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[Opinião] Bringing up Bébé, de Pamela Druckerman

Autor: Pamela Druckerman
Editora: Penguin
Páginas: 304
ISBN: 9781101563144
Origem: Aquisição pessoal

Sinopse (tradução minha): O segredo por detrás das crianças francesas surpreendentemente bem comportadas. Quando a jornalista americana Pamela Druckerman tem um bebé em Paris, não aspira a tornar-se uma “mãe francesa”. Os cuidados parentais franceses não são algo conhecido, como a moda francesa ou o queijo francês. Até os próprios pais franceses insistem no facto de não fazerem nada de especial. Mas ainda assim, as crianças francesas que Druckerman conhece dormem a noite toda aos dois ou três meses de idade, enquanto os filhos dos seus amigos americanos demoram um ano ou mais. As crianças francesas comem refeições equilibradas, que é mais provável incluírem alho francês cozido no vapor do que nuggets de frango. E ao passo que os seus amigos americanos passam as visitas a resolver quezílias entre os filhos, os amigos franceses bebem café enquanto as crianças brincam. A maternidade em si própria é uma experiência completamente diferente em França. Não há um modelo, como na América, para as atormentadas mães recentes sem qualquer vida própria. As mães francesas assumem que mesmo os bons pais não estão ao constante serviço dos seus filhos e que não há necessidade de se sentirem culpados por isso. Têm uma autoridade fácil e calma com os seus filhos, que Druckerman só pode invejar. Claro, não valeria a pena falar dos cuidados parentais franceses se dessem origem a crianças robô e tristes. De facto, as crianças francesas são tão tempestuosas, curiosas e criativas como as americanas. Só que são muito mais bem comportadas e mais seguras de si. Enquanto alguns meninos americanos têm professores de mandarim e instrução pré-alfabetização, as crianças francesas andam, por definição, a titubear por aí e a descobrir o mundo ao seu próprio ritmo. Com um caderno guardado no saco das fraldas, Druckerman – uma antiga repórter do “Wall Street Journal” – decide aprender os segredos da construção de uma sociedade de bons dormidores, de comedores gourmet e de pais razoavelmente relaxados. Ela descobre que os pais franceses são extremamente rigorosos com algumas coisas e notavelmente permissivos com outras. E apercebe-se que para se ser um tipo de pai diferente não se precisa de uma filosofia de educação diferente. Precisa-se de uma visão muito diferente do que uma criança realmente é. Enquanto encontra o seu próprio “não” firme, Druckerman descobre que as crianças – incluindo as suas próprias – são capazes de feitos que ela nunca imaginou.

Opinião: Ao dar uma vista de olhos pelos nomeados para a categoria de melhor não ficção de 2012 no Goodreads (ficou em 7.º, de 20 no total), dei de caras com este livro que, por razões óbvias, me interessou de imediato. Tanto enquanto estive grávida como agora que sou mãe, nunca tive grande interesse em ler livros sobre o assunto. Sei que há milhentos livros de puericultura, e provavelmente muitos contêm dicas interessantes, mas se há coisa que aprendi desde Setembro até agora é que por mais bem intencionada que seja a teoria, a prática deita-a completamente por terra com bastante frequência. Então o que me chamou a atenção para este livro? Foi a frase “…as crianças francesas que Druckerman conhece dormem a noite toda aos dois ou três meses de idade…”, porque o meu filho faz isto desde os dois meses (yay!). Quando aconteceu fiquei super contente – pudera, depois de 2 meses em que andei tipo zombie – mas nunca pensei muito no assunto nem achei que tivesse feito alguma coisa de especial. Na verdade, nem os pais franceses acham. Mas é uma coisa tão simples como o que a autora chama “le pause“. Ou seja, fazer uma pausa e só acudir à criança se ela estiver MESMO acordada e já consideravelmente refilona. Isto porque, tal como os adultos, os bebés têm ciclos de sono que ainda não aprenderam a “ligar”, daí os barulhos que por vezes fazem de noite. E convém que isto vá sendo feito nos primeiros tempos, porque a partir dos 6 meses já é muito complicado ignorá-los. 

Pamela Druckerman, uma americana que se casou e foi viver para Paris com o marido, onde teve 3 filhos, começou a ficar intrigada com o comportamento das crianças francesas que conhecia e resolveu investigar a questão mais a fundo. Para além da questão dos sonos, a autora aborda muitos outros temas relacionados com a forma como os franceses encaram a educação e a própria gravidez. Não conhecia o sistema francês de creches públicas e desejei que em Portugal tivéssemos algo assim – por cá, como se sabe, os poucos lugares estão reservados a quem tem cunha a pessoas com rendimentos mais baixos. Por lá, a alimentação das crianças é decidida semanalmente por uma entidade que centraliza estas questões e discutem não só a variedade das refeições como formas diferentes de as confecionar para que as crianças se vão habituando aos vários sabores. Os pais deixam facilmente os filhos na creche, com alguns meses, e a abordagem francesa é bastante diferente da americana nos primeiros anos, deixando as crianças descobrir o mundo sem lhes impôr uma série de atividades. É também abordada a temática da educação parental e da forma como se consegue que as crianças se entretenham sozinhas, se comportem em situações sociais, e por aí em diante.

Gostei deste livro. Acho que consegue aquilo a que se propõe, que é explicar a diferença entre as formas de educar crianças em França e na América. A autora recorre amiúde a estatísticas para explicar as suas conclusões, mas ainda assim pareceu-me que são muitas vezes genéricas e baseadas apenas em observações que faz no dia-a-dia. O tom é descontraído e pouco científico e apesar de achar que o objetivo era, muito provavelmente, esse mesmo, não deixei de ter a sensação que temas de natureza tão complexa foram tratados com alguma ligeireza. Depois, apesar de a autora ressalvar algumas vezes que nem todos os pais e crianças francesas/americanas fazem as coisas como ela generaliza, é quase impossível fugir à sensação que passamos todo o livro a assistir ao endeusamento do modo de fazer francês (e duvido que seja só francês, porque muitas das práticas referidas também se vêm por cá, para dar um exemplo que conheço bem). Apesar destes pontos menos positivos, foi uma leitura agradável e interessante e que recomendo a pais recentes ou prestes a sê-lo. Sempre com espírito crítico.

Classificação: 3/5 – Gostei


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.