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[Opinião] O Fiel Jardineiro, de John Le Carré

6386732Autor: John Le Carré
Título Original: The Constant Gardener (2000)
Editora: Booket
Páginas: 584
ISBN: 9780007182367
Tradutor: Helena Ramos e Artur Ramos
Origem: Comprado

Sinopse: O Fiel Jardineiro é a arrebatadora história de um homem enobrecido pela tragédia, e uma magnífica exploração do lado negro do capitalismo desenfreado escrita por um dos mais proeminentes e elegantes escritores do nosso tempo. Um dos melhores romances de John le Carré.

Opinião: Este livro era mais um dos que esperava há anos a sua vez para ser lido. Lembro-me que  comprei esta edição de bolso não muito tempo depois de ter estreado a adaptação cinematográfica, em 2005, mas por uma ou outra razão fui adiando a sua leitura. O desafio Monthly Keyword Challenge foi o mote para resgatar este livro, acerca do qual pouco sabia para além de ter contornos policiais.

“Contornos policiais” acaba por ser uma boa expressão para descrever o tipo de livro que “O Fiel Jardineiro” é. A história inicia-se com o assassinato de Tessa Quayle, esposa de um diplomata britânico a desempenhar funções no Quénia. Tessa era uma mulher empenhada em causas humanitárias, impulsiva, sem medo de dizer o que pensava e lutando pelo que acreditava. Desde o início do livro, tudo leva a crer que a sua morte se deveu a ter-se envolvido em demasia em assuntos que chocavam com interesses importantes de pessoas poderosas. E a verdade é que se no início a história tem um cariz policial relevante, incluindo inquéritos policiais, depressa o livro toma como principal tema a corrupção em África e os interesses das grandes empresas farmacêuticas.

E assim, o leitor acompanha Justin, o marido de Tessa, na busca pela verdade que custou a vida à sua mulher, mergulhando nos meandros dos jogos de interesse, políticos e não só, e na teoria – em que acredito – de que muita da investigação e comercialização de medicamentos atende em primeiro lugar a necessidades monetárias ao invés de ter como prioridade o tratamento das doenças e as vidas que se podem salvar.

Achei que este tema foi bem explorado, dando ao leitor várias perspetivas bem enquadradas na história, sem ser num tom informativo (à la José Rodrigues dos Santos). Mas desengane-se quem pensa que esta é uma leitura compulsiva, porque anda bem longe disso. Aborreceu-me mesmo por diversas vezes, sempre que a história não avançava e que lia partes que me pareceram irrelevantes para o seu desenrolar. Gostei da escrita, que me pareceu fazer bons retratos psicológicos das personagens do livro, o que não significa que as tenha achado particularmente interessantes. Na verdade, li esta história de forma desapaixonada, curiosa para saber o desenlace e com interesse no contexto, mas em última análise sem me preocupar verdadeiramente ou sequer gostar de algumas das suas personagens.

Em suma, gostei. Não foi uma leitura que me enchesse as medidas, mas teve vários pontos de interesse que me levam a ponderar outra tentativa com este autor. Também fiquei com curiosidade para ver o filme. Nota final negativa para esta edição: demasiadas gralhas e algumas expressões traduzidas de forma estranha (anotei um “Documentos que são preciosos para ambos nós”).

Classificação: 3/5 – Gostei


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.