleave
Título Original:
Gold (2012)
Editora: Edições Asa
Páginas: 368
ISBN: 9789892322070
Tradutor: Elsa T.S. Vieira
Origem: Comprado

Sinopse: É difícil encontrar palavras para descrever a emoção que os livros de Chris Cleave despertam. Os seus enredos são apenas uma parte da história. Mais importante é a forma como tocam o leitor. E isso é único e irrepetível.



“Menina de Ouro” é sobre os limites do amor. Sobre as nossas lutas diárias. Sobre o conflito entre os nossos desejos e a realidade. 



Conheça Kate e Zoe. Duas mulheres brilhantes com um sonho que apenas uma poderá realizar. Conheça também Sophie. Uma criança dotada de uma sensibilidade rara, que luta entre a vida e a morte. Estão unidas por um segredo. Delas se exige uma escolha. No momento mais importante das suas vidas, uma delas terá de fazer o derradeiro sacrifício. 



“Menina de Ouro” é sobre o que significa ser humano, mas também sobre o que nos permite a todos, de diferentes formas, atingir o extraordinário.

Opinião: Chris Cleave tem 3 livros publicados até à data, dos quais apenas me faltava ler este Menina de Ouro. Recordo Pequena Abelha com muita saudade, por ter sido um livro fantástico, que me emocionou bastante. Incendiário também foi um bom livro, apesar de me ter cativado menos. As expectativas para este livro eram boas, mas temperadas por essa leitura menos entusiasmante.

Menina de Ouro é um livro que conta a história de um trio de jovens talentosos no ciclismo, que veem as suas vidas pessoais e profissionais entrelaçadas de formas por vezes pouco felizes. Zoe e Kate são duas atletas de top, com ambições (e conquistas) olímpicas, que se esforçam todos os dias para manter a forma, mas com uma diferença fundamental: enquanto Zoe põe a sua carreira acima de tudo o resto, Kate é capaz de abdicar dela em prol da família. Jack, o marido de Kate, é também um ciclista de alta competição, medalhado olímpico, que luta, juntamente com a mulher, para conciliar a sua carreira com as exigências da vida familiar, que incluem a filha de ambos, a pequena Sophie, que sofre de leucemia.

Boa parte da história é composta pela dinâmica das relações, por vezes difíceis, entre o trio, com vários saltos ao passado que ajudam a compreender muitas das atitudes presentes. Zoe é uma personagem difícil de compreender, e mesmo de ter alguma simpatia por ela, tendo em conta várias das suas atitudes. No final do livro, são-nos revelados detalhes do seu passado que ajudam a entender o seu comportamento, mas nem por isso fizeram com que aceitasse várias coisas que fez. Penso que esta compreensão para com a personagem e os seus atos passa muito pelas nossas experiências pessoais e pela capacidade que temos em nos abstrairmos delas. Não tive grande sucesso com isso, confesso. No entanto, acabei por achar Zoe mais interessante que Kate, pela sua complexidade.

Se soubesse que este livro incluía uma criança a lutar contra a leucemia, provavelmente teria adiado a leitura por mais alguns anos. Não só porque agora sou mãe, e estas coisas se tornaram mais difíceis, mas também porque já sofri na pele a perda de um ente querido para esta doença. Continuo a não me sentir capaz de lidar muito bem com esta realidade. Mas, ainda assim, prossegui a leitura, com esperança num final feliz. Sophie é, para mim, a melhor personagem do livro, aquela com quem é impossível não simpatizar e não torcer para que consiga superar as adversidades.

É um livro bem escrito. Encontrei aqui o escritor que conheci em Pequena Abelha, mas o enredo, o contexto e as relações complicadas entre o trio protagonista acabaram por não me cativar tanto como queria. Ainda assim, é sem dúvida um autor para continuar a seguir.

Classificação: 3/5 – Gostei 


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.