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O Vale das Bonecas

Tuesday, June 21, 2011 Post de Estante de Livros

Autor: Jacqueline Susann
Título Original: Valley of the Dolls (1966)
Editora: Contraponto
Páginas: 480
ISBN: 9789896660789
Tradutor: Duarte Sousa Tavares

Sinopse
Anne, Neely e Jennifer são três jovens fortes, independentes e com muita sede de viver. Mas quando os sonhos da vida se despenham contra os rochedos da desilusão , precisam de algumas «bonecas» -comprimidos calmantes, excitantes, ansiolíticos ou opiáceos – para sobreviver…
Anne: ingénua e doce, mas ansiosa por descobrir tudo o que a vida tem para oferecer…
Neely: um espírito rebelde. Órfã desde a mais tenra idade, só ambiciona uma coisa na vida – rios de dinheiro!
Jennifer: com um corpo de fazer parar o trânsito, este imã sexual só deseja uma coisa – casa e assentar.
Amor, traição, desejo e dependência são retratados em toda a sua crueza neste romance inesquecível, considerado um clássico da literatura norte-americana.

Opinião
Há já algum tempo que tinha este livro aqui por ler (ganhei-o no ano passado num passatempo) e moderada curiosidade em lhe pegar. Desta vez, pedi à tchetcha para me ajudar a escolher a próxima leitura e ela, como tinha lido este livro há uns bons anos e tinha ficado bem impressionada, recomendou-mo.

A primeira coisa que quero referir é que se trata de um livro publicado há 45 anos. A autora, Jacqueline Susann, partiu com 18 anos da sua terra natal para Nova Iorque, em busca de uma carreira de atriz. E é precisamente essa experiência, de busca de um sonho, que marca as protagonistas deste livro: Anne, uma jovem inocente, parte para Nova Iorque com 18 anos, fugindo à asfixia da pequena localidade onde morava e ao seu destino mais que certo; Neely, uma jovem orfã que luta pela conquista do seu sonho no mundo do espetáculo e Jennifer, uma mulher marcada pela ditadura da beleza e que, mesmo com pouco talento, pretende vingar e mostrar à mãe que é tudo aquilo que esta deseja que Jennifer seja.

A história acompanha estas três mulheres a partir de 1945, e durante os vinte anos seguintes. A América do pós-guerra era uma terra de sonhos e ambições por realizar; os espetáculos na Broadway viviam os seus tempos áureos e o cinema dava cartas. Mas nem tudo era um mar de rosas, porque era necessário muito “jogo de cintura”, a juntar ao talento, para alcançar o topo, já para não falar dos exigentes padrões de beleza. E é esta ambição pelo reconhecimento público e pela beleza que leva a que as personagens consumam exageradamente as “bonecas” a que o título do livro se refere – comprimidos das mais variadas naturezas, para dormir, para emagrecer, etc.

O livro é, assim, uma viagem à espiral de auto-destruição que afetou muita gente do mundo do espetáculo naquela época, mais ou menos conhecidas, e um retrato dos vícios e dos bastidores desse mesmo mundo. Diz-se que a escritora baseou as suas personagens principais em pessoas reais que conheceu.

O tom da narrativa fez-me lembrar uma telenovela, pela escrita quase telegráfica, pela rápida sucessão de acontecimentos e pela autêntica montanha-russa que é a vida das personagens principais. No início, cansou-me um pouco, até porque a história em si não estava a apresentar desenvolvimentos suficientemente interessantes para me manter agarrada. A partir de certa altura, o livro fica realmente interessante, mas mais pelo tema em si e pelo facto de se tornar mais negro, do que por a escrita se alterar muito ou as personagens terem ficado muito cativantes. De facto, das três personagens principais, só gostei mesmo de Jennifer, atormentada pelo facto de ter vivido toda a sua vida amada pelo seu aspeto exterior e não por quem realmente era.

No final de contas, é um livro que se lê bem e que tem um tema interessante, mas que deixa a desejar, na minha opinião, no que se refere à escrita e ao desenvolvimento das personagens. – Célia M.

3/5 – Gostei






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6 Responses to “O Vale das Bonecas”

  1. Tchetcha says:

    Quando te sugeri este livro a minha intenção era ter uma perspectiva de alguém mais maduro do que eu era quando o li, aos 18 ou 19 anos. O mais engraçado é as tuas impressões serem semelhantes às minhas: Que o livro só se torna mais interessante quando começa a ficar mais negro, que as personagens principais não são muito cativantes com a excepção da Jennifer. Na altura, o que gostei do livro foi que este foi, pela primeira vez e para mim, a janela para o lado negro de Hollywood. Hoje em dia já é algo banal (Lindsay Lohan e companhia) mas para mim, que estava a sair da adolescência, e só conhecia o caso do River Phoenix que tinha morrido com uma overdose, foi um verdadeiro abrir de olhos para aquela realidade.
    Não sei se tiveste essa sensação mas, lembro-me de pensar que por várias vezes elas puderam sair daquelas situações mas optaram por não o fazer. As “bonecas” foi a fuga mais simples.
    Não é realmente um livro do qual se morre de amores mas faz-nos pensar em certas coisas, como a espiral de destruição ou ditadura da beleza, temas ainda hoje actuais.
    Fico contente por saber que tivemos leituras semelhantes do mesmo livro. :)

    • Célia says:

      Em relação à utilização das “bonecas”, sim, tive precisamente essa sensação. A ambição era tal que normalmente se optava pela via mais fácil e, como as drogas causam dependência, depois não conseguiam parar.

  2. kikwasses says:

    Gostava de saber se voçês têm alguma review de algum livro da augustina bessa luis, se me puderem indicar os titulos para eu verificar agradecia ;D

  3. kezia says:

    Bom se a historia é interessante ja ajuda bastnte neh…

  4. Teresa Proença says:

    Curioso! É o livro que ando a ler. A escrita é levezinha e as personagens são pouco profundas. Acho curioso como a mentalidade das mulheres mudou em 45 anos. O casamento era o objectivo principal de vida. O tema das “bonecas” está actualissimo: na época tomavam-se para dormir, para emagrecer, … hoje tomam-se para adormecer os desgostos da vida.


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