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[Opinião] Cavalos Roubados, de Per Petterson

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Autor: Per Petterson
Título Original:
Ut og stjæle hester (2003)
Editora: Casa das Letras
Páginas: 276
ISBN: 9789724618197
Tradutor: Maria João Freire de Andrade
Origem: Comprado

Sinopse: Em 1948, um jovem de quinze anos passa o Verão no campo com o pai. Os acontecimentos inesperados que irão ocorrer alteram a sua vida para sempre: a morte acidental de uma criança, os sentimentos de culpa do seu melhor amigo e o seu eventual desaparecimento, a decisão do seu pai de deixar a família por outra mulher.
Já velho e a viver numa região isolada da Noruega, Trond encontra por acaso alguém que pertence àquele Verão fatídico e que irá remexer em memórias dolorosas forçando-o a mergulhar no passado.
Cavalos Roubados é uma história comovente de um homem que consegue alterar a sua perspectiva do mundo e da vida, que nos fala da inocência juvenil, da difícil aceitação das traições e da nostalgia por um modo de vida mais simples. Um romance mágico, intensamente lírico e evocativo e que cativa o leitor da primeira à última página.
  

Opinião: Já não me lembro em concreto o que me levou a comprar este livro, mas penso que houve algo na sinopse e no próprio título que me atraiu. Tal como tantos outros livros que tenho, também este ficou esquecido nas minhas prateleiras, à espera que eu me decidisse a lê-lo, o que aconteceu agora por causa do desafio Monthly Key Word.

O enredo deste livro passa-se na Noruega e o protagonista é Trond, um sexagenário solitário que aluga uma cabana no meio da floresta, onde pretende viver o resto da sua vida e usufruir do silêncio. Esta vivência no meio da Natureza é uma espécie de regresso às origens, porque traz a Trond recordações de uma época em que ia periodicamente com o pai para uma localidade perto da fronteira da Suécia para uma temporada em que passava bons momentos com o seu amigo John (por vezes iam “roubar cavalos”), mas em que também ajudava o pai na lida do corte de árvores e do tratamento dos toros para venda posterior. 

A narrativa oscila entre o presente (fins do século XX) e o passado (meados da década de 1940), e quando Trond encontra uma pessoa do seu passado, as memórias são mais vívidas do que nunca e os recuos ao passado vão-nos revelando acontecimentos que estamos sempre na expectativa de se tornarem algo verdadeiramente traumático ou revelador, mas que, de certo modo, acabam por nunca o ser.

A verdade é que, mesmo perante uma morte acidental (que nem afeta diretamente a personagem principal) e sonhos e expectativas de infância traídos, nunca consegui sentir que estes acontecimentos tivessem traumatizado Trond a um ponto em que ele se tornasse uma personagem realmente interessante. Depois, há muita coisa que fica por explicar, muitas personagens que ficam pelo caminho sem que voltemos a saber o que lhes aconteceu. Isto não era fundamental para termos uma história bem contada, mas, depois de alguma expectativa criada pelos acontecimentos que presenciamos, não deixa de ser anti-climático.

Quanto à escrita, não me consegui decidir. Há momentos bem acima da média, mas achei a escrita ao sabor dos pensamentos do protagonista por vezes demasiado confusa. Penso – sem ter a certeza absoluta – que a tradução portuguesa foi feita a partir da tradução inglesa, e pergunto-me até que ponto isto terá afetado o produto final e a transmissão da voz do autor. 

Em jeito de resumo, foi um livro que não me fascinou. Apesar de alguns bons momentos de escrita, não achei a história particularmente inspiradora ou cativante. Penso que não voltarei a este autor.

Classificação: 2/5 – OK


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.