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[Opinião] Os Maias, de Eça de Queiroz

Autor: Eça de Queiroz
Ano de Publicação: 1888
Editora: Leya
Formato: e-book
ISBN: 9789896600945
Origem: Comprado

Sinopse: Lisboa, finais do séc. XIX. Afonso da Maia fixa-se em Lisboa com o seu neto, Carlos. Descendente e herdeiro de uma família da nobreza beirã, Carlos, jovem belo e dotado, vive num mundo de luxo e fausto. Até que conhece Maria Eduarda, igualmente jovem, igualmente dotada. E o amor surge. Um amor impossível, que tudo fará para saltar barreiras, como se se esquecendo que nem o verdadeiro amor poderá transpor todos os obstáculos. Um drama familiar intenso, absorvente e apaixonado. Uma galeria de personagens que tudo parece destinar a um futuro promissor, mas cujos sonhos se vão sucessivamente esboroando por via do desajustamento individual a uma sociedade em que cada um deles é corpo estranho. O retrato de uma época num romance magistral e inesquecível. Obra de envergadura monumental que nos desvenda como nenhuma outra as ideias do autor, os seus sentimentos, e a sua revolta contra a tolice, o ridículo e a vaidade humana.

Opinião: Sempre achei que a leitura obrigatória que fiz d’”Os Maias quando tinha 17 anos não me permitiu apreciar a obra em toda a sua plenitude. A minha pouca maturidade literária fez com que muitas referências sociais e culturais me passassem ao lado e ficou sempre a sensação que também não apreciei devidamente a escrita. Há algum tempo que queria fazer esta releitura, calhou agora.

Os Maias é um dos livros mais famosos da literatura portuguesa, amado por uns, odiado por outros (especialmente por ser leitura escolar obrigatória), que já foi alvo de inúmeras adaptações ao cinema, teatro e televisão, entre outros. Quase toda a gente conhece a história da família Maia, no Portugal de finais do século XIX, que culmina no amor trágico de Carlos Eduardo e Maria Eduarda.

Sendo o drama familiar e humano o enredo central, a contextualização e os enredos secundários dão vida e cor a este livro tão representativo daquilo que é ser português. Apesar de ser um cliché quando se fala da obra de Eça de Queiroz, não posso deixar de referir que, mesmo tendo em conta a evolução de quase século e meio, são incríveis as semelhanças de vícios e atitudes, em especial no que respeita à política, mas também na relação de Portugal com o estrangeiro. 

O livro é marcado pelo Romantismo, muitas vezes claramente contraposto ao Racionalismo, que desponta nas artes e nas relações pessoais que compõem a história. Eça tem um estilo de escrita muito particular, com longas e elaboradas descrições, mas que, nesta releitura, pude apreciar com mais atenção também porque não estava tão emocionalmente envolvida com o enredo principal. Há passagens verdadeiramente deliciosas, que apetece ler e reler. Muita gente fala da descrição inicial do Ramalhete ou da longa secção das corridas de cavalos, mas penso que se formos para a leitura com o espírito certo estas partes acabam por ser mesmo das mais interessantes.

Este é um livro fantástico e sinto-me contente por ter decidido relê-lo neste momento, porque pude finalmente apreciá-lo em todo o seu esplendor. Altamente recomendado a nível de enredo, de escrita e de retrato social.

Classificação: 5/5 – Adorei


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.