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[Opinião] Clarkesworld #2 (Novembro 2006)

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E aqui está o segundo número da Clarkesworld. Tem dois contos, tal como o primeiro, apesar de, de acordo com o meu gosto pessoal, as ter achado mais desequilibradas em termos de interesse que me suscitaram.
A capa é da autoria de Wojtek Pater.

 

The Moby Clitoris of His Beloved”, Ian Watson e Roberto Quaglia

O conto tem como protagonista Yukio, um japonês cujo principal objetivo de vida é provar sashimi de clítoris de baleia, considerado no Japão que os autores nos apresentam uma iguaria sem igual, parte da tradição do país. Toda a apanha da iguaria é apresentada como uma coisa sensual, em que belas mulheres vestidas com trajes transparentes – as mergulhadoras ama – participam no ritual que permite que os mais ricos possam saborear o sashimi. O seu desejo de o provar leva Yukio a arranjar vários esquemas para conseguir enriquecer, incluindo seduzir uma ama para que lhe possa arranjar sashimis contrabandeados. Mais tarde, tenta montar um negócio que envolve clítoris clonados e outras ideias que parecem demasiado bizarras e mesmo nojentas.

Quando acabei de ler este conto, a primeira coisa que pensei foi “Mas que raio foi isto que acabei de ler?”. E então, após alguma pesquisa, percebi que esta história se insere na chamada “Bizarro fiction”, que combina elementos de absurdo, sátira e grotesco. E isto é completamente fora da minha zona de conforto ou sequer do que costumo ler. Até acho positivo fugir de vez em quando “à nossa praia”, mas para ser franca, não gostei. Achei tudo muito descabido e surreal e não consegui perceber qual o objetivo da história. – 1/5

 

Lydia’s Body”, Vylar Kaftan

Amanda Barnes, uma jovem de 26 anos que vive no século XXI, vê-se subitamente no corpo de uma adolescente, Lydia, que vive com o seu pai viúvo numa cabana isolada, no Wisconsin de 1838. Na altura em que o conto tem início, Amanda já vive nesta situação há perto de 2 anos, e lamenta-se por não fazer ideia de como reverter o “feitiço”. Apesar de tudo, Amanda adapta-se à vida do dia-a-dia, tratando da casa e das refeições para o seu “pai”, que na verdade é um homem de 33 anos, pouco mais velho que ela, e por quem se sente atraída.

Gostei bastante deste conto, por vários motivos: a autora consegue, num texto curto, fazer uma caracterização psicológica profunda e interessante da sua personagem principal; a premissa da história é intrigante; o final é perturbador. Ficou apenas o desejo de ver o confronto psicológico entre Amanda e Lydia mais aprofundado, porque de resto é uma história muito bem conseguida. – 4/5


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.