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Sobre os livros traduzidos

Tuesday, June 4, 2013 Post de Célia

Sempre que posso, compro livros traduzidos. Infelizmente, cada vez menos portugueses têm possibilidade de dedicar parte do seu orçamento à compra de livros em português, porque não são propriamente baratos – se bem que o conceito de “barato” aplicado aos livros tem muito que se lhe diga, começando pelo conceito subjetivo da coisa. Mas isso são contas de outro rosário.

 

Gosto de ler livros em português. Para já, porque sou preguiçosa. Apesar de nos últimos tempos me ter dedicado a várias leituras em inglês, continuo a gostar de ler na minha língua materna, ainda que a grande maioria desses livros sejam traduções e não obras de autores de língua portuguesa. Depois, porque quero e felizmente posso apoiar as editoras portuguesas, em especial aquelas que já me deram a conhecer autores de que gosto muito. Às vezes – como no caso da Jacqueline Carey – compro as traduções mesmo depois de ter comprado e lido em inglês, com o desejo que esses autores sejam bem sucedidos no nosso país (coisa que neste caso parece não ter acontecido).

 

E porque gasto uma quantia considerável com aquisições de livros publicados por cá, sinto-me no direito de chamar a atenção quando apanho um livro que deixa muito a desejar em termos de tradução/revisão. De todos os livros traduzidos que li, a grande maioria tem uma ou outra gralha, em número aceitável. Outros têm traduções que, apesar de não terem gralhas, têm um texto que “soa mal”, com tradução literal de expressões ou construções frásicas duvidosas. Também apanhei uma minoria de edições impecáveis sem qualquer erro ou gralha e sempre que me lembrei referi isso nas opiniões que escrevi. O trabalho do tradutor é, acho, algo que o próprio deseja que não seja falado, porque quando o é normalmente não é para dizer bem.

 

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Vem isto tudo a propósito do livro que estou a ler atualmente, “Os Pilares do Mundo” da Anne Bishop. Entra diretamente para o lote dos piores livros que li em termos de tradução/revisão. Tem de tudo: palavras com falta de letras ou letras a mais, palavras trocadas (lembro-me em especial de um “trás” em vez de “traz” e de um “posso” em vez de “poço), verbos mal conjugados… e todo o tom da tradução que não me parece o certo, tendo em conta o que conheço da autora. Não sou perita em traduções, nem consigo apontar o dedo em concreto ao que me parece mal, mas – e é a minha opinião – não se conseguiu apanhar a voz da autora.

 

Já fiz chegar o meu descontentamento à editora, que me explicou que tiveram dificuldades com a tradução, que errar é humano, e pediram desculpas. Ok, e quem é que me devolve o prazer da leitura que perdi por causa de erros que não são da minha responsabilidade? A resposta da editora não me satisfaz, apesar de esperada. É que se estivéssemos a falar de um livro de 1€, como aqueles que comprei no outro dia da coleção Argonauta, sinceramente não me sentiria defraudada. Mas trata-se de um livro que me custou quase 18€,  já para não falar que entretanto também adquiri os outros dois da trilogia – e que arrependida estou.

 

Conclusão a retirar de tudo isto? Tentar apostar cada vez mais em ler na língua original em que os livros foram escritos. Até porque felizmente consigo ler bem em inglês. Poupa-se dinheiro e evitam-se chatices destas.


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7 Responses to “Sobre os livros traduzidos”

  1. Madrigal says:

    Cada vez mais este tipo de queixas aparecem em blogues de livros, não sei se será da crise ou das escolhas feitas pelas editoras o que é certo é que as más traduções estão a tornar-se a regra e não a excepção.
    Ler algo e não soar bem é até aceitável quando comparado com traduções onde se usam termos que em português não usamos ou ainda traduções literais que revelam que quem traduziu não conhece a sua própria língua.
    Há uns tempos lia num excerto algo como, eu vim em pessoa agradecer-lhe… Nós dizemos eu vim pessoalmente agradecer-lhe.
    Isto é grave, na minha opinião.

