Home / 3/5 / [Opinião] O Dragão do Inverno & Outras Histórias, de George R.R. Martin (Parte 2)

[Opinião] O Dragão do Inverno & Outras Histórias, de George R.R. Martin (Parte 2)

16061320

Autor: George R.R. Martin
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 384
ISBN: 9789896374617
Tradutores: Jorge Colaço e Luís Santos

Sinopse: George R. R. Martin, autor de As Crónicas de Gelo e Fogo, regressa com algumas das suas melhores histórias de sempre. Uma criança do inverno cria uma relação especial com um dragão. Uma nave espacial ruma no espaço em busca de uma mítica raça, mas estará o mistério na própria raça ou na estranha nave em que navegam? Uma velha torre de cinzas serve como refúgio para um homem destroçado. Um escritor cria um universo de personagens, e cada uma delas vive no mundo que ele lhes determinou. Um milionário convoca os seus antigos colegas para um confronto de xadrez com revelações inesperadas. Um homem adora comer mas odeia ser gordo, conseguirá a provação do tratamento do macaco ajudá-lo a definir prioridades? A vida sexual de um manipulador de cadáveres pode ser relativamente perfeita, mas não quando se acredita no amor. Dez histórias multipremiadas que exploram temas universais, de leitura indispensável para os fãs do autor e para todos os que desejam conhecer o verdadeiro potencial da literatura fantástica.
 

Opinião: Cá esta (finalmente) a segunda e última parte da minha análise a esta coletânea de contos, noveletas e novelas da autoria de George R.R. Martin. A primeira parte pode ser lida aqui.

6 – Nightflyers (1980)
Nightflyers é a maior história desde livro, ocupando quase 100 páginas. Foi adaptado para o cinema em 1987, apesar de parecer que o filme não é lá grande coisa. Mas a história é, ou pelo menos eu achei. Como o próprio autor afirma na introdução, trata-se de um híbrido FC/horror, que tem como protagonistas a nave espacial Nightflyer e os seus tripulantes. Karoly d’Branin sempre sentiu um grande fascínio pelos volcryn, uma lenda que vagueia no universo e sobre a qual pouco se sabe. É com o intuito de tentar encontrá-los que contrata os serviços da nave Nightflyer e leva consigo uma tripulação polivalente, para retirar o máximo desse possível encontro. No entanto, quando a viagem se inicia, coisas estranhas começam a acontecer: por exemplo, o dono da nave, Royd Eris, vive isolado numa parte da nave e só aparece aos seus “convidados” sob a forma de holograma. À medida que a viagem decorre, a estranheza aumenta, bem como a curiosidade do leitor por descobrir o que a provoca. Acho que é uma história muito bem conseguida, a nível de caracterização de personagens (e são bastantes) e no que respeita à tensão que os vários acontecimentos vão provocando. Houve ali um ou dois aspetos do enredo em que tive mais dificuldade em acreditar, mas mesmo assim gostei bastante. – 4/5

7 – O Tratamento do Macaco (1983)
Mais um conto com elementos de horror. O protagonista é Kenny Dorchester, um homem obeso. Gosta de (quase) toda a comida e parece que nunca é demais. Mas por vezes surge-lhe o desejo de viver outros amores para além daquele que devota à comida, e nessas alturas tenta fazer dietas que, de um modo ou outro, acabam por não resultar. Um dia, encontra um conhecido de um grupo de ajuda que frequentou, que está muito mais magro. Kenny apressa-se a perguntar-lhe como conseguiu, e o homem dá-lhe a morada do local onde fazem o tratamento do macaco. Este tratamento consiste em andar com um macaco às costas, que impede o portador de ingerir comida, ficando com ela para si. Tudo muito estranho, e mais estranho ainda se torna quando Kenny percebe que mais ninguém vê o macaco. Eu não consegui evitar lembrar-me do Martin e do famigerado King Kong que ele afirmou várias vezes ter às costas antes de terminar A Dance With Dragons. Gostei deste conto, apesar de ter praticamente adivinhado o desenlace da história e de ter achado que um gordo não é um protagonista suficientemente aterrorizante.  – 3/5

