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[Opinião] O Leque Secreto, de Lisa See

Autor: Lisa See
Título Original: Snow Flower and the Secret Fan (2005)
Editora: Editorial Presença
Páginas: 304
ISBN: 9789722336031
Tradutor: Manuela Madureira
Origem: Comprado

Sinopse: Escritora de mistério, Lisa See leva o leitor até à China do século XIX onde duas raparigas desenvolvem uma profunda relação de amizade. Desde meninas, Lili e Flor de Neve comunicam entre si através de uma linguagem secreta – nu shu – inscrita num leque de seda. Habituadas a partilhar as agruras da vida sabem que só o casamento as pode salvar de uma vida condenada ao sacrifício. Por isso, desde muito cedo experimentam a dor, através da tradição de enfaixamento dos pés, de forma a torná-los delicados e pequenos aos olhos dos homens. Aprendem a bordar e a coser e tornam-se verdadeiras irmãs de juramento. Porém, os anos vão passando e a entrada na vida adulta, o casamento e um mal-entendido ameaçam os estreitos laços de amizade entre as duas, mas perto do fim da vida voltam a reencontrar-se.

Opinião: Há algum tempo que tinha vontade de experimentar esta autora, pelas boas opiniões que tenho lido, apesar de os seus livros abordarem todos a temática oriental e essa não ser, de todo, a minha preferida. Tinha comprado este livro na Feira do Livro do ano passado e como estou com vontade de ler algumas coisas que já tenho em fila de espera há demasiado tempo, pareceu-me uma boa opção.

Viajamos assim até à China do início do século XIX, numa história contada na primeira pessoa por Lírio, que no início do livro é uma criança nascida numa família sem grande posição social; é a história da vida dela que aqui será contada. Ao longo de todo o livro, vamos tomando contacto com as mais variadas tradições e costumes da época, que ganham particular interesse por pertencerem a uma cultura tão distante da nossa, em tempo e distância; na fase inicial, dois deles se destacam: o enfaixar de pés e o nu shu. O primeiro era uma prática chinesa que vinha desde o século X, tendo-se prolongado até ao século XX, e que basicamente consistia em começar a deformar os pés das mulheres desde tenra idade, de modo a tomarem uma forma bicuda e mais pequena que o normal, sendo normalmente feito em jovens de classes mais altas; presume-se que este costume tenha tido origem na percepção de que, naquela forma, os pés se tornariam mais atraentes ao sexo oposto. O sucesso desta prática e a obtenção dos pés mais pequenos possível eram decisivos para o futuro da mulher, no que dizia respeito ao casamento que conseguiria arranjar. O nu shu era a linguagem secreta inventada pelas mulheres chinesas, utilizada para falarem entre si numa época em que raramente era fácil fazê-lo.

Lírio aprendeu bem cedo o que ambas as tradições significavam. Viu os seus pés enfaixados aos 7 anos e depressa descobriu a utilidade do nu shu para comunicar com a sua laotong, com quem, de certo modo, tinha uma ligação mais profunda do que com as suas próprias irmãs. Na verdade, Lírio não tem uma ligação particularmente forte com ninguém na sua família e vê os encontros periódicos com Flor de Neve com grande alegria. E é à volta da amizade destas duas meninas, que se transformarão em mulheres, que a história gira. Vemos como a sua relação evolui ao longo do tempo e sobrevive ao decurso natural das duas vidas, que inclui casar e ter filhos.

O que mais gostei neste livro foi, sem grandes dúvidas, o facto de me ter proporcionado alguns conhecimentos sobre a cultura chinesa e as suas tradições. À luz dos dias de hoje, o enfaixar de pés parece realmente bárbaro, mas dei por mim a ler alguns artigos sobre o assunto e acho muito interessante tudo o que estava subjacente. Todos os outros costumes são igualmente interessantes e despertaram em mim a curiosidade por saber um pouco mais sobre o tema.

Quanto ao enredo e personagens, com pena minha, não me cativaram assim tanto quanto isso. É um pouco difícil de explicar os motivos, porque sinto que havia aqui material suficiente para cativar o leitor, mas comigo não teve efeito. Penso que pode ter tido a ver com o facto de não me identificar com os dilemas das personagens por viver num tempo e sociedades tão diferentes, ou com o facto de a escrita não me ter parecido particularmente emotiva. A verdade é que houve aqui alguma coisa que não fez clique. Mas não deixo de recomendar a quem tiver interesse em ler sobre as temáticas que referi, que penso estarem bem exploradas.

Classificação: 3/5 – Gostei


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.