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[Opinião] O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald

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Autor: F. Scott Fitzgerald
Título Original:
The Great Gatsby (1925)
Editora: Relógio d’Água
Páginas: 177
ISBN: 9789727083145
Tradutor: Ana Luísa Faria
Origem: Comprado

Sinopse: «O Grande Gatsby talvez seja, como já alguém afirmou, o único romance perfeito. Ao relê-lo, ficamos sempre espantados com a sua brevidade: não é muito mais longo que um conto de Henry James. T. S. Eliot considerou-o como o único progresso significativo do romance americano desde a morte de James. Não gerou, porém, uma tradição americana. A narrativa de grande sucesso, frouxamente planeada e recheada de calão, é vista com acerto como o típico contributo americano para a arte do romance. Os leitores americanos do Saturday Evening Post, que admiravam os contos de Fitzgerald sobre a era do jazz, não o sabiam autor de um grande livro. A popularidade de Fitzgerald depois de morto baseou-se mais na vida que na obra — o «colapso nervoso», o alcoolismo, a loucura de Zelda, sua mulher. A sua arte era demasiado requintada e a sua ironia demasiado subtil para o grande público. E no entanto, um editorial do New York Times, publicado após a sua morte, dizia que «ele era melhor do que pensava, pois foi, quer no plano dos factos quer no plano literário, o inventor de uma “geração”». – Anthony Burguess
  

Opinião: O Grande Gatsby era um dos vários livros que tinha há anos na minha lista “um dia hei-de ler” e que só no ano passado, após ter visto o filme de Baz Luhrmann, me decidi finalmente a adquirir um exemplar e ler.  Não gostei muito do filme, por causa de todo o espetáculo de luz e cor (problema meu com o realizador), mas teve o condão de despertar definitivamente a minha curiosidade em relação ao livro.

O Grande Gatsby é um clássico considerado o retrato, por excelência, da Idade do Jazz e dos Loucos Anos 20 e, acima de tudo, um dos melhores romances norte-americanos de sempre. Tal epíteto pode tornar-se um bocado assustador, porque senti, ao começar esta leitura, um misto de vontade de gostar e medo que isso não acontecesse. Costuma acontecer-me com livros consensuais entre crítica e leitores, aquela vontade de “apanhar o comboio”, de perceber e, mais que isso, sentir aquilo que a maioria das outras pessoas sentiram ao ler determinado livro. Às vezes não consigo lá chegar – como foi aqui o caso – mas felizmente o que fica agora é só algum sentimento de pena e nenhum sentimento de culpa.

Mas voltando ao livro, a personagem central é Jay Gatsby, que aparece aos olhos do leitor ele próprio de acordo com os olhos de outra personagem, Nick Carraway, que é o narrador da história. Nick vive numa casa modesta, em Long Island, que no livro contém duas localidades – o West Egg e o East Egg – onde vivem, respetivamente, pessoas com dinheiro “novo” e dinheiro “antigo”. Perto da casa de Nick vive Gatsby, na sua mansão espetacular, onde todos os sábados decorrem festas cheias de gente e de excessos. Gatsby é para Nick uma personagem misteriosa, e, só com o decorrer dos acontecimentos Nick descobre, tal como o leitor, a essência de quem é Gatsby.

Gatsby é, acima de tudo, um homem marcado por uma paixão antiga, pelo desejo de recuperar um passado não tão distante em termos temporais, mas uma outra vida numa época de mudanças constantes. Gatsby é utiliza essa paixão como motor para se tornar num self-made man e lutar contra as diferenças sociais marcantes entre quem já nasceu rico e quem teve de subir a pulso. Na verdade, o sonho americano é um dos temas marcantes do livro, a par da influência da época em que decorre e dos excessos e decadência de então.

É um livro muito bem escrito, com momentos de rara beleza e passagens brilhantes. Infelizmente, e apesar da minha vontade enorme, não consegui gostar tanto assim do livro a nível de enredo e de personagens. Daisy é capaz de ser uma das personagens mais fúteis e egoístas que já encontrei num livro, o que foi intencional da parte do autor, não tenho dúvidas, mas que nem por isso me fez conseguir ver o que quer que fosse de bom na sua existência. Gatsby nunca deixou de ser uma personagem enigmática para mim, apesar da revelação da sua história, e apesar de não o odiar também não gostei propriamente dele. Nick, o narrador, acabou por ser a personagem que mais me disse, talvez precisamente por ser pelas palavras dele que acompanhamos a história. 

Em jeito de resumo, foi uma boa leitura. Não tão cativante ou absorvente como esperei, mas com uma prosa que, por si só, valeu o tempo gasto.

Classificação: 3/5 – Gostei


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.