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[Opinião] Persuasão, de Jane Austen

imagem10050Autor: Jane Austen
Título Original: Persuasion (1817)
Editora: Europa-América
Páginas: 176
ISBN: 9789721041790
Tradutor: Isabel Sequeira
Origem: Comprado

Sinopse: Anne Elliot não é uma rapariga presunçosa, mas uma jovem fina e educada, com grande profundidade de sentimentos e uma inabalável integridade, que leva uma vida curiosamente semelhante à de Cinderela, com um pai ridículo e uma irmã autoritária.

À medida que a história se desenrola, Anne consegue libertar-se da autoridade da família através de relações de amizade com mulheres de temperamento forte e consegue a realização pessoal neste romance em que os homens e as mulheres são apresentados em pé de igualdade sob o ponto de vista moral.

  

Opinião: Persuasão, de Jane Austen, foi o segundo livro mais votado do Vocês escolhem de outubro e, tal como prometido, aqui está a minha opinião. Já tinha lido desta autora clássica Orgulho e Preconceito e Sensibilidade e Bom Senso; gostei de ambos, em particular do primeiro, mas estas leituras já foram feitas há anos e por isso tinha alguma expectativa com este livro, de que a White Lady tanto gosta, o que aumentou ainda mais a minha curiosidade. A edição que tenho – uma de bolso da Europa-América, que saiu há uns anos com o DN – é quase ilegível de tão pequena é a fonte. Logo na primeira página percebi que não ia conseguir ler no meu exemplar e fui em busca do e-book, que felizmente consegui encontrar com a mesma tradução.

A protagonista, Anne Elliot, é a segunda filha de um baronete em dificuldades financeiras, que por isso se vê obrigado a alugar a sua casa de família e a retirar-se para uma casa mais modesta. Apesar disso, Sir Walter Elliot faz-se valer do seu título nobiliárquico para se manter relevante – ou, pelo menos, achar que se assim se mantém. Anne é uma mulher de quase 30 anos, inteligente, bonita e sensata, a quem, apesar das suas virtudes, a família pouco dá ouvidos. Tal como a sua existência é praticamente ignorada, já poucos se lembram do noivado de Anne com o comandante Wentworth, quando tinha 19 anos, e que se viu obrigada a terminar por ter sido persuadida que, na época, Frederick Wentworth não era pretendente à sua altura. A casa da família é alugada ao almirante Croft, cuja esposa é irmã de Frederick – e este é o mote do regresso do comandante à vida de Anne e ao desenterrar de sentimentos passados.

À boa maneira de Jane Austen, apesar de se centrar numa história de amor, o livro é bem mais do que isso. É um retrato da sociedade inglesa do início do século XIX, da importância dos títulos nobiliárquicos e do estatuto social para a vivência diária, e o dia-a-dia cheio de visitas, jantares e eventos. O livro foca também a dicotomia entre as famílias nobres, que lutavam pela manutenção do seu prestígio pelo nome, e os novos-ricos, que ganhavam renome devido à fortuna que conseguiam alcançar. Tal como nos livros anteriores que tinha lido da autora, há aqui também mal-entendidos, pessoas que são mais ou menos do que aparentavam e um final feliz, que é o desenlace esperado e desejado pelo leitor. 

Pessoalmente, não me senti tão fascinada por este livro como por Orgulho e Preconceito; acho que qualquer livro da Jane Austen que leia vai ser sempre comparado com a sua obra mais conhecida e ainda não li nenhum que o suplantasse na minha consideração. Contém uma história de amor bonita, um amor que soube esperar pela maturidade de ambos, deixando de lado os ímpetos da juventude. A “persuasão” presente no título alude à influência que a opinião de terceiros tem nas decisões que tomamos, e foca a importância de percebermos isso e pensarmos com a nossa cabeça. Mas houve momentos que me aborreceram um bocado, ora porque não senti que contribuíssem muito para o avançar da história, ora porque estava curiosa por saber como avançava o enredo central e estava pouco interessada em saber das personagens secundárias.

Em jeito de conclusão, gostei de voltar a Jane Austen. Este livro tem uma bonita história de amor e a crítica social típica dos livros da autora, mas pessoalmente faltou algo que a tornasse uma leitura arrebatadora. Ainda assim, fico curiosa para ver pelo menos uma das adaptações de que esta obra já foi alvo.

Classificação: 3/5 – Gostei 


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.