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Sobre os livros traduzidos

Sempre que posso, compro livros traduzidos. Infelizmente, cada vez menos portugueses têm possibilidade de dedicar parte do seu orçamento à compra de livros em português, porque não são propriamente baratos – se bem que o conceito de “barato” aplicado aos livros tem muito que se lhe diga, começando pelo conceito subjetivo da coisa. Mas isso são contas de outro rosário.

 

Gosto de ler livros em português. Para já, porque sou preguiçosa. Apesar de nos últimos tempos me ter dedicado a várias leituras em inglês, continuo a gostar de ler na minha língua materna, ainda que a grande maioria desses livros sejam traduções e não obras de autores de língua portuguesa. Depois, porque quero e felizmente posso apoiar as editoras portuguesas, em especial aquelas que já me deram a conhecer autores de que gosto muito. Às vezes – como no caso da Jacqueline Carey – compro as traduções mesmo depois de ter comprado e lido em inglês, com o desejo que esses autores sejam bem sucedidos no nosso país (coisa que neste caso parece não ter acontecido).

 

E porque gasto uma quantia considerável com aquisições de livros publicados por cá, sinto-me no direito de chamar a atenção quando apanho um livro que deixa muito a desejar em termos de tradução/revisão. De todos os livros traduzidos que li, a grande maioria tem uma ou outra gralha, em número aceitável. Outros têm traduções que, apesar de não terem gralhas, têm um texto que “soa mal”, com tradução literal de expressões ou construções frásicas duvidosas. Também apanhei uma minoria de edições impecáveis sem qualquer erro ou gralha e sempre que me lembrei referi isso nas opiniões que escrevi. O trabalho do tradutor é, acho, algo que o próprio deseja que não seja falado, porque quando o é normalmente não é para dizer bem.

 

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Vem isto tudo a propósito do livro que estou a ler atualmente, “Os Pilares do Mundo” da Anne Bishop. Entra diretamente para o lote dos piores livros que li em termos de tradução/revisão. Tem de tudo: palavras com falta de letras ou letras a mais, palavras trocadas (lembro-me em especial de um “trás” em vez de “traz” e de um “posso” em vez de “poço), verbos mal conjugados… e todo o tom da tradução que não me parece o certo, tendo em conta o que conheço da autora. Não sou perita em traduções, nem consigo apontar o dedo em concreto ao que me parece mal, mas – e é a minha opinião – não se conseguiu apanhar a voz da autora.

 

Já fiz chegar o meu descontentamento à editora, que me explicou que tiveram dificuldades com a tradução, que errar é humano, e pediram desculpas. Ok, e quem é que me devolve o prazer da leitura que perdi por causa de erros que não são da minha responsabilidade? A resposta da editora não me satisfaz, apesar de esperada. É que se estivéssemos a falar de um livro de 1€, como aqueles que comprei no outro dia da coleção Argonauta, sinceramente não me sentiria defraudada. Mas trata-se de um livro que me custou quase 18€,  já para não falar que entretanto também adquiri os outros dois da trilogia – e que arrependida estou.

 

Conclusão a retirar de tudo isto? Tentar apostar cada vez mais em ler na língua original em que os livros foram escritos. Até porque felizmente consigo ler bem em inglês. Poupa-se dinheiro e evitam-se chatices destas.


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.