Home / 3/5 / [Opinião] O Lado Selvagem, de Jon Krakauer

[Opinião] O Lado Selvagem, de Jon Krakauer

6330947Autor: Jon Krakauer
Título Original: Into the Wild (1996)
Editora: Editorial Presença
Páginas: 224
ISBN: 9789722338714
Tradutor: Maria Helena Palma
Origem: Comprado

Sinopse: Baseado no caso real de Christopher McCandless, um jovem de vinte e dois anos que, ao terminar a faculdade, doou todo o seu dinheiro a uma instituição de caridade, mudou de identidade e partiu em busca de uma experiência genuína que transcendesse o materialismo do quotidiano, O Lado Selvagem. Começando a sua viagem pelo Oeste americano, Christopher dá igualmente início a uma aventura que mais tarde viria a encher as páginas dos jornais e que termina com a sua morte no Alasca. Uma morte misteriosa? Acidental ou propositada? Um livro comovente que cativa o leitor pela forma como é retratada a força indomável de um espírito rebelde e lírico.

Opinião: Mais um livro que andava perdido aqui por casa que li por causa dos meus desafios de leitura. Sabia vagamente do que tratava por causa do filme de 2007, que ainda não vi mas do qual conheço muito bem a banda sonora, da autoria de Eddie Vedder.

O Lado Selvagem é o relato das aventuras do jovem norte-americano Chris McCandless, que em 1992 viu a sua história ganhar fama após a reportagem de Jon Krakauer, que saiu na revista Outside. McCandless apareceu morto num autocarro abandonado numa floresta do Alasca e a história e os motivos que o levaram a este final são o mote para o livro, que aparece na sequência da referida reportagem e das reações antagónicas que provocou.

Assim, num registo biográfico, Jon Krakauer recorre a familiares e amigos de Chris McCandless, bem como às pessoas que foi encontrando no caminho, para mapear a sua história, em especial nos dois anos que se seguiram a terminar a universidade e a cortar laços com a família para se fazer à estrada e viver uma vida independente, frugal e solitária. O autor aproveita ainda para falar sobre outros indivíduos que se aventuraram nos meios selvagens, com toda a espécie de resultados, incluindo ele próprio. 

É notória a identificação do autor do livro com Chris McCandless, na procura para um sentido da vida e da paz consigo próprio. Isso não impede, contudo, que Jon Krakauer seja relativamente imparcial na sua avaliação psicológica de McCandless e resista um pouco ao seu endeusamento. O relato não é cronológico: vai antes saltitando no tempo de acordo com uma lógica que não cheguei a perceber e que, por vezes, torna a leitura algo confusa.

Terminei o livro sem perceber muito bem o que Chris McCandless procurava. A isto não é certamente alheio o facto de que o jovem tinha ideais e objetivos de vida com os quais não me identifico de todo. Ao início, dei por mim a admirar a sua coragem de tentar sobreviver na floresta com muito poucos recursos e o seu desapego aos bens materiais, mas não demorei muito a perceber que não conseguia gostar dele. Do que nos é relatado no livro, Chris passa a imagem de um miúdo com problemas, provavelmente bipolar, mas que renega a família e não tem quaisquer problemas em partir e abandonar aqueles que o amam, pondo a sua vida em risco de forma quase inocente, sem se preocupar com quem poderia sofrer com isso. A isto chamo eu de egoísmo. Mas nunca teremos todos os factos e, por isso, não me sinto muito confortável em fazer este tipo de avaliações de carácter.

Não é um livro fácil de classificar. Penso que poderá dizer bastante a pessoas mais jovens, com um determinado tipo de ideais bem vincados. Pessoalmente, achei a história apenas interessante, mas não particularmente inspiradora ou sequer heróica. Contudo, é um livro bem escrito e que merece uma oportunidade, quanto mais não seja para tomarmos contacto com realidades diferentes das nossas.

Classificação: 3/5 – Gostei


Sobre Célia