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[Opinião] Os Pilares do Mundo, de Anne Bishop

12877935Autor: Anne Bishop
Título Original: The Pillars of the World (2001)
Série: A Casa de Gaian #1
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 369
ISBN: 9789896373856
Tradutor: Luís Coimbra
Origem: Comprado

Sinopse: Ari, a última descendente de uma longa linhagem de bruxas, pressente que o mundo está a mudar… e está a mudar para pior. Há várias gerações que ela e outras como ela zelam pelos Lugares Antigos, assegurando-se de que o território se mantém seguro e os solos férteis. 

No entanto, com a chegada da primeira Lua Cheia do Verão, as relações com os seus vizinhos azedam-se. Ari já não está segura. Há muito que o povo Fae ignora o que se passa no mundo dos mortais. Só o visitam, através das suas estradas misteriosas, quando desejam recrear-se. Agora esses caminhos desaparecem a pouco e pouco, deixando os clãs Fae isolados e desamparados. Onde sempre reinara a harmonia entre o universo espiritual e a natureza, soam agora avisos dissonantes nos ouvidos dos Fae e dos mortais. Quando se espalham nas povoações boatos sobre o começo de uma caça às bruxas, há quem se interrogue se os diversos presságios não serão notas diferentes de uma mesma cantiga. A única informação que têm para os nortear é uma alusão passageira aos chamados Pilares do Mundo…

Opinião: Anne Bishop: uma daquelas autoras de quem já li vários livros e que me fez sempre passar um bom bocado imersa nas suas histórias. Apesar de ainda ter por ler os dois últimos livros da série “Jóias Negras”, decidi começar esta nova trilogia incentivada pelo desafio Monthly Key Word (apesar de ser o livro de Maio e já estarmos em Junho). Não vou voltar a abordar o tópico da tradução/revisão, porque tudo o que queria dizer já disse aqui. Vamos então à história propriamente dita.

O enredo de Os Pilares do Mundo tem lugar no mundo ficcional de Tir Allain, local onde moram os Fae, e nos territórios contíguos habitados por mortais. Os dois mundos estão ligados por várias estradas, que no início da história estão misteriosamente a desaparecer, levando com elas os territórios Fae a que estavam ligados. Dianna e Lucian, soberanos dos Fae, e sua corte, têm apenas uma pista alusiva aos “pilares do mundo”, que explica o fenómeno, mas que não conseguem desvendar. Entretanto, no mundo dos mortais, a jovem Ari vive sozinha num dos Lugares Antigos (locais com estradas para Tir Allain), e tem de lidar com a herança que a mãe e a avó lhe deixaram, ser bruxa. A seu tempo, Ari vai cruzar-se com os Fae, e estes contactos revelam-se decisivos para o desvendar do mistério das estradas desaparecidas. Ao mesmo tempo, Adolfo, o Inquisidor-Mor, alimentado pelo seu ódio às bruxas, leva a cabo uma caça que tem como objetivo fazê-las desaparecer todas. 

No que respeita a este novo mundo imaginário, gostei da premissa, como aliás normalmente gosto dos mundos criados por esta autora. Não é nada de muito original, especialmente para quem já leu as séries “Jóias Negras” ou “Efémera”, mas ainda assim gostei de algumas particularidades e da forma como são descritas as relações entre os Fae e os humanos, com destaque para a sobranceria dos primeiros. De início, achei a leitura cativante, mas com o avançar das páginas comecei a arrastá-la – demorei 3 semanas a terminar, e no final já só lia porque queria mesmo terminar o livro. Isto deveu-se a vários fatores: em primeiro lugar, o desinteresse geral que tive pelas personagens, com exceção da Ceifeira Morag. Não as achei cativantes, como outras personagens da autora, e tanto me dava se viviam ou morriam. Quase nunca achei convincentes os relacionamentos pessoais entre elas e raramente achei os diálogos mais do que banais. A exceção foi, como já disse, Morag, uma Serva da Morte que tem como missão recolher as almas dos mortos. Achei-a uma personagem bem escrita, com dilemas pessoais interessantes. Já o mau da fita, Adolfo, é pouco mais do que isso: o mau da fita. Apesar de a autora se ter preocupado em dar-lhe o devido contexto, para explicar os seus ódios pessoais, acaba por ser uma personagem muito a preto e branco. E sinceramente achei o enredo previsível. A autora não deixou muito tempo o “mistério” no ar, o que tirou piada à história. E claro, a tradução/revisão também não ajudaram a que gostasse mais da história. 

Resumindo: não fiquei impressionada. Tendo lido já vários livros da autora, senti falta das suas personagens cativantes, do seu sentido de humor, dos diálogos de partir o coração ou de fazer ir às lágrimas de riso, e das relações bem escritas e desenvolvidas entre as personagens. Penso que este mundo ficcional tem potencial, mas sinceramente não me pareceu, por este primeiro livro, especialmente bem desenvolvido. Vou dar o benefício da dúvida e ler os volumes seguintes.

Classificação: 2/5 – OK


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.