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[Opinião] Jonathan Strange e o Sr. Norrell, de Susanna Clarke

Autor: Susanna Clarke
Título Original: Jonathan Strange & Mr. Norrell (2004)
Editora: Casa das Letras
Páginas: 734
ISBN: 9789724615547
Tradutor: Artur Lopes Cardoso, Inês Castro e Mariana Pardal Monteiro
Origem: Comprado

Sinopse: Há séculos, quando a magia habitava a Inglaterra, houve um mago que se distinguiu entre todos os outros. Chamou-se Rei Corvo, foi criado por fadas e, como nenhum outro, soube conjugar a sabedoria desses seres com a razão humana. Só que tudo se alterará a partir do momento em que um rei louco e alguns poetas mais arrojados fazem com que a Inglaterra deixe de acreditar na magia. O que acontecerá até meados do século XIX, quando o solitário Senhor Norrell, de Hurtfew Abbey, que faz andar e falar as estátuas da catedral de York, acredita que poderá ajudar o governo de Sua Majestade na guerra contra Napoleão. 
Já em Londres, Norrell, encontrará Jonathan Strange, um jovem, rico e brilhante (mas também arrogante), que descobre por acaso que é um mago, tornando-se seu discípulo. Os feitos de ambos hão-de maravilhar a velha Inglaterra. Até ao momento, no entanto, em que a parceria, que parecia destinada ao sucesso, virará rivalidade. É que, fascinado pela figura sombria do Rei Corvo e atraído pela sua “insensata busca” por magias há muito esquecidas, Jonathan haverá de pôr em causa tudo o que Norrell mais estimava.

Opinião: Já tinha este livro na minha estante há um bom tempo e só lhe peguei agora porque aceitei um desafio da Cat e senti-me entusiasmada pelas várias críticas entusiásticas que tenho lido sobre ele.

No início do século XIX, a Inglaterra era um país em que os magos há muito tinham deixado de existir e a magia encontrava-se confinada a livros que falavam sobre ela de forma teórica ou que relatavam a história dos magos mais conhecidos. É neste contexto que surge o Sr. Norris, um homem de natureza reclusiva e estudiosa, com medo de arriscar o que quer que seja, que vem reclamar para si o título de único mago de Inglaterra. Algum tempo depois, aparece em cena um jovem corajoso e decidido, Jonathan Strange, que quase parece adotar o ofício de mago por puro acaso, mas que se vem a revelar extremamente talentoso para a profissão. Norris toma Strange como discípulo, mas os diferentes caracteres de ambos, em conjunto com o destino que pretendem dar à magia, levam inevitavelmente ao aparecimento de cisões e rivalidades.

Trata-se, pois, de um livro com elementos fantásticos, mas com uma componente histórica bastante completa, que se centra na luta da Inglaterra contra a França de Napoleão. Uma das personagens principais chega mesmo a permanecer em Portugal aquando das invasões francesas, no meio das tropas lideradas por Wellington. Com uma escrita muito interessante, se bem que por vezes algo rebuscada, Susanna Clarke constrói um mundo em que a magia é um elemento aceite pela sociedade e que não deixa de parecer real aos olhos do leitor, tal é a minúcia e a atenção ao detalhe que demonstra.

É um livro que requer a maior concentração por parte do leitor, pela miríade de personagens, situações e histórias paralelas – algumas aparecem em notas de rodapé, que chegam a ocupar páginas quase completas. Apesar de o título poder levar a pensar o contrário, não é o tipo de livro que se centre exclusivamente na história de uma ou duas personagens e as acompanhe do início ao fim; é um livro com várias ramificações, vários enredos e sub-enredos e muitas personagens secundárias com especial importância.

No entanto, se para uns leitores todos estes “desvios” do que parece ser a história principal do livro podem ser adições deliciosas a todo este mundo criado pela autora, para outros podem servir como distração e fazer com que o interesse pelo livro vá diminuindo à medida que a leitura avança. Eu fiquei um pouco entre estes dois estados: houve alturas em que o livro realmente me interessou, em que me senti entusiasmada e deliciada pelo desenrolar dos acontecimentos; noutras, achei a história aborrecida, especialmente em partes que pareceram não vir a ter qualquer consequência em especial para o avançar da história e foi algo custoso arranjar motivação para continuar.

Considero que este livro não é para todos os leitores e percebo perfeitamente tanto quem adora como quem odeia. Eu não amei nem odiei, por isso convido-vos a experimentar e dizer de vossa justiça. 

Classificação: 3/5 – Gostei


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.