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[Opinião] Capitães da Areia, de Jorge Amado

6261817Autor: Jorge Amado
Ano de Publicação:
1937
Editora: Dom Quixote
Páginas: 334
ISBN: 9789722020145
Origem: Comprado

Sinopse: Capitães da Areia é o livro de Jorge Amado mais vendido no mundo inteiro. Publicado em 1937, teve a sua primeira edição apreendida e queimada em praça pública pelas autoridades do Estado Novo. Em 1944 conheceu nova edição e desde então sucederam-se as edições nacionais e estrangeiras, e as adaptações para a rádio, televisão e cinema.
Jorge Amado descreve, em páginas carregadas de grande beleza, dramatismo e lirismo poucas vezes igualados na literatura universal, a vida dos meninos abandonados nas ruas de São Salvador da Bahia. Dividido em três partes, o livro atinge um clímax inesquecível no capítulo
Canção da Bahía, Canção da Liberdade, em que é narrada a emocionante despedida de um dos personagens da história, que se afasta dos seus queridos Capitães da Areia na noite misteriosa das macumbas, enquanto os atabaques ressoam como clarins de guerra.
  

Opinião: Capitães da Areia era, sem dúvida, um dos livros mais antigos na minha pilha de livros por ler. Por um ou outro motivo, fui sempre adiando a sua leitura, mas no “Vocês Escolhem” deste mês os leitores deste blogue decidiram que de agora não passava. Jorge Amado é um dos escritores brasileiros mais (re)conhecidos e dele já tinha lido há alguns anos “Gabriela, Cravo e Canela”, de que me lembro de ter gostado bastante. Foi, assim, com muita curiosidade que parti para uma nova leitura deste autor.

Capitães da Areia decorre na década de 1930, na cidade de Salvador da Bahia. Lá, um grupo de crianças órfãs e abandonadas, que toma o nome de “Capitães da Areia” dedica-se à prática de furtos e vive escondido num local onde os seus membros recolhem para passar a noite e planear os seus próximos golpes. À medida que a história avança, vamos conhecendo melhor alguns dos membros do grupo, desde o seu corajoso líder, Pedro Bala, passando pelo leitor e sábio do grupo, Professor, pelo crente, Pirulito, ou pelo amargurado Sem-Pernas. Todos eles têm em comum a carência de afeto e o desejo de pertença.

E é assim que, mesmo sabendo que os atos praticados pelo grupo não são os mais exemplares, o leitor acaba por senti-los justificados, pela situação de extrema pobreza em que estas crianças-adultas vivem, acabando o roubo por ser uma forma de revolta pela vida a que foram relegados. É um retrato duro das condições de vida na época, que aborda as más condições nos reformatórios de órfãos e também a diferença entre classes. Mas ao mesmo tempo que trata de temas sérios fá-lo de uma forma tocante e, por vezes, ternurenta. Houve alturas em que me apeteceu saltar para dentro do livro e ajudar aquelas crianças a terem tudo aquilo a que uma criança tem direito.

Foi, por isso, um livro que correspondeu às expectativas que tinha criado e que fica na memória pela forma vívida como são retratadas situações e personagens. Recomendado.

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.