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[Opinião] O Erro da Rainha, de Diane Haeger

9986905Autor: Diane Haeger
Título Original: The Queen’s Mistake (2009)
Série: In the Court of Henry VIII #2
Editora: Planeta
Páginas: 344
ISBN: 9789896571108
Tradutor: Inês Castro
Origem: Comprado

Sinopse: Como quinta rainha de Henrique VIII, Catarina Howard não estava preparada para o que o futuro lhe reservava…
Quando a jovem e bela Catarina Howard se converte na quinta mulher de Henrique VIII, na época com 50 anos, este parece ter alcançado a plena satisfação. O reinado da futura rainha está, contudo, destinado a ser breve e doloroso, pois é forçada a lutar com inimigos muito mais poderosos e calculistas do que previra, numa corte onde qualquer movimento errado pode significar a sua desgraça. Querendo apenas amor, , Catarina é compelida a negar os desejos do seu coração a favor da ambição da família. Mas, ao fazê-lo, oferece involuntariamente aos que procuram derrubá-la uma arma muito eficaz: o seu próprio passado romântico.
O Erro da Rainha é uma narrativa trágica de uma mulher apaixonada e idealista que se esforça por lidar com as intrigas da corte e com os anseios do seu coração.

Opinião: Não lia um romance histórico há imenso tempo e só agora percebi que já estava com saudades. A perspetiva de ler sobre a época dos Tudors e a corte de Henrique VIII é sempre entusiasmante, porque toda a vida deste rei, a nível pessoal é político, é fértil em episódios propícios a servir de tema central a livros interessantes.

Um pequeno aparte antes de prosseguir com a opinião: sei que é comum traduzir-se para português nomes de reis e rainhas (apesar de pessoalmente não gostar), mas é só a mim que faz confusão ver numa mesma frase “Ana de Clèves” e “Anne Bassett”? Sei que uma foi rainha, a outra não, mas como leitora não é algo que me pareça fazer muito sentido. Adiante.

O Erro da Rainha foca-se em Catarina Howard, a quinta mulher do rei, uma das duas que foram mandadas para o cadafalso pelo próprio marido, depois da sua prima Ana Bolena. O livro foca-se no período imediatamente anterior à ida de Catarina para a corte, quando Ana de Clèves ainda era rainha, até que Catarina foi mandada decapitar por adultério. Ainda em Horsham, uma localidade campestre apesar da relativa proximidade de Londres, Catarina vive sob os cuidados da Duquesa de Norfolk, uma mulher que havia casado com o avô de Catarina, Thomas Howard. A Duquesa não dava muita atenção às atividades de Catarina, que, aborrecida pela falta de acontecimentos no campo, encontrava o seu escape em atividades sexuais ilícitas. Aos 17 anos, o tio de Catarina, Duque de Norfolk, consegue um lugar para ela como aia da rainha Ana de Clèves, e a jovem não demorou a chamar a atenção do rei.

O livro prossegue, narrando os romances de Catarina na corte, especialmente com o gentil-homem do rei, Thomas Culpeper, relação que ficou condenada a partir do momento em que se tornou evidente que Henrique VIII desejava divorciar-se de Ana de Clèves e casar com Catarina. Apenas no último terço do livro Catarina se torna rainha, e rapidamente chegamos às acusações de adultério que desencadearam a sua morte com apenas 19 anos.

Pareceu-me um livro bastante competente a nível de fidelidade aos acontecimentos históricos e bem documentado. Henrique VIII destaca-se como a personagem mais bem caracterizada, com a sua comprovada personalidade irascível, que alternava com momentos de sensibilidade. O rei ganhou vida nas páginas e pareceu-me realmente assustador e perigoso. Os relatos quanto à personalidade de Catarina são menos fiáveis, apesar de se dizer que era uma jovem risonha e com muita vivacidade, mas algo fútil. Pessoalmente, o retrato que Diane Haeger faz de Catarina não me cativou. Pareceu-me que a autora tenta justificar a promiscuidade da jovem (que seria completamente irrelevante nos dias de hoje), tenta criar uma grande história de amor entre ela e Culpeper, cheia de sofrimento por Catarina se encontrar casada com o rei, mas a mim pessoalmente não me convenceu. O sentimento ficou apenas nas páginas.

Achei-o um livro certinho, interessante a nível histórico, bem escrito, mas a que faltou a chama das personagens cativantes, com as quais me pudesse identificar a nível pessoal.

Classificação: 3/5 – Gostei


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