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[Opinião] Quem Quer Ser Bilionário?, de Vikas Swarup

9789724148731Autor: Vikas Swarup
Título Original: Q & A (2000)
Editora: Edições ASA
Páginas: 295
ISBN: 9789724148731
Tradutor: Teresa Curvelo
Origem: Comprado

Sinopse: Por que está Ram, um pobre empregado de mesa de Bombaim, na prisão?
a) Esmurrou um cliente
b) Bebeu demasiado whisky
c) Roubou dinheiro da caixa
d) É o vencedor do maior prémio de sempre de um concurso televisivo
A resposta certa é a alínea d).
Ram foi preso por responder correctamente às doze perguntas do concurso televisivo Quem Quer Ser Bilionário?.
Porque um pobre órfão que nunca leu um jornal ou foi à escola não pode saber qual é o mais pequeno planeta do sistema solar ou o título das peças de Shakespeare. A não ser que tenha feito batota.
Mas a verdade é que foi a própria vida a fornecer-lhe as respostas certas às dozes perguntas cruciais. Desde o dia em que foi descoberto num caixote do lixo que Ram revela instintos de sobrevivência infalíveis e aparatosamente criativos. Espantando uma audiência de milhões, serve-se dos seus conhecimentos de rua para arranjar respostas não só para o concurso televisivo mas também para a própria vida.
Na história do jovem Ram concentra-se toda a comédia, a tragédia, a alegria e a amargura da Índia moderna. 

Opinião: Apesar de ter sido publicado originalmente em 2000, foi com a adaptação cinematográfica de 2008 que o livro Quem Quer Ser Bilionário? chegou ao conhecimento de muitos leitores, inclusive eu. Tenho adiado a visualização do filme em parte porque queria ler o livro primeiro, e agora finalmente estou “livre” para o ver.

Ram Mohammad Thomas é um jovem que concorre ao Quem Quer Ser Milionário? indiano, cujo prémio maior é um bilião de rupias e que Ram consegue vencer. O início da história mostra-nos Ram em maus lençóis, tendo sido preso após suspeitas de batota no concurso. É aí que intervém Smita, uma advogada que decide salvar Ram da sua complicada situação, tentando provar que o jovem é inocente. Mas antes Ram terá de contar a Smita a sua história, e explicar como conseguiu responder a todas as perguntas do concurso.

Assim, em cada um dos capítulos do livro, o autor explora um episódio da vida de Ram que explica a resposta certa a cada uma das perguntas. Os episódios são ordenados de acordo com as perguntas do concurso e não tendo em conta a sua ordem cronológica; o leitor vai assim preenchendo aos poucos as lacunas da vida de Ram enquanto percebe como um rapaz pobre e humilde tinha os conhecimentos suficientes para responder certo a tudo.

E a história da vida de Ram está cheia de drama e tragédia: violência, homicídios, roubos, prostituição, etc. Mas também está repleta de amizade, força de vontade e esperança. E se é verdade que o início do livro me entusiasmou, na parte final esse entusiasmo esmoreceu um pouco. Desinteressei-me um pouco de alguns episódios da vida de Ram e a enorme quantidade de personagens que nos são apresentadas não permitiram, acho, que fossem particularmente bem desenvolvidas – talvez com exceção de Ram. E digo talvez porque tive algumas dificuldades em conciliar a sua natureza pobre e inocente com a inteligência que demonstrou no concurso, ainda que a fonte desse saber seja demonstrada pelo autor. Achei o extremo de sorte que ele teve com as perguntas que lhe calharam um pouco inverosímil. O final da história também não me impressionou por aí além, apesar de admitir que foi algo inesperado. Gostei, contudo, das reflexões que este livro traz no que respeita à importância do dinheiro para a felicidade do ser humano. 

Para resumir, acho o enredo original e com muito potencial. O seu desenvolvimento nem sempre me cativou, e por isso foi uma leitura que só me entusiasmou a espaços mas que, de um modo geral, me agradou.

Classificação: 3/5 – Gostei


Sobre Célia

  • Gostaste bem mais que eu. Felizmente eu ofereci o meu a alguém que o apreciou bem mais e é sempre bom saber que encontrou um bom lar.
    Foi um daqueles casos excepcionais em que achei que o filme ultrapassa bastante o livro em que se inspirou.

    • Célia

      Tenho mesmo de ver o filme 😉

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