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[Opinião] A Menina na Falésia, de Lucinda Riley

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Autor: Lucinda Riley
Título Original: The Girl on the Cliff (2011)
Editora: Edições Asa
Páginas: 528
ISBN: 9789892318448
Tradutor: Ana Sofia Pereira
Origem: Comprado

Sinopse: Grania Ryan tem em Nova Iorque a vida com que sempre sonhou. Tudo é perfeito até ao dia em que o seu desejo mais íntimo é brutalmente estilhaçado. Arrasada, Grania decide voltar à Irlanda e aos braços da sua adorada família. E é aqui, à beira de uma falésia, que conhece Aurora Lisle, a menina que vai mudar profundamente a sua vida. A ligação entre ambas é imediata e profunda. Pouco a pouco, Grania descobre que as histórias das suas duas famílias estão estranha e intrinsecamente ligadas… De um agridoce romance na Londres do tempo da grande guerra a uma relação tempestuosa na Nova Iorque contemporânea; da devoção a uma criança terna e carente a memórias esquecidas de um irmão perdido, o passado e o presente das famílias Ryan e Lisle estão unidos há um século. Cem longos anos de equívocos e segredos, paixões e ódios… Apenas a intuição e a coragem de Aurora poderão quebrar o feitiço e vencer as barreiras que o passado ergueu. Assombrosa, terna e comovente, a história de Aurora é uma inspiração para todos nós. Um exemplo de como a esperança e o amor podem ultrapassar todas as perdas.
  

Opinião: Há 2 anos estive em Londres e nas minhas deambulações pelas várias livrarias locais, deparei-me frequentemente com o nome de Lucinda Riley nos escaparates dos livros em destaque. Desde essa altura que o nome da autora me ficou na cabeça, e depois de alguma investigação sobre os seus livros e, em especial, por algumas comparações com Kate Morton, decidi comprar este livro.

Grania Ryan é uma irlandesa que se estabeleceu em Nova Iorque como escultora de sucesso, mas no início do livro encontra-se de volta à terra natal com o coração partido por um filho recém-perdido e uma relação terminada. Num dos seus passeios pela zona, encontra uma menina peculiar, Aurora, o elemento mais novo de uma família com tradições locais, os Lisle. Grania percebe facilmente que Aurora se sente carente pela perda recente da mãe e a natureza cativante da criança aliada à sua sensibilidade conquistam o coração de Grania. No entanto, a mãe de Grania não vê com bons olhos o envolvimento da filha com os Lisle, pelo passado comum de vários membros da família e que, na maioria das vezes, não terminou bem. E, assim, voltamos atrás no tempo para conhecer a história de Mary, a bisavó de Grania, que durante a Primeira Guerra Mundial trabalhou em Londres para um elemento da família Lisle e, também ela, estabeleceu uma relação forte com Anna, uma menina adotada e criada pela família. Mas este recuo no tempo, apesar de ter um tamanho considerável em termos de páginas, é único. Quando o leitor é “devolvido ao presente”, é para ficar.

O livro inicia-se e é intercalado com capítulos curtos nos quais Aurora é a narradora. Supostamente, é ela que está a escrever a história que lemos e vai, aqui e ali, fazendo comentários sobre os acontecimentos que relata. Não gostei muito desta opção da autora porque tive problemas com a autenticidade da personagem, especialmente por me ter parecido sempre mais adulta do que a sua idade real (mesmo descontado o facto de se lhe referir como uma “alma velha”).

Foi uma leitura que me cativou até cerca de dois terços do livro. Penso que a autora consegue criar uma atmosfera algo assustadora com as “aparições” da mãe da Aurora e com a atração que a menina sente pelo esotérico. A componente histórica do enredo também foi bastante interessante (talvez a melhor parte do livro, na minha opinião), mas achei estranho que antes de este relato começar se faça referência a cartas de Mary e depois a história não seja narrada de forma epistolar, mas sim em texto normal.

O que começou a fazer-me perder o interesse foi não só o tom novelesco que a história assume a partir de determinado momento, mas essencialmente a sua previsibilidade. Eu tinha a ideia que era bastante má a perceber indícios e a adivinhar acontecimentos, por isso ou entretanto fiquei bem melhor nesse aspeto ou então Lucinda Riley foi bastante óbvia. Não deixou de ser uma leitura agradável, por vezes viciante, mas é daqueles livros em que, quanto mais penso na história, mais defeitos encontro e menos me parece ter gostado. Por isso, considero-o um livro bom para entreter, mas que, no final de contas, acabou por não corresponder completamente às minhas expectativas.

Classificação: 3/5 – Gostei 


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.