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Clarkesworld #1 (Outubro 2006)

cw_01_350A Clarkesword é uma revista mensal dedicada à fantasia e à ficção científica, que vem sendo publicada desde Outubro de 2006. Vários dos seus contos foram galardoados com prémios Hugo e Nebula e está disponível online, grátis. Decidi começar pelo início: o primeiro número tem apenas dois contos e uma capa muito gira, da autoria de Tomasz Pietrzyk. 

 

A Light in Troy”, Sarah Monette

História sobre uma escrava numa fortaleza conquistada há poucos anos por um povo a que ela chama “locusts”. O processo de conquista trouxe muitas perdas a esta mulher, incluindo o seu marido e filho. Apesar disso, e por ser letrada, a mulher conseguiu um emprego na biblioteca da fortaleza, onde trabalha calmamente com um bibliotecário cego.  

Em passeios pela praia perto da fortaleza, pensa muitas vezes pôr termo à sua vida, por já não ter nada nem ninguém a que se agarrar. É num desses passeios que encontra uma criança selvagem, quase um animal, que vive numa das grutas da praia com uma matilha de cães. E, a partir daí, desenvolve com ele uma relação de amizade, reforçada pelo vazio que a perda do seu filho deixou. A seu tempo, esta relação conta com mais um elemento, com a inclusão do bibliotecário.

O conto não apresenta grande desenvolvimento a nível de contexto, tendo a autora optado por se focar mais nos dilemas pessoais da personagem principal. Não detetei elementos fantásticos/ficção científica, antes me pareceu mais ficção histórica, quiçá passada em Tróia, como o título dá a entender. A história acaba por se centrar no tema dos marginalizados pela (in)diferença e no conforto que muitas vezes encontram uns nos outros, bem como na capacidade do ser humano para encontrar motivos que o permitem continuar a viver no meio de um mundo aparentemente desesperançado.

Já há algum tempo que tenho a série “Doctrine of Labyrinths” desta autora na minha wishlist e por isso li o conto com bastante curiosidade. Gostei da escrita, apesar de ter achado a história muito pouco desenvolvida, mesmo tendo em conta que se trata de um conto, e de pessoalmente os dilemas da escrava não me terem dito grande coisa. 2/5

 

304 Adolph Hitler Strasse”, Lavie Tidhar

Um dia, dois homens batem à porta de Hanzi Himmler, um jovem alemão de 17 anos que vive num mundo em que os Nazis saíram vitoriosos da Segunda Guerra Mundial. Hanzi não resiste e vai com eles de livre vontade. E é então que o leitor fica a par dos acontecimentos que originaram este desenlace.

Nesta história alternativa a informação sobre os Judeus é escassa, e existem em pouco mais sítios do que na pornografia ilegal que é escrita e divulgada numa espécie de Internet. Hanzi apanha o seu avô com uma prostituta em jogos sado-masoquistas que envolvem Judeus e quase de imediato se sente fascinado com este povo desaparecido, o que o leva a adotar um pseudónimo e a escrever ele próprio as suas histórias.

Achei um conto bem escrito, com uma estrutura bem conseguida, mas que me deixou desconfortável. Talvez a intenção fosse precisamente essa, o recriar dos horrores do Holocausto e a vergonha que a Humanidade sente em relação à ocorrência de tais atrocidades. Fiquei curiosa por ler outros trabalhos do autor, em especial Osama. 3/5


Sobre Célia

Tenho 37 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.