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[Opinião] A Voz, de Anne Bishop

A VozAutor: Anne Bishop
Título Original: The Voice (2012)
Série: Efémera #0.5
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 98
ISBN: 9789896374921
Tradutor: Luís Coimbra
Origem: Comprado

Sinopse: Numa aldeia vizinha da cidade de Visão ninguém conhece o sabor da mágoa e da angústia, mas essa comunidade, aparentemente idílica, esconde um segredo tenebroso. Quando era pequena, Nalah não percebia porque a mandavam levar um bolo à menina muda a quem chamavam «A Voz» sempre que se sentia mal. Sabia apenas que isso a ajudava a melhorar. Já crescida, desvenda esse mistério e anseia por fugir da aldeia opressiva onde sempre viveu. Só depois de visitar a cidade de Visão e de conhecer o Templo das Mágoas, compreende o que tem de fazer para se libertar…

Opinião: A Voz é uma novela da escritora Anne Bishop, decorrida no mundo Efémera (o mesmo de que Sebastian e Belladonna) e que funciona como prequela ao recém-publicado Ponte de Sonhos, que ainda não li.

Numa aldeia do mundo Efémera, sempre que alguém se sente angustiado com a vida ou com algum acontecimento do dia-a-dia, confeciona um bolo azedo e leva-o a uma mulher conhecida por “A Voz”, por ironicamente ser muda. A jovem come esses bolos, engole a angústia de quem o fez e, por magia, a pessoa fica de imediato mais aliviada. Só que “A Voz” não escolheu esta função, antes é obrigada a desempenhá-la, contra a sua vontade. Quando Nalah, a narradora da história, percebe isto ainda em criança, fica ciente da injustiça que decorre na sua aldeia e com vontade de mudar o rumo dos acontecimentos.

Gostei desta história, apesar de não ter adorado. Permite importantes reflexões quanto ao abuso físico e psicológico e quanto ao fazer-se aquilo em que se acredita, ainda que vá contra o socialmente aceite. Penso que a autora fez um bom trabalho em introduzir elementos negros na história (por vezes chegam mesmo a ser desconfortáveis), como é seu costume. A personagem de que mais gostei foi da Voz, e por isso tive pena que não tivesse sido mais desenvolvida, mesmo tendo em conta que se trata de uma narrativa curta. E talvez porque a autora parta do princípio que quem lê esta narrativa já conheça o modo de funcionamento de Efémera, também não há grandes referência às pontes e a todas as outras peculiaridades deste mundo.

Uma nota final para a edição: é um livro pequeno, de tamanho bolso. Já descontando as páginas em branco (os capítulos começavam sempre na página direita), senti-me um bocado enganada quando reparei que das 128 páginas deste livrinho, as 30 finais são de um excerto de um outro livro, que nem sequer é da Anne Bishop. Fiquei por isso com a sensação que os 6€ e tal que paguei foram um bocado exagerados.

Classificação: 3/5 – Gostei


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.