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[Opinião] Segredos Submersos, de Hannah Richell

18107841Autor: Hannah Richell
Título Original:
Secrets of the Tides (2012)
Editora: Civilização
Páginas: 416
ISBN: 9789722633819
Tradutor: Odete Martins
Origem: Comprado

Sinopse: Os Tides são uma família com segredos sombrios. Marcados pelos acontecimentos de um dia trágico, há dez anos, cada um deles, à sua maneira, tenta seguir com a sua vida.
Dora, a filha mais nova, vive num armazém degradado no East End com o seu namorado artista, Dan. Está a conseguir levar uma vida calma – mas quando descobre que está grávida, a notícia deixa-a abalada e leva-a a recordar uma culpa de longa data. Ao voltar a Clifftops, a casa da família situada no alto da costa de Dorset, Dora tem de enfrentar o seu passado. Clifftops não mudou nos últimos anos e, ao percorrer as suas divisões e jardins, Dora ainda consegue sentir o eco daquele terrível dia de verão em que a vida dos Tides mudou para sempre. Quando Dora começa a procurar pistas dos acontecimentos daquele dia fatídico, dá-se conta de que o caminho para a redenção pode estar na sua irmã problemática, Cassie. Se Dora conseguir arrancar a Cassie os segredos que ela jurou levar consigo para o túmulo, talvez consiga a redenção. Mas será que segredos antigos podem realmente ser perdoados? E mesmo que se consiga perdoar e esquecer, como é que nos permitimos amar de novo?
  

Opinião: Famílias com segredos e narrativa que alterna entre períodos temporais são normalmente dois elementos em livros que me levam a ganhar interesse e, eventualmente, lê-los. Segredos Submersos não foi exceção, e depois de ler a sinopse e algumas opiniões, achei que seria uma boa aposta.

Um acontecimento trágico na vida da família Tide levou à separação dos seus quatro elementos – pai, mãe e duas filhas. No início do livro, não sabemos que acontecimento foi esse, mas vamos conhecendo os elementos da família através da sua vida presente e do flashback das três personagens femininas da história, recordando a vida anterior ao tal acontecimentos trágico e os estilhaços em que a sua família se transformou depois disso.

É um livro com uma história pesada e, por vezes, angustiante. Angustiante porque a autora invoca de forma realista uma tragédia pela qual qualquer mãe deseja nunca passar; angustiante porque o leitor vive a angústia e a culpa das personagens de forma muito palpável. Como é que se vive depois de passar por um acontecimento traumático pelo qual sentimos ter culpa? Como é que se prossegue o caminho quando há algo que nos corrói por dentro e não nos deixa viver, apenas sobreviver? É a estas perguntas que a autora tenta responder.

Foi sem dúvida uma leitura viciante, primeiro porque queria saber o que tinha destroçado a família Tide, depois porque queria descobrir o que tinha realmente acontecido. Depois de atingidos esses dois objetivos, o final pareceu-me, de certo modo, apressado e demasiado feliz para toda a angústia e tristeza que reinava naquela família. A escrita é evocativa, mas por vezes achei-a demasiada simples para toda a complexidade do enredo. E acho que teria sido interessante apresentar uma perspetiva masculina sobre a história, porque o pai me pareceu uma personagem interessante mas subdesenvolvida.

É um livro que trata temas interessantes, que me cativou, mas que ainda assim achei ter espaço para poder ser melhor. Penso voltar à autora com o livro The Shadow Year, para tirar as teimas.

Classificação: 3/5 – Gostei


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.