8 – Variações Falaciosas (1980)
Dez anos depois de terem terminado a faculdade, um grupo de ex-colegas que jogavam xadrez em grupo volta a encontrar-se na casa de um deles. Peter, E.C. e Steve rumam a casa de Bunnish, o único dos quatro que teve sucesso na carreira, tendo-se tornado milionário. Mas Bunnish não consegue esquecer o torneio de xadrez que o grupo perdeu por causa dele, e procura vingança pela forma como foi tratado. Adorei este conto do início ao fim, e tornou-se o meu favorito da coletânea. Apesar de incluir um nível considerável de xadrez (torna-se bastante técnico a certa altura), cativou-me pelas personagens interessantes, pelos elementos de viagens no tempo e pelo desenrolar e desfecho invulgar desta história. Muito bom. – 5/5

9 – A Flor de Vidro (1986) 
Achei esta história tão confusa que nem sei bem como resumi-la. É contada na primeira pessoa por Cyrain, uma mulher com longa vida, que assume neste momento o corpo de uma espécie de criança. A visita de um ciborgue, que parece saído de uma lenda, fá-la sentir que tem finalmente um oponente à altura para o jogo da mente, no qual é exímia. Não gostei. Achei o texto demasiado confuso e as personagens demasiado difusas e vagas. Nunca consegui realmente “entrar” nesta história, pelo que foi o que menos gostei neste livro. – 1/5

10 – Retratos dos Seus Filhos (1986)
Após uma discussão com a filha artista, o escritor Richard Cantling começa a receber em casa retratos bastante vívidos de personagens de livros seus. Como se não bastasse, essas personagens ganham vida e interagem com Richard, deixando-o sem perceber se a filha está a tentar vingar-se dele (por motivos que ficamos a conhecer no final) ou se, realmente, está a acontecer alguma espécie de “magia”. Este é, na minha opinião, a história desta coletânea mais difícil de definir em termos de género e o próprio Martin se recusa a fazê-lo na introdução. Eu consideroa um retrato psicológico das personagens que a protagonizam, que inclui alguns elementos que podem ou não ser considerados fantásticos. Gostei da escrita, mas do desenvolvimento da história nem por isso. – 3/5

De um modo geral, foi uma boa leitura. Inclui histórias de que gostei bastante, outras nem por isso e boa parte delas foram assim-assim. Todas as histórias estão, de um modo geral, bem escritas e cativou-me o facto de não existir muito infodump, apesar de a maioria delas apresentar mundos novos e inventados; ainda assim, as contextualizações são bastante suficientes. As introduções no início das histórias são elucidativas e acrescentam valor ao texto em si; a capa do livro, e mesmo o título, é que “enganam” um pouco quanto ao conteúdo do livro: a maioria das histórias são dentro da ficção científica/horror e só mesmo a história que dá título ao livro é que contém elementos da fantasia mais tradicional. Das pesquisas que fiz, percebi que o livro original contém várias secções temáticas e que há histórias dentro da mesma secção que estão incluídas nesta coletânea e em O Cavaleiro de Westeros & Outras Histórias, pelo que fiquei a pensar se não teria sido mais benéfico ler essa publicação primeiro. Independentemente disso,  recomendo este livro a fãs do autor que desejem ir além das suas famosas Crónicas de Gelo e Fogo.

Classificação da coletânea: 3/5 – Gostei


Sobre Célia

  • zekabroa

    eu sou suspeito porque sou um grande fã da escrita do george, e adorei cada história deste livro tal como da outra colectânea, por isso secalhar não reparei muito nos pontos negativos que dizes quando estava a ler. mas o primeiro conjunto de histórias tenho ideia de ser melhor. o sandkings é para mim das melhores short stories que já li

    • Célia

      Tenho por aqui a outra coletânea por ler, e tenho muita vontade de o fazer. Espero que seja em breve 😉

  • Pingback: [Opinião] O Cavaleiro de Westeros & Outras Histórias, de George R.R. Martin - Estante de Livros()