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[Opinião] A Mão de Fátima, de Ildefonso Falcones

Autor: Ildefonso Falcones
Título Original: La Mano de Fátima (2009)
Editora: Bertrand
Páginas: 920
ISBN: 9789722522267
Tradutor: Pedro Carvalho, Sérgio Coelho e J. Espadeiro Martins

 

Sinopse: A história de um jovem dividido entre duas religiões e dois amores, em busca da sua liberdade e da do seu povo, na Andaluzia do séc. XVI. 1568. Depois de derrotados por Isabel, a Católica, a comunidade muçulmana andaluza sobrevive com muitas dificuldades, sob a constante repressão dos Cristãos, mas depressa o descontentamento dá lugar a uma sanguinária revolta. Entre os revoltosos encontra-se Hernando, um jovem desprezado pelo seu próprio povo e maltratado por Brahim, o seu padrasto. Dotado de uma extraordinária habilidade para lidar com animais, Hernando salva a vida ao filho de uma jovem belíssima, Fátima. Dividido entre a fé que lhe foi incutida e as atrocidades que vê serem cometidas em nome de Alá, o seu coração impele-o a ajudar um nobre cristão, obtendo a sua eterna gratidão. Porém, a sua coragem e honestidade também lhe granjeiam alguns inimigos, sobretudo o seu cruel padrasto que, aproveitando-se da morte do rei, consegue condenar Hernando à escravatura e desposar a bela Fátima, o grande amor do enteado. Brahim, na qualidade de lugartenente do novo monarca, parece inatacável, e Hernando parece condenado à desgraça…

 

Opinião: Depois de me ter deleitado com A Catedral do Mar, era óbvio, para mim, que tinha de continuar a acompanhar a obra de Ildefonso Falcones. Assim, quase um ano depois, e muito por culpa do meu marido, pude finalmente ler A Mão de Fátima. As expectativas eram muitas e elevadas, mas foram correspondidas, apesar de alguns (pequenos) contratempos. Ainda assim, está provado que o autor é dotado, não só pela sua bela escrita, mas também pelos temas novos e desconhecidos que aborda.

 

A narrativa transporta-nos para os sécs. XVI e XVII, na Península Ibérica, numa altura em que a comunidade moura residente em Espanha atravessa dificuldades para sobreviver. Ao longo de 44 anos, acompanhamos a forma como os Mouros viviam e sobreviviam em Espanha, sobretudo na região andaluz, onde a Cristandade sempre foi exacerbada. Hernando, o personagem principal, é o centro e espelho de uma comunidade mourisca que deambula por várias regiões do Sul de Espanha à procura, apenas, de espaço para poder viver e professar os seus ideais, livremente. É através do seu percurso de vida que o leitor vai tomando contacto com alguns momentos marcantes da história de Espanha, em geral, e da região andaluz, em particular. A investigação por trás desta obra é, sem dúvida, um importante e amplo complemento ao que aprendemos na escola, relativamente à influência moura na Península Ibérica.

 

Felizmente, ainda existem obras que nos surpreendem e A Mão de Fátima é, sem dúvida, disso exemplo. A obra retrata uma página negra da História Mundial e da qual, muitas vezes, temos pouco conhecimento. Por isso, capítulo após capítulo, o nosso interesse aumenta, apaixonando-nos pelos personagens, independentemente dos ideais e ideias que defendem.

 

O conceito de diferença perpassa toda a obra e leva-nos sistematicamente a pensar. Nas 920 páginas, temas como a Sobrevivência, a Religião, o Amor, o Respeito, entre outros, são dados a conhecer sob diferentes perspectivas. As várias personagens têm, quase sempre, um propósito e representam algo desde a Crueldade, à Injustiça, passando pela Pureza e Crença em algo maior. Esta característica impele a leitura e entusiasma o leitor, o qual deseja desvendar, constantemente, o que acontece adiante a cada personagem. Uma combinação extremamente bem doseada entre conhecimento e emoções cativa o leitor e prende-o num suspense rumo a um final surpreendente.

 

Apesar da excelente obra, na minha opinião, o autor d’A Mão de Fátima peca, em alguns casos, por desenvolver, excessivamente, alguns dos acontecimentos. De facto, nesses períodos, parece que sentimos o tempo a passar com a sua duração real. Em contraponto, Ildefonso Falcones apaixona-nos com descrições vivas e muito realistas, levando-nos a viajar por Sevilha, Granada, Córdoba, entre outras cidades, onde presenciamos acontecimentos ora felizes ora cruéis, alguns dos quais não devem nunca ser esquecidos. – Cristina

 

Classificação: 5/5 – Adorei


Sobre Célia

  • Isabel

    Gostei muito deste livro e adorei a Catedral do Mar. Para quando o próximo sr Ildefonso Falcones?