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[Opinião] Where’d You Go, Bernadette, de Maria Semple

15848225Autor: Maria Semple
Ano de Publicação: 2012
Páginas: 331

Sinopse (da edição portuguesa): A fama de Bernadette Fox precede-a. No círculo restrito e elitista do design mundial, ela é uma arquiteta revolucionária. Para o marido, um guru da Microsoft, ela é a prodigiosa e atormentada paixão da sua vida. Segundo os vizinhos e conhecidos, ela representa uma afronta e uma ameaça. Mas aos olhos da filha, Bee, ela é, simplesmente, a Mãe.
E um dia Bernadette desaparece. Quando todos parecem reagir à sua ausência com diversos graus de alívio, Bee é a única disposta a tudo para a encontrar. Mas a instável e agorafóbica Bernadette não quer ser encontrada e tem meios e inteligência suficientes para se manter incógnita… mesmo que para tal tenha de encetar uma impossível viagem ao fim do mundo.
Neste retrato de uma mulher pouco convencional, a autora explora a fragilidade e a inadequação das mentes criativas face à voracidade uniformizadora do mundo moderno. A incómoda Bernadette e a sua família disfuncional são paradigmas das relações humanas do século XXI.
  

Opinião: Este livro já andava na calha para ser lido desde que saiu, no ano passado. Na altura, a capa chamou-me a atenção e a sinopse aumentou bastante o meu interesse. Entretanto, foi publicado por cá, mas optei por ler na edição original por causa do preço estupidamente alto da edição portuguesa.

Fiquei surpreendida quando percebi que o livro estava contado sob a forma epistolar. Quando Bernadette Fox desaparece misteriosamente, a sua filha Bee reúne cartas, e-mails e notas de várias pessoas que, de certo modo, registam vários acontecimentos anteriores ao desaparecimento e que podem lançar alguma luz sobre o que o originou. Bee, uma rapariga sobredotada de 15 anos, vive com a mãe e o pai em Seattle: outrora uma promissora arquiteta, Bernadette é agora uma excêntrica mulher de meia-idade, com dificuldades em socializar e com grandes flutuações de personalidade; o pai, Elgin é um génio que trabalha na Microsoft e que passa boa parte do seu tempo no trabalho.

A história começa quando, por causa das suas boas notas, Bee ganha o direito a pedir qualquer coisa e escolhe uma viagem à Antártica. Enquanto decorrem os preparativos, vamos ficando a par da atividade escolar de Bee, das formas que Bernadette encontra para contornar as suas obrigações e um pouco mais sobre a vida profissional de Elgin. Mas, acima de tudo, vamos percebendo pelos vários relatos como vive esta disfuncional família e as dificuldades que o casal enfrenta pela personalidade instável de Bernadette e pelo progressivo afastamento dos dois.

Se me pedissem para resumir este livro numa frase, diria que é um livro que trata temas sérios com piada. Na verdade, Bernadette é uma personagem interessantíssima, com problemas psicológicos sérios que, apesar de nunca serem muito desenvolvidos ou aprofundados em termos técnicos, são bem retratados e aparecem ao leitor de uma forma realista. Mesmo com todos estes problemas, é impossível não achar piada a Bernadette e à sua forma peculiar de ver o mundo. A autora consegue, quanto a mim, criar uma personagem credível e que conquista o leitor. Também gostei de Bee e da (aparentemente) lunática Audrey Griffin, mas de resto não achei que as restantes personagens fossem tão bem desenvolvidas quanto isso. Seattle, uma personagem por si só, está muito bem caracterizada no que respeita às suas gentes, aos costumes e à influência que a meteorologia tem na sua forma de vida.

O final da história acaba por ser um pouco previsível e acaba de forma algo abrupta, deixando algumas pontas soltas; isso fez-me gostar um pouco menos do livro. Mas, ainda assim, foi uma leitura engraçada e leve que aborda temas sérios, e que não me tendo arrebatado completamente acabou por valer a pena.

Classificação: 3/5 – Gostei


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.