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Intermitências (3)

Ando em processo de “destralhar” a minha casa. Chega de acumular coisas que não têm qualquer utilidade e que só servem para ocupar espaço precioso que devia ser destinado a coisas realmente úteis e importantes. Vai daí, cheguei aos livros. Tenho em casa cerca de 850 e sejamos realistas… dos que já li, quantos é que pretendo reler algum dia? Quantos é que quero manter comigo ao longo da vida? E dos que estão por ler, quantos é que foram adquiridos por impulso e deixaram de exercer sobre mim qualquer fascínio? Quando ponderei sobre estas questões, cheguei à conclusão que me quero ver livre de todos os livros que já não estão a fazer nada na minha vida. Tinha duas hipóteses: vender ou dar. A hipótese da venda foi seriamente considerada, até porque os livros em questão (mais de 100) renderiam certamente algumas centenas de euros. Mas depois pensei melhor e cheguei à conclusão que, para mim, os livros não são um negócio, são uma paixão. Paixão essa que tem sido partilhada com tantas pessoas fantásticas que fui conhecendo ao longo dos anos, precisamente por causa da leitura, e que agora merecem que, de certo modo, devolva essa partilha com aquilo que nos foi unindo e continua a unir. E pronto, o resultado foi este:

 

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Os meus livros vão ficar em boas mãos. Os que não foram para amigos serão doados à biblioteca que frequento. É uma separação que, ao contrário do que um dia supus, não me traz qualquer angústia. Pelo contrário, proporcionou-me uma sensação incrível de bem-estar. Poder fazer alguém feliz com gestos simples. Boas leituras!


Sobre Célia

  • Ó Deuses, tantos!! Obrigada Célia e é como tu dizes porque eu já dei livros meus e houve quem os apreciasse muito mais que eu e esse sentimento de partilha foi sem dúvida uma fonte de alegria. Obrigada!

    • Célia

      De nada 🙂

  • Cat SaDiablo

    Yey livrixos! \o/
    A sensação de oferecer livros a quem sabemos que gosta deles é sempre fantástica. Neste caso o sentimento de quem recebe é maior do que um livro 🙂
    Ainda bem que ficas contente com a “libertação”, é preciso um tipo especial de pessoa para partilhar assim 🙂

    • Célia

      Ui, agora corei 😀

  • Patxi

    Doar a outros booklovers é uma demonstração de amor.
    🙂

    • Célia

      Concordo, e é uma sensação incrível 😉

  • Tita

    Livrinhos *Squeeee*
    Obrigada Célia!!!
    Também deveria fazer o mesmo, pois suspeito que terei uns quantos livros que não os vou ler ou reler, mas por enquanto ainda me custa desfazer de livros.
    Obrigada!!

    • Célia

      Com o tempo vais lá 😉

  • Sandra

    Admiro-te pela tua atitude de partilha e compreendo-te perfeitamente quando dizes que não voltarás a pegar em alguns livros. Sinto o mesmo em relação a muitos dos meus livros, mas não consigo pensar em desfazer-me deles… Nem pensando na partilha e na possível alegria que poderia dar a outras pessoas, nem pensando na falta de espaço constante em minha casa, não há argumento que me faça separar deles…
    Voltamos a falar daqui a uns anos quando eu tiver de dormir na rua para que os livros possam ter espaço na minha casa, ok? 😉
    S.

    • Célia

      Eu já tenho pensado no assunto e acho que a aquisição do kindle foi, de certo modo, um ponto de viragem. Fez-me perceber que eu quero, acima de tudo, ler, sem ser estritamente necessário ter. Depois o minimalismo também é um conceito que me atrai, sem o levar ao extremo, e ir aplicando um ou outro princípio faz-me sentir melhor. Deixei de ser uma colecionadora de livros e passei a ser só leitora. Portanto, não me custa dar um destino diferente a livros que não amo e consigo arranjar espaço para inquilinos futuros 😉

  • Olá, Célia.

    Só queria dizer-te o quanto admiro esta atitude tua.

    Tens uma noção do tamanho da minha biblioteca, por isso de certeza que imaginas que também tenho por lá coisas que, talvez, nunca volte a ler. Mas o facto é que tenho uma relação estranha com os meus livros que não me deixa separar deles. São o meu santuário, têm sido muitas vezes a minha melhor companhia e mesmo daqueles de que não gostei assim tanto guardo as memórias do tempo em que os estava a ler. Quando chega um livro novo aqui a casa, é quase como receber um novo amigo. E a verdade é que não consigo pensar em separar-me dele, mais tarde. 🙂

    Por isso queria dizer-te, como viciada em livros que sou, que acho lindo este teu gesto. E que eu nunca teria a coragem de fazer o mesmo.

    Ah, e obrigada. 😉

    • Célia

      Compreendo perfeitamente o que dizes. Eu é que estou a ficar um bocado desapegada dos objetos materiais. Aquilo que os livros que dei tinham para me dar, já deram. Ficam algumas recordações, mas não preciso de os ter para me lembrar que os li – vivam as opiniões 😉

  • Não seria capaz de fazer o que tu fizeste e ainda bem! Li todos os livros que tenho e, se é certo que nem de todos gostei, todos eles representam qualquer coisa naquilo que sou. É-me muito complicados separar das minhas memórias e no que toca aos livros, creio mesmo ser impossível.
    Creio que tirando os livros técnicos que tenho e que uso constantemente no meu trabalho muito poucos serão aqueles que irei reler no futuro. No entanto, gosto da ideia de que a biblioteca que estou a construir (creio que será a obra de uma vida) há-de um dia servir a alguém, a um filho, a um neto, a um sobrinho, etc. É também por esse futuro que trabalho.
    Apesar de tudo compreendo quando afirmas que és hoje mais uma leitora do que uma bibliófila. Não há mal nenhum nisso mas a bibliofilia implica uma maior ligação ao objecto físico.

    Cumprimentos,

    • ler: é-me muito complicado separar-me e não é-me muito complicados separar…

      • Célia

        Filipe, também pensei que os livros que dei podiam um dia vir a ser úteis nomeadamente para o meu filho. Mas depois achei que o que aqui ficou chega e sobra para ele se iniciar na leitura, se assim o desejar, ganhar asas para outros voos e construir ele próprio a sua biblioteca pessoal 😉

  • Não tenho uma biblioteca tão extensa, mas já tinha doado alguns livros à biblioteca, principalmente porque tenho falta crónica de espaço e não tenho condições para manter uma biblioteca muito abastada cá em casa. Acho que é uma óptima solução e permite que outras pessoas, que não têm um orçamento tão grande para livros, tenham a oportunidade de ler estes livros que são doados às bibliotecas.

  • PFL

    Já passei por isso. É uma sensação óptima de desapego.
    Mas agora voltei à fase de ler, ler, ler e comparar depois. Seguir temáticas, re-descobrir. Um dia chegarei novamente ao ciclo de dar assim, à grande. 🙂

  • Liliana Carvalho

    Excelente iniciativa, doar à biblioteca! 😀
    É o que faço sempre. Não consigo vender os livros…