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[Opinião] Terra de Neve, Yasunari Kawabata

Autor: Yasunari Kawabata
Título Original: Yukiguni (1947)
Editora: Biblioteca Sábado
Páginas: 179
ISBN: 9788461316144
Tradutor: Armando da Silva Carvalho
Origem: Comprado

Sinopse: Shimamura viaja de comboio para um balneário das regiões montanhosas do norte do Japão. Fica cativado por uma voz feminina que ressoa no comboio. A mulher, Yoko, acompanha um homem, Yukio, filho de uma professora de música que vive na vila para onde se dirige Shimamura. Este tem a intenção de se reencontrar ali com uma geisha, Komako, que conheceu numa viagem anterior, quando ela ainda não se dedicava profissionalmente a esses mesteres. Está embelezado com a delicadeza dela, mas resolve ficar unicamente pela amizade, contemplando a possibilidade de futuras visitas. O sugestivo decorrer das estações influirá nestas relações humanas.

Opinião: Yasunari Kawabata foi um escritor japonês que ganhou o Prémio Nobel da Literatura em 1968, o primeiro desta nacionalidade a ser galardoado com o prémio. Terra de Neve foi um dos livros fundamentais para que tivesse sido alvo desta distinção, e juntando a isto o facto de ter lido opiniões tão diversas sobre ele, parti para esta leitura com imensa curiosidade.

As duas personagens principais deste livro são Shimamura, um homem de Tóquio, e Komako, uma gueixa da província. Numa viagem ao interior do norte japonês, Shimamura conhece Komako e ambos dão início a uma relação intermitente, que se prolonga durante o tempo em que o livro decorre, e que se concretiza durante as inúmeras viagens que Shimamura faz para estar com ela, apesar de pairar sempre a sensação que não durará muito tempo. E o livro avança assim, com estes encontros, as frequentes inconstâncias de comportamento e sentimentos de Komako e as reflexões do homem acerca do que a jovem sente por ele.

É um livro pequeno, mas que leva o seu tempo a ler devido à prosa minuciosa e poética do autor, que convida a um virar lento de páginas. Kawabata detém-se para descrever minuciosamente cenas que para muitos podem parecer não ter muito “sumo”, mas que o autor relata de forma notável: o reflexo de uma mulher no vidro da carruagem de um comboio, durante uma viagem nocturna; a queda dos insectos; alterações na Natureza durante a mudança das estações; a vasta paisagem onde a maioria da história decorre. Foi isto o que mais me cativou, estas descrições inspiradas, observadoras e poéticas.

Tirando a óbvia qualidade da prosa, pouco mais me agarrou ao livro. Gostei de conhecer um pouco mais da cultura japonesa daquele tempo e local específicos, nos breves momentos em que o autor decide mostrá-la. Mas a maior parte do livro centra-se na interacção entre as duas personagens principais, pareceram-me demasiado confusas, distantes e inconstantes; estas interacções sucedem-se durante todo o livro e o enredo parece não levar a lado nenhum. Foi uma leitura que levei adiante de forma calma e contemplativa, mas ainda assim falhou em capturar o meu interesse e deixar uma forte impressão em mim.

Como já disse algumas vezes, há livros que se prestam melhor a determinados estados de espírito ou gostos de leitura. Este será certamente um bom livro para quem deseje pouco mais do que deliciar-se com uma excelente prosa; para quem prefere um enredo dinâmico, fará melhor em pegar noutro livro.

Classificação: 2/5 – OK


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.