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[Opinião] Este País Não é Para Velhos, de Cormac McCarthy

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Autor: Cormac McCarthy
Título Original:
No Country For Old Men (2005)
Editora: Impresa
Páginas: 220
ISBN: n.d.
Tradutor: Paulo Faria
Origem: Comprado

Sinopse: Quando Llewelyn Moss encontra uma mala cheia de dinheiro, depois de um tiroteio entre narcotraficantes, pensa que lhe saiu a sorte grande. Mas Llewelyn não sabe que o seu ato o acaba de converter numa das pessoas mais procuradas no Texas. Entre os seus múltiplos perseguidores encontra-se Anton Chigurh, um implacável assassino armado com uma estranha pistola pneumática, cuja máxima concessão à piedade consiste em atirar uma moeda ao ar para decidir o destino das suas vítimas. Também o procurará o velho xerife Ed Tom Bell, que está disposto a fazer o que for necessário para ajudar as pessoas que jurou proteger…
  

Opinião: Se não tivesse sido o vencedor da última votação no “Vocês Escolhem”, duvido que tivesse pegado neste livro tão cedo. Não é porque não tivesse vontade de o ler, mas antes porque Cormac McCarthy se tornou num daqueles escritores de que gosto muito mas que tenho um certo receio de ler, porque acho que estes livros precisam de ser lidos com o estado de espírito certo. Felizmente, este livro apanhou-me numa dessas alturas.

Estamos nos Estados Unidos dos anos 1980, perto da fronteira dos E.U.A com o México, quando Llewelyn Moss, num dia em que foi caçar, se depara com uma cena mórbida, com corpos por todo o lado. Rapidamente percebe que se tratou de uma rixa entre traficantes de droga e não demora muito tempo a encontrar uma mala com milhões de dólares. Este dinheiro é o mote para uma mudança radical na sua vida, porque mesmo sabendo que os donos do dinheiro nunca deixarão de o procurar decide, ainda assim, levar a mala consigo.

Anton Chigurh é um assassino contratado para reaver esse dinheiro. Mas a recuperação da mala está longe de ser o que mais o move: Chigurh é implacável, frio mas, de certo modo, um filósofo da vida e, principalmente, da morte. É uma personagem fascinante e, sem dúvida, um dos melhores vilões que já encontrei nas páginas de um livro. A sua frieza e diálogos com as vítimas antes de as matar são das melhores coisas que já li.

Mas esta não é a história de nenhuma dessas personagens, Moss e Chigurh, mas antes do xerife Bell. E principalmente do país em que todos eles vivem, um país onde as guerras e a violência fazem parte do dia-a-dia das suas pessoas. Bell, um veterano de guerra, é o narrador de parte do livro, e cada capítulo inicia-se com reflexões sobre a sua vida, o seu país, e os acontecimentos que vão rodeando a mala de Moss e a perseguição de Chigurh.

A narrativa é típica de McCarthy. Diálogos que não são convencionalmente assinalados como tal, muitos pontos finais e muitas enumerações com a palavra “e”. Bastaram-me poucas páginas para me (re)habituar ao estilo e depressa a qualidade narrativa faz esquecer estas particularidades estilísticas. Apesar do ritmo por vezes frenético dos acontecimentos, McCarthy arranja sempre tempo para reflexões interessantíssimas sobre o seu país e sobre as vidas das suas personagens.

Não posso deixar de recomendar este magnífico livro, que me parece ser um bom ponto de partida para quem ainda não conhece o autor. E agora fico super-curiosa por ver o filme, que ganhou 4 Óscares em 2007.

Classificação: 5/5 – Adorei


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.