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[Opinião] E as Montanhas Ecoaram, de Khaled Hosseini

Liv01040550_fAutor: Khaled Hosseini
Título Original:
And the Mountains Echoed (2013)
Editora: Editorial Presença
Páginas: 392
ISBN: 9789722350587
Tradutor: Manuel Alberto Vieira e Alberto Gomes
Origem: Comprado

Sinopse: 1952. Em Shadbagh, uma pequena aldeia no Afeganistão, Saboor é um pai que um dia se vê obrigado a tomar uma das decisões mais difíceis da sua vida: vender a filha mais nova, Pari, a um casal abastado em Cabul e assim poder continuar a sustentar a restante família. A separação é particularmente devastadora para Abdullah, o irmão mais velho que cuidou de Pari desde a morte da mãe de ambos. Nenhum dos dois imaginava que aquela viagem até à capital iria instalar um vazio nas suas vidas que seria capaz de atravessar décadas e quilómetros e condicionar os seus destinos… 
Neste seu terceiro romance, “E as Montanhas Ecoaram”, Khaled Hosseini traz-nos uma belíssima e comovente saga familiar que reflete sobre como os laços que nos unem sobrevivem aos obstáculos que a vida nos impõe.
  

Opinião: Mil Sóis Replandecentes foi um livro que me marcou bastante, quando o li há quase 6 anos (como o tempo passa!), porque me emocionou enquanto aprendia mais sobre a crueldade que existiu e continua a existir no nosso mundo. Khaled Hosseini já tinha, à data, outro livro publicado (O Menino de Cabul), mas por um ou outro motivo nunca cheguei a comprá-lo nem a lê-lo. No ano passado, publicou o primeiro livro em 6 anos, precisamente este E as Montanhas Ecoaram, e pareceu-me a altura ideal para regressar ao autor.

Começo por dizer que a sinopse é enganadora. Quem a lê pensa que a separação dos dois irmãos afegãos, Abdullah e Pari, é o fio condutor desta história e que são eles as personagens principais. Na verdade, eles são apenas duas das peças do puzzle que é este livro, que percorre uma miríade de épocas, personagens, gerações e temas. A história dos dois irmãos é aquela que inicia o livro e, junte-se isso ao facto de conter um acontecimento traumático para ambos, torna-se difícil não se transformar na história a que o leitor mais se agarra.

Mas depressa somos “arrancados” deste drama e começamos a conhecer as histórias das pessoas que giram à volta de Abdullah e Pari: a madrasta deles e a sua irmã; o irmão da madrasta, que trabalha em Cabul numa casa de gente rica; o patrão deste último e a sua mulher; dois primos que viviam nesse bairro rico de Cabul e que imigram para os Estados Unidos; um combatente nas guerras do Afeganistão e que vive de negócios obscuros; um cirugião plástico que se encontra no Afeganistão a fazer trabalho voluntário. E assim, ao longo de quase 400 páginas, vamos conhecendo este rol de personagens, cada qual com as suas histórias de vida, pontuadas por escolhas que, mesmo parecendo insignificantes, acabam por se tornar decisivas.

Parece-me que Khaled Hosseini desejou, com este livro, pintar um mosaico não propriamente da realidade afegã (apesar de esta ter relevância no enredo) mas da variedade de pessoas que de algum modo se relacionam com o país: afegãos que ficaram, afegãos que partiram, pessoas de outras nacionalidades que se apaixonaram pelo país… Todos eles contribuindo para o Afeganistão que hoje existe. 

Apesar de a multiplicidade de pontos de vista ter o seu interesse porque ajuda a enriquecer o livro pela variedade de experiências de vida, quanto a mim dificulta bastante que o leitor consiga sentir-se emocionalmente ligado à vida destas pessoas. Quando começamos a ficar realmente interessados no futuro de determinada personagem, esta desaparece e ou ficamos sem saber o que lhe aconteceu ou temos uma breve referência numa das outras secções do livro. A história dos dois irmãos, que me cativou no início, demorou tanto a ser “resolvida” que quando isso aconteceu já tinha perdido grande parte do interesse. 

Gostei da escrita, que tem momentos belíssimos, em especial no que se refere à evocação de imagens. Mas tenho pena que o enredo nunca tenha passado de interessante para algo realmente cativante. Portanto, gostei do livro mas ainda assim a sensação que fica é a de desilusão pelas enormes expectativas criadas antes de o ler.

Classificação: 3/5 – Gostei


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.