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[Opinião] O Regresso do Assassino, de Robin Hobb

Autor: Robin Hobb
Título Original: Fool’s Errand (2001)
Série: O Regresso do Assassino #1, Tawny Man #1 | Realms of the Elderlings #7
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 565
ISBN: 9789896373306
Tradutor: Jorge Candeias
Origem: Comprado

Sinopse: Ele é um bastardo com sangue real. Ele é um assassino com poderes malditos. Ele é a única esperança para um reino caído em desgraça. Atreva-se a entrar num mundo de perfídia e traição que George R. R. Martin apelidou de “genial”. Atreva-se a acompanhar um herói que a crítica considerou “único”. O Regresso do Assassino é o regresso da grande fantasia épica. Se está à espera de mais do mesmo, este livro não é para si. Caso contrário… bem-vindo a uma aventura que nunca irá esquecer!

Opinião: Gostei muito da Saga do Assassino, desta autora, e por isso foi com enorme expectativa que aguardei o lançamento deste primeiro volume de uma nova trilogia, que tem lugar no mesmo cenário da referida saga e conta com as personagens já nossas conhecidas, mas 15 anos após os acontecimentos que marcaram o destino dos Seis Ducados, reino fictício no qual esta história decorre. Para além da vontade de rever velhos “amigos”, voltar a esta escritora conforta-me porque me agrada imenso como contadora de histórias.

Mais uma vez, a história é-nos contada na primeira pessoa por Fitz, que 15 anos depois da paz ter chegado aos Seis Ducados, vive com o seu lobo numa cabana isolada do mundo, que, na sua grande maioria, o julga morto. A solidão é um lugar que Fitz se acostumou a habitar, mas por vezes,  deseja partir, fazer com que o seu tempo não seja apenas um conjunto de dias aparentemente inúteis, nos quais trata da sua horta, produz tintas e tenta escrever uma história dos Seis Ducados.

No início da história, Fitz recebe a visita de velhos conhecidos, que o leitor tem todo o gosto em rever: Breu, que tomou posição como conselheiro da Rainha Kettricken, deseja que Fitz ensine Respeitador, o herdeiro do trono, a utilizar o Talento; o Bobo, personagem que mantém a aura misteriosa e críptica dos livros anteriores, volta para rever o velho amigo. Gostei muito desta parte do livro, apesar de ser bastante introspectivo e contemplativo; ajuda-nos a perceber em que momento emocional a personagem se encontra, como está a sua relação com os seus dois melhores amigos e, por fim, o que aconteceu durante os 15 anos em que não tivemos acesso à história.

Como seria de esperar, Fitz acaba por regressar à corte em Torre do Cervo, disfarçado, com uma tarefa da qual depende o futuro do Reino. Essa tarefa leva a uma longa viagem, que dura pouco menos de duas semanas mas que para o leitor parece demorar meses. De facto, foi isso o que menos me agradou neste livro, o aparente arrastar de algumas situações, que não penso se justificar. A conclusão deste enredo é algo previsível, mas ainda assim satisfatória, e não deixa de apresentar um momento que se adivinhava mas, que ainda assim, nos parte o coração quando se concretiza. De referir também os conhecimentos adicionais que a autora acrescenta em relação à Manha, uma espécie de poder que permite os seres humanos e os animais criarem um vínculo especial entre eles, e um novo leque de personagens interessantes.

Como disse no início, gostei muito de regressar a esta autora. Senti que este volume foi, em boa parte, uma forma da autora reintroduzir este mundo, situar o leitor e criar expectativa ao que se vai seguir. Não penso que seja para todos os leitores, pelos momentos mais parados e porque exige paciência da parte do leitor. Mas sem dúvida que faz bastante o meu género. 

Classificação: 4/5 – Gostei Bastante


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.