  2. WhiteLady3 says:

    Eu acabei de ler o Blade Runner mas custou, a tradução não era a melhor e chegaram a traduzir “noon” por “Lua”. *revira olhinhos* Eu entendo que haja traduções que dão trabalho, mas não têm brio no que mandam cá para fora? É que acaba por ser a imagem da editora que, a meu ver, fica manchada pois o tradutor acaba por ser um ilustre desconhecido. Da SdE a pior tradução que li foi a do primeiro livro do Assassin’s Creed. Aparentemente para além de ser um tradutor novo também tiveram problemas com prazos apertados, mas ainda assim publicar um trabalho que está mal feito é algo que se devia evitar. :/

  3. Rui Bastos says:

    É uma coisa que também me dá ânsias… Lembro-me que li o “Ter e não ter”, do Hemingway, e que não gostei nada, mas que fiquei a pensar “isto foi da tradução ranhosa…”.

    Ok, era uma edição do Continente, mas pronto :p Os Argonautas também têm umas falhas, mas custam 1 euro. De resto, é uma pena ver boas editoras, com livros de qualidade, e traduções horríveis…

    Graças a essas brincadeiras, cada vez leio mais em inglês.

  4. Landslide says:

    É uma vergonha, realmente. Pelo preço que cobram pelo livro, há um mínimo de qualidade que se espera. E é como dizes, é muito raro o livro traduzido que leio que não tem uma ou duas gralhas, o que considero desculpável, mas a situação que descreves devia dar direito a reembolso. No fundo, compraste um produto defeituoso e não ficaste satisfeita, portanto devias ser reembolsada!

    E concordo quando dizes que é bom sinal quando não damos pelo tradutor, é sinal que fez bem o seu trabalho. Mas lembro-me (e acho que referi na opinião) de ter achado que a tradutora do Alice no País das Maravilhas da Relógio d’Água tinha feito um trabalho fenomenal, pois conseguiu traduzir brilhantemente a voz do autor, o que não deve ter sido fácil…

  5. Alice says:

    Concordo plenamente com a teoria de que o tradutor até deve querer passar despercebido, quando se fala deles, regra geral, não é por boa razões. Concordo também com alguém (já não sei quem, desculpem) que, acima, dizia que as más traduções são cada vez mais a regra e menos a excepção. Parece que na ânsia de querer vender já não importa o que se vende. Muita vezes aquilo que se nota nem é a tradução menos boa, é o péssimo trabalho de revisão. É triste porque nem todos conseguem ler em inglês e as editoras parecem estar a perder o respeito pelo leitor ao mesmo tempo que se queixam de vender pouco e de que não se lê em Portugal. Se calhar, se não descurassem tanto o seu trabalho, mesmo apesar da crise, as vendas não baixavam tanto. Quem tem oportunidade, compra mais barato e em inglês que, a não ser que a língua original do autor seja outra, não leva com péssimas traduções a preço de ouro.

    Quanto ao livro da Bishop em especifico… Bem, já comentámos o caso no GR e até te disse o que me dei ao trabalho de fazer. Nos outros livros da trilogia a coisa não está tão mal mas… enfim!!

    Bjs e boas leituras

  6. Cat SaDiablo says:

    Um dos raros casos em que uma tradução me conseguiu arruinar completamente a leitura de uma das minhas autoras favoritas, e isso é o pior que uma tradução pode fazer.

  7. Também gosto de ler em Português e não me importo de ler traduções. Ninguém gosta é de gastar quase 20€ por cada livro e chegar à conclusão que a qualidade da tradução está muito longe daquilo que seria aceitável. Ainda continuo a comprar traduções mas confesso que já o faço com muito menos regularidade e com muito mais desconfiança, o que é lamentável.


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