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[Opinião] Ainda Alice, de Lisa Genova

7118647Autor: Lisa Genova
Título Original:
Still Alice (2007)
Editora: Caderno
Páginas: 320
ISBN: 9789722343312
Tradutor: Elsa T.S. Vieira
Origem: Comprado

Sinopse: O mundo de Alice é perfeito. Professora numa conceituada universidade, é feliz com o marido, os filhos, a carreira. E tem uma mente brilhante, admirada por todos, uma mente que não falha… Um dia, porém, a meio de uma conferência, há uma palavra que lhe escapa. É só uma palavra, um brevíssimo lapso. Mas é também um sinal de que o mundo de Alice começa a ruir. 
Seguem-se as idas ao médico e, por fim, a certeza de um diagnóstico terrível. Aos poucos, Alice vê a vida a fugir-lhe. Amada pela família, unida à sua volta, é ela que se afasta, suavemente arrastada para o esquecimento, levada pela Alzheimer. 
Ainda Alice é a narrativa trágica, dolorosa, de uma descida ao abismo, o retrato de uma mulher indomável, em luta contra as traições da mente, tenazmente agarrada à ideia de si mesma, à memória de uma vida e de um amor imenso.

Opinião: Normalmente, quando ouvimos falar da Doença de Alzheimer, associamo-la a pessoas idosas e, se não tivermos conhecimento de casos reais de pessoas afetadas por isto, parece-nos uma realidade distante, a tal história do “só acontece aos outros”. Este livro tem o condão de nos despertar para a realidade de uma doença séria, que começa por ser silenciosa e acaba por ser implacável.

Assim, conhecemos Alice Howland, uma professora, investigadora e estudiosa brilhante na área da Línguistica e Psicologia Cognitiva, que começa a dar-se conta de algumas falhas de memória, palavras que quer dizer mas de que não se lembra ou desorientações espaciais em sítios que deveria conhecer perfeitamente. Após algumas tentativas de se convencer que tudo isto se deve a outras causas, Alice recorre a médicos neurologistas e é-lhe diagnosticada Doença de Alzheimer precoce. 

O resto do livro mostra-nos o declínio de Alice, a luta que trava para manter-se consciente das falhas que tem e os elementos a que se agarra para tentar impedir o avançar da doença. Mas esta é implacável e, com o passar do tempo (meses), Alice vai perdendo cada vez mais as suas faculdades, perante a sua própria impotência e a impotência dos que a rodeiam.

Nota-se que Lisa Genova, neurocientista de profissão, sabe do que está a falar. Expõe a evolução da doença e os métodos de diagnóstico de uma forma clara e detalhada, sem nunca se tornar aborrecida. Apesar de não ser propriamente uma história agradável ou que sabemos que vai ter um final feliz, acaba por ser uma leitura compulsiva (li-o num dia!) pela forma como o livro está escrito e a empatia que se cria com Alice e a sua família. É um livro bem escrito, apesar de por vezes ter achado que lhe faltou um bocado de emoção. Ainda assim, é melhor do que lamechice exagerada, o que acontece por vezes em alguns livros que tratam de doenças complicadas.

Portanto, é um livro assustador e um bocado triste, que tem como objetivo chamar a atenção para a Doença de Alzheimer e mostrar os doentes como seres humanos válidos, merecedores de cuidados e compaixão. Apesar de ainda não ser possível curar esta doença, quanto mais cedo for detetada, maiores serão as probabilidades de retardar os seus efeitos e proporcionar às pessoas qualidade de vida, e por isso é importante estar atento. O livro é sobretudo um abre-olhos, e de vez em quando é bom pormos os pés na terra, percebermos que estas coisas podem acontecer a qualquer um e que devemos valorizar e prioritizar as coisas realmente importantes. Tudo isto são lugares-comuns, mas foi o que retirei desta leitura. Recomendado.

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.