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[Opinião] Sozinhos na Ilha, de Tracey Garvis-Graves

17951452Autor: Tracey Garvis-Graves
Título Original: On the Island (2012)
Série: On the Island #1
Editora: ASA
Páginas: 352
ISBN: 9789892323596
Tradutor: Mário Dias Correia
Origem: Comprado

Sinopse: Uma ilha deserta plena de sol, vegetação luxuriante e mar cristalino é um cenário de sonho. Ou talvez não… Anna Emerson decide quebrar a sua rotina e deixar Chicago para dar aulas numa ilha tropical. Por seu lado, T. J. Callahan só quer voltar a ter uma vida normal após a sua luta contra o cancro. Mas os pais empurram-no para umas férias num destino exótico. Anna e T. J. estão a sobrevoar as ilhas das Maldivas a bordo de um pequeno avião quando o impensável acontece: o aparelho despenha-se no mar infestado de tubarões. Conseguem chegar a uma ilha deserta. Sãos e salvos, festejam e aguardam, convictos de que serão encontrados em breve. Ao início, preocupam-se apenas com a sobrevivência imediata e imaginam como será contar tamanha aventura aos amigos. Nunca a citadina Anna se imaginou a caçar para comer. T. J. dá por si a lutar com um tubarão e a ser acolhido por simpáticos golfinhos. Os dois jovens descobrem-se timidamente e exploram a ilha. Mas à medida que os dias se transformam em semanas, e depois em meses, as hipóteses de serem salvos são cada vez menores. Ambos têm sonhos por cumprir e vidas por retomar, e é cada vez mais difícil evitar a grande questão: conseguirão um dia sair daquela ilha?

Opinião: Se há premissa de uma história que me cativa são pessoas perdidas em ilhas. Não é por acaso que a minha série televisiva preferida de sempre é o Lost (apesar de preferir esquecer o final): fascina-me a ideia de subitamente o ser humano se ver privado de todas as comodidades do mundo atual e de ser levado ao limite em prol da sua sobrevivência. Não que desejasse propriamente ver-me nessa situação, note-se 😛 Assim que li a sinopse deste livro e algumas opiniões, decidi que ia lê-lo mais cedo ou mais tarde. Calhou ser mais cedo.

T.J., um jovem de 16 anos, está em remissão de um linfoma de Hodgkin e, para que consiga recuperar o tempo perdido na escola, os seus pais contratam Anna Emerson, uma professora de 30 anos, para lhe dar explicações enquanto a família passa férias nas Maldivas. As circunstâncias ditam que os dois façam a viagem sozinhos e já nas Maldivas o hidroavião em que seguiam despenha-se no meio do mar. Os dois conseguem nadar até uma das quase 1.200 ilhas que compõem o país insular e iniciam uma longa e difícil jornada pela sua sobrevivência. Sob a perspetiva dos dois protagonistas, em capítulos intercalados, vamos acompanhando a equipa que os dois formam para fazer face às suas necessidades básicas e aos perigos que da natureza. E, apesar da diferença de idades, os sentimentos que surgem entre os dois.

A escrita não tem adornos desnecessários, é simples, clara e direta. A autora não faz grandes divagações sobre a situação em que Anna e T.J. se encontram, antes limita-se a relatar o dia-a-dia de ambos, o evoluir da sua relação e a esperança que sempre os acompanha. Esta escrita pouco adornada acaba por se adequar, de certo modo, à situação que os protagonistas vivem e as páginas viram-se umas atrás das outras quase sem percebermos, porque queremos saber qual será o destino dos dois. No entanto, por vezes achei que o estilo conciso da autora não permitiu que tanto as personagens como as situações tivessem sido melhor desenvolvidas

Penso que é um livro despretensioso, que nunca almeja ser mais do que na verdade é. Consegue tornar a situação real aos olhos do leitor e, apesar de algumas ocasiões em que Anna e T.J. têm demasiada sorte para ser verdade, raramente achei que o que nos é relatado é pouco credível. Acreditei, de verdade, que aquelas duas pessoas estavam naquela ilha, privados de quase tudo, e que mesmo assim conseguiram arranjar formas de sobreviver física e psicologicamente. A parte final do livro foi o que menos gostei, pela previsibilidade e situações cliché. Ainda assim, foi uma leitura que me agradou. Teve o condão de me fazer voltar a conseguir ler um livro em dois dias e acho que isso não é dizer pouco. É uma história interessante, que consegue ser credível e que entretém, apesar de alguns pontos mais fracos. 

Classificação: 3/5 – Gostei


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.