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[Opinião] O Rapaz do Pijama às Riscas, de John Boyne

12800841Autor: John Boyne
Título Original: The Boy in the Striped Pyjamas (2006)
Editora: BIS
Páginas: 186
ISBN: 9789896600839
Tradutor: Cecília Faria e Olívia Santos
Origem: Comprado

Sinopse: Uma história de inocência num mundo de ignorância.

Bruno, de nove anos, nada sabe sobre a Solução Final e o Holocausto. Não tem consciência das terríveis crueldades que são infligidas pelo seu país a vários milhões de pessoas de outros países da Europa. Tudo o que ele sabe é que teve de se mudar de uma confortável mansão em Berlim para uma casa numa zona desértica, onde não há nada para fazer nem ninguém para brincar. Isto até ele conhecer Shmuel, um rapaz que vive do outro lado da vedação de arame que delimita a sua casa e que estranhamente, tal como todas as outras pessoas daquele lado, usa o que parece ser um pijama às riscas.

Opinião: Desde que foi publicado em Portugal, em 2008, que tinha curiosidade em ler este livro, especialmente por tocar num tema que me interessa, o Holocausto. Parecia-me ter uma premissa interessante, bastante diferente do inesquecível Se Isto É um Homem e mais próximo do fantástico A Rapariga que Roubava Livros, pela perspetiva infantil da narrativa. À partida, tinha tudo para ser outra leitura marcante, mas infelizmente não foi isso que aconteceu. Antes da opinião propriamente dita, quero avisar que a mesma contém alguns spoilers e que quem ainda não leu o livro e se importe muito com estas coisas deverá saltar para o último parágrafo. Não é meu costume fazê-lo, mas neste caso sinto essa necessidade de modo a explicar melhor o meu ponto de vista.

Bruno é um rapaz alemão de 9 anos que vê a sua vida subitamente alterada quando, por motivos profissionais, o seu pai é obrigado a sair de Berlim, levando a família com ele. O destino é Auschwitz, local conhecido por ter albergado o mais infame campo de concentração do Holocausto. A história é contada do ponto de vista de Bruno e retomo aqui a sintomática frase inicial da sinopse: “Uma história de inocência num mundo de ignorância“; é precisamente essa aura de inocência que o autor pretende transmitir ao contar esta história do ponto de vista de uma criança, preocupado apenas com as suas explorações e triste por ter de sair de Berlim e abandonar os seus amigos, para rumar a um sítio desconhecido. Apenas nas entrelinhas vamos percebendo o que se passa no “mundo dos adultos”.

Quando Bruno chega à casa ao lado do campo de concentração de Auschwitz, fica surpreendido pela presença de tantas pessoas com “pijamas às riscas” e com o avançar da narrativa percebemos que não faz a mais pálida ideia do sítio onde se encontra, do que lá se passa ou de quem são os tais “judeus”. Quando decide combater o aborrecimento de estar fechado em casa sem nada para fazer, vagueia junta à vedação do campo de concentração, onde encontra Shmuel, um menino da sua idade (ao dia), com quem se irá encontrar no ano que se segue, quase diariamente. E aqui chego ao que realmente me incomodou neste livro: não consegui acreditar na personagem principal. Não acreditei que fosse possível um rapaz de 9 anos, com o pai que tinha, viver na mais completa ignorância sobre a perseguição aos judeus. Não acreditei que ele conseguisse caminhar junta à vedação durante um ano inteiro sem ser visto, nem que ninguém o visse falar com Shmuel. Assim como me pareceu difícil, para não dizer impossível, que a vedação tivesse uma brecha, conhecida por Shmuel desde o início, e que ninguém tivesse tentado fugir por lá ou ainda que uma criança tão frágil tivesse sobrevivido um ano inteiro naquelas condições. E o final trágico, adivinhei-o assim que o autor arranjou uma desculpa para que Bruno ficasse sem cabelo (piolhos), aumentando as semelhanças com Shmuel e podendo assim passar despercebido no campo. E para além de todas estas situações improváveis, simplesmente não criei qualquer empatia com o miúdo. Chegou mesmo a irritar-me. Achei muito mais interessantes algumas personagens secundárias, como a criada Maria ou o judeu Pavel.

A minha sensação durante quase toda a leitura é que o autor me estava a tentar forçar a sentir uma coisa que eu não sentia. E o expoente máximo disso foi o final, que me pareceu estar ali só a bem do dramatismo da história. Resumindo, achei a premissa da história interessante, apesar de não ser inédita, gostei de algumas personagens secundárias e achei que a escrita teve alguns bons momentos. De resto, tudo me pareceu forçado, pouco verosímil e, de um modo geral, desinteressante. Foi uma leitura que não me ficará na memória.

Classificação: 2/5 – OK


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.