O Vale das Bonecas
Autor: Jacqueline Susann
Título Original: Valley of the Dolls (1966)
Editora: Contraponto
Páginas: 480
ISBN: 9789896660789
Tradutor: Duarte Sousa Tavares
Sinopse
Anne, Neely e Jennifer são três jovens fortes, independentes e com muita sede de viver. Mas quando os sonhos da vida se despenham contra os rochedos da desilusão , precisam de algumas «bonecas» -comprimidos calmantes, excitantes, ansiolíticos ou opiáceos – para sobreviver…
Anne: ingénua e doce, mas ansiosa por descobrir tudo o que a vida tem para oferecer…
Neely: um espírito rebelde. Órfã desde a mais tenra idade, só ambiciona uma coisa na vida – rios de dinheiro!
Jennifer: com um corpo de fazer parar o trânsito, este imã sexual só deseja uma coisa – casa e assentar.
Amor, traição, desejo e dependência são retratados em toda a sua crueza neste romance inesquecível, considerado um clássico da literatura norte-americana.
Opinião
Há já algum tempo que tinha este livro aqui por ler (ganhei-o no ano passado num passatempo) e moderada curiosidade em lhe pegar. Desta vez, pedi à tchetcha para me ajudar a escolher a próxima leitura e ela, como tinha lido este livro há uns bons anos e tinha ficado bem impressionada, recomendou-mo.
A primeira coisa que quero referir é que se trata de um livro publicado há 45 anos. A autora, Jacqueline Susann, partiu com 18 anos da sua terra natal para Nova Iorque, em busca de uma carreira de atriz. E é precisamente essa experiência, de busca de um sonho, que marca as protagonistas deste livro: Anne, uma jovem inocente, parte para Nova Iorque com 18 anos, fugindo à asfixia da pequena localidade onde morava e ao seu destino mais que certo; Neely, uma jovem orfã que luta pela conquista do seu sonho no mundo do espetáculo e Jennifer, uma mulher marcada pela ditadura da beleza e que, mesmo com pouco talento, pretende vingar e mostrar à mãe que é tudo aquilo que esta deseja que Jennifer seja.
A história acompanha estas três mulheres a partir de 1945, e durante os vinte anos seguintes. A América do pós-guerra era uma terra de sonhos e ambições por realizar; os espetáculos na Broadway viviam os seus tempos áureos e o cinema dava cartas. Mas nem tudo era um mar de rosas, porque era necessário muito “jogo de cintura”, a juntar ao talento, para alcançar o topo, já para não falar dos exigentes padrões de beleza. E é esta ambição pelo reconhecimento público e pela beleza que leva a que as personagens consumam exageradamente as “bonecas” a que o título do livro se refere – comprimidos das mais variadas naturezas, para dormir, para emagrecer, etc.
O livro é, assim, uma viagem à espiral de auto-destruição que afetou muita gente do mundo do espetáculo naquela época, mais ou menos conhecidas, e um retrato dos vícios e dos bastidores desse mesmo mundo. Diz-se que a escritora baseou as suas personagens principais em pessoas reais que conheceu.
O tom da narrativa fez-me lembrar uma telenovela, pela escrita quase telegráfica, pela rápida sucessão de acontecimentos e pela autêntica montanha-russa que é a vida das personagens principais. No início, cansou-me um pouco, até porque a história em si não estava a apresentar desenvolvimentos suficientemente interessantes para me manter agarrada. A partir de certa altura, o livro fica realmente interessante, mas mais pelo tema em si e pelo facto de se tornar mais negro, do que por a escrita se alterar muito ou as personagens terem ficado muito cativantes. De facto, das três personagens principais, só gostei mesmo de Jennifer, atormentada pelo facto de ter vivido toda a sua vida amada pelo seu aspeto exterior e não por quem realmente era.
No final de contas, é um livro que se lê bem e que tem um tema interessante, mas que deixa a desejar, na minha opinião, no que se refere à escrita e ao desenvolvimento das personagens. – Célia M.
3/5 – Gostei
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Quando te sugeri este livro a minha intenção era ter uma perspectiva de alguém mais maduro do que eu era quando o li, aos 18 ou 19 anos. O mais engraçado é as tuas impressões serem semelhantes às minhas: Que o livro só se torna mais interessante quando começa a ficar mais negro, que as personagens principais não são muito cativantes com a excepção da Jennifer. Na altura, o que gostei do livro foi que este foi, pela primeira vez e para mim, a janela para o lado negro de Hollywood. Hoje em dia já é algo banal (Lindsay Lohan e companhia) mas para mim, que estava a sair da adolescência, e só conhecia o caso do River Phoenix que tinha morrido com uma overdose, foi um verdadeiro abrir de olhos para aquela realidade.
Não sei se tiveste essa sensação mas, lembro-me de pensar que por várias vezes elas puderam sair daquelas situações mas optaram por não o fazer. As “bonecas” foi a fuga mais simples.
Não é realmente um livro do qual se morre de amores mas faz-nos pensar em certas coisas, como a espiral de destruição ou ditadura da beleza, temas ainda hoje actuais.
Fico contente por saber que tivemos leituras semelhantes do mesmo livro.
Em relação à utilização das “bonecas”, sim, tive precisamente essa sensação. A ambição era tal que normalmente se optava pela via mais fácil e, como as drogas causam dependência, depois não conseguiam parar.
Gostava de saber se voçês têm alguma review de algum livro da augustina bessa luis, se me puderem indicar os titulos para eu verificar agradecia ;D
Dessa autora, não temos nenhuma opinião por aqui…
Bom se a historia é interessante ja ajuda bastnte neh…
Curioso! É o livro que ando a ler. A escrita é levezinha e as personagens são pouco profundas. Acho curioso como a mentalidade das mulheres mudou em 45 anos. O casamento era o objectivo principal de vida. O tema das “bonecas” está actualissimo: na época tomavam-se para dormir, para emagrecer, … hoje tomam-se para adormecer os desgostos da vida.