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[Opinião] Almanaque Steampunk 2013, de Vários

AF_CapaEditores: Sofia Romualdo, Joana Neto Lima, André Nobrega e Rogério Ribeiro
Colaboradores: Nuno Mendes, Carlos Alberto Espergueiro, João Ventura, Cláudia Sérgio, Raquel da Cal, Cátia Marques, Rui Alex, Rui Leite, Joel Puga, Marco Trigo, Sílvio do Ó, João Barreiros, Carlos Silva e Diana Sousa
Editora: EuEdito
Páginas: 140
Origem: Comprado

Opinião: Depois de ter gostado tanto do primeiro Almanaque Steampunk (opinião aqui e aqui), foi com interesse que soube da publicação do segundo número e, naturalmente, o adquiri. Este é um projeto do Clockwork Portugal, cujo empenho na divulgação do género steampunk em Portugal tem sido notável, pelo que têm conseguido fazer sem quaisquer tipo de apoios. Este post vai ser um pouco longo porque, à semelhança do ano passado, decidi escrever uma opinião detalhada sobre as várias secções que compõem o almanaque. Preparados? Vamos lá.

À semelhança do primeiro almanaque, também este tem início com a secção de Anúncios, onde é apresentada publicidade fictícia e real com estética steampunk. Gostei especialmente do da “Typographia a Vapor e Papelaria”.

O Editorial olha para trás, para o sucesso que foi a primeira edição e, em linhas gerais, explicar ao leitor o que pode esperar do segundo número.

Nas Efemérides, são cobertos os acontecimentos mais relevantes entre outubro de 2013 e setembro de 2014, a nível de eventos steampunk pelo mundo, bem como os factos mais importantes a nível astronómico, entre outros.

Voltei a adorar o Horóscopo e a ler todos os signos para além do meu. Pelos vistos, continuo a precisar de goggles! 😀

A secção de Artigos inicia-se com as Crónicas do Padre Gonçalves, onde este se insurge contra o aparecimento da Sufragista Rosa, uma mulher que luta pelo direito de voto das mulheres e que, segundo o padre, atenta contra os bons costumes da família portuguesa. Logo de seguida, vem a resposta da dita sufragista. Muito engraçada esta troca de galhardetes. O artigo que se segue, Crónica da Primeira (e última…) Convenção Multipunk, relata a perturbação espaço-temporal na convenção steampunk portuguesa, pela presença de representantes dos vários géneros qualquer-coisa-punk. Uma ideia muito engraçada e bem desenvolvida. De seguida, regressam as Dicas para Donas de Casa de Madame C., secção onde a dita Madame responde a dúvidas das suas leitoras, que misturando dilemas domésticos perfeitamente plausíveis com elementos steampunk. Uma delícia. A secção de Artigos termina com o texto Migalhas de Bom Senso – Medicina Doméstica, que é uma rubrica que pretende dar dicas caseiras que ajudem nos problemas causados pelos novos sistemas de tubagens a vapor. Gostei.

Segue-se um espaço dedicado ao lazer, com o Steam Quiz (acertei em 5 perguntas de 9), Labirintos Lógicos e uma Sopa de Letras.

A secção Entrevistas contém duas entrevistas: à dupla Foglio, que se dedica à banda desenhada, e ao alemão Dirk Müller, produtor da curta-metragem Airlords of Airia, de ambiência steampunk. Gostei que as entrevistas tivessem fugido à literatura do género e acabei por ficar a conhecer projetos interessantes de que nunca tinha ouvido falar.

Segue-se a secção de Banda Desenhada, que é a grande novidade desta segunda edição. A história Da Santa Terrinha à Lua é da autoria de Rui Alex e Rui Leite e regista, com apontamentos humorísticos e caricaturais em relação ao português, a ocasião em que se tentou levar um português à Lua. Achei a história com potencial, mas acabou por me saber a pouco por ser tão curta. Estou longe de ser perita em BD, mas não fiquei grande fã dos “bonecos”. Ainda assim, achei um bom esforço e fico contente pela tentativa de diversificação de conteúdos.

A secção de Contos é a maior deste Almanaque, ocupando quase metade das suas páginas. Onde as Ruas São Vazias, de Diana Sousa, apresenta-nos um inventor solitário que se encontra prestes a terminar mais um invento, um pássaro mecânico. O inventor é acompanhado apenas por um robô que inventou e, neste pequeno conto, temos ainda vislumbres de um mundo pós-apocalíptico onde dificilmente se vê a luz do sol. Gostei da escrita e da história que, apesar de curtinha, consegue cativar. Em Antília – A Cidade Subaquática Portuguesa, de Joel Puga, um narrador viajado descreve a sua visita à cidade subaquática portuguesa Antília, ao largo da Figueira da Foz. Achei um bom exercício de imaginação, de um modo geral bastante plausível. Homo Machinæ, de Marco Trigo, traz-nos aventuras que envolve um barco desaparecido e a criação de uma nova espécie de homens-máquina. Achei a narrativa um pouco confusa e o enredo não me cativou por aí além. Quatro Voltas, de Sílvio do Ó, leva-nos a um Portugal parte integrante de um império ibérico, em que o protagonista, um comandante do Exército Imperial, é bem mais do que aquilo que aparenta. Um conto interessante e bem escrito, com um final inesperado. O último dos contos, O Encantador de Bombas, da autoria de João Barreiros, leva-nos a uma Londres alternativa em 1960. Aí dura uma guerra há 35 anos e caem frequentemente na cidade todo o tipo de bombas, incluindo as singing bomblettes, que oferecem a quem as ouve uma música antes de explodirem. O protagonista do conto, o jovem Gustav, encontra uma dessas bombas numa noite em que decide sair de casa e a bomba, por gostar dele, decide não explodir. Esta capacidade de conseguir que as bombas não expludam, qual encantador de bombas, é uma característica que gera cobiça assim que é descoberta e que muda a vida de Gustav. Gostei bastante deste conto.

À semelhança do ano passado, o Almanaque Steampunk deixa-me muito bem impressionada. Continua a marcar pontos pela originalidade e cuidado quanto ao design e à qualidade dos conteúdos. Notou-se a preocupação de trazer algo diferente neste segundo número, mantendo, contudo, a identidade da iniciativa. Agora é esperar pelo Almanaque 2014.

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.