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[Opinião] O Mapa do Tempo, de Félix J. Palma

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Autor: Félix J. Palma
Título Original:
El Mapa del Tiempo (2008)
Série: Trilogia Victoriana #1
Editora: Planeta
Páginas: 552
ISBN: 9789896570354
Tradutor: Mário Dias Correia

Sinopse: Londres, 1896. Inúmeros inventos convencem o homem de que a ciência é capaz de conseguir o impossível, como o demonstra o aparecimento da empresa Viagens Temporais Murray, que abre as suas portas disposta a tornar realidade o sonho mais cobiçado da humanidade: viajar no tempo, um anseio que o escritor H. G. Wells tinha despertado um anos antes com o seu romance A Máquina do Tempo. De repente, o homem do século XIX tem a possibilidade de viajar até ao ano 2000, e é o que faz Claire Haggerty, que vive uma história de amor através do tempo com um homem do futuro. Mas nem todos querem ver o amanhã. Andrew Harrington pretende viajar até ao passado, a 1888, para salvar a sua amada das garras de Jack, o estripador. E o próprio H. G. Wells enfrentará os riscos das viagens temporais quando um misterioso viajante chegar à sua época com a intenção de assassiná-lo e roubar-lha a autoria de um romance, obrigando-o a empreender uma desesperada fuga através dos séculos. Mas que acontece se alterarmos o passado? É possível reescrever a história?
  

Opinião: Sempre li opiniões positivas acerca deste livro e desde que o comprei, em 2009, que tenho tido vontade de o ler, mas só agora se proporcionou. Esta leitura ocupou-me o final de 2013 e o início deste novo ano, e, com festas pelo meio, acabei por demorar praticamente 3 semanas a terminá-lo. O que acabou por ser bom, porque é um livro que ganha, na minha opinião, com uma leitura mais compassada.

O Mapa do Tempo é um livro que junta vários géneros literários, incluindo romance histórico, ficção científica, steampunk, história alternativa, numa narrativa cativante e bem escrita. O livro divide-se em 3 partes, cada uma delas com protagonistas diferentes apesar de decorrerem no final do século XIX e estarem, de certo modo, interligadas. Um dos pontos de ligação entre elas é a empresa Viagens Temporais Murray, que promete viagens ao ano 2000, onde se deu a guerra decisiva entre humanos e autómatos. Isto causa imensa sensação na altura e interfere de modo decisivo nas vidas dos vários protagonistas.

Esta empresa de viagens surge após a publicação do famoso A Máquina do Tempo, de H.G. Wells (que recomendo lerem antes de pegarem neste livro) e é ajudada precisamente pela sua existência, trazendo ao de cima o desejo humano de poder controlar e alterar o rumo dos acontecimentos. H.G. Wells é, ele próprio, uma personagem fundamental do romance, que acaba por ser, julgo eu, uma homenagem ao autor, proporcionado também a quem lê mais informações sobre a sua vida.

Não vale a pena entrar muito mais pelos acontecimentos do livro, sob pena de revelar demasiado quando penso que muito do interesse do livro está, precisamente, em ir descobrindo por nós próprios todas as ramificações desta história. Que é uma longa história, com um narrador omnisciente, que vai sempre opinando sobre os acontecimentos e guiando o leitor pela história à sua maneira. Este foi um dos aspetos que mais gostei no livro, a original voz do narrador. Também a caracterização da Londres vitoriana me pareceu muito bem conseguida uma vez que o autor me conseguiu fazer acreditar que lá estava.

Por fim, de referir as habituais reflexões de um livro que aborda a possibilidade de se viajar no tempo: o que alteraríamos nas nossas vidas se pudéssemos viajar ao passado? Quem gostaríamos de rever? Se pudéssemos, será que queríamos ver como vai ser o nosso futuro? 

Foi uma leitura muito agradável, que me conquistou pela escrita cativante e pelo enredo interessante e cheio de reviravoltas. Arrasta-se em alguns momentos e algumas situações parecem desafiar a chamada suspension of desbelief do leitor, mas ainda assim gostei bastante deste livro. Fico curiosa por ler o livro seguinte da trilogia (sim, este é o primeiro de uma trilogia), mas como duvido que vá ser publicado em português, terei de me contentar com ler em inglês.

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante


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