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[Opinião] As Vinhas da Ira, de John Steinbeck

Autor: John Steinbeck
Título Original: The Grapes of Wrath (1939)
Editora: Colecção Mil Folhas (Público)
Páginas: 542
ISBN: 8481305200
Tradutor: Virgínia Motta
Origem: Comprado

Sinopse: As Vinhas da Ira é um romance sobre a dignidade humana em condições desesperadas. Entre 1930 e 1939, as grandes planícies do Texas e do Oklahoma foram assoladas por centenas de tempestades de poeira que causaram um desastre ecológico sem precedentes, agravaram os efeitos da Grande Depressão, deixaram cerca de meio milhão de americanos sem casa, e provocaram o êxodo de muitos deles para Oeste, nomeadamente para a Califórnia, em busca de trabalho. Quando os Joad perdem a quinta de que eram rendeiros no Oklahoma, juntam-se a milhares de outros que ao longo das estradas se dirigem para Oeste, no sonho de conseguirem uma terra que possam considerar sua. E noite após noite, eles e os seus companheiros de desdita reinventam toda uma sociedade: escolhem-se líderes, redefinem-se códigos implícitos de generosidade, irrompem acessos de violência, de desejo brutal, de raiva assassina.

Opinião: Este é daqueles livros dos quais já quase toda a gente ouviu falar, sendo considerado um dos mais importantes de sempre da literatura norte-americana. John Steinbeck, natural da Califórnia, decidiu escrever este livro partindo de uma série de artigos sobre os trabalhadores agrícolas oriundos do Oeste e Centro do país, que durante a altura da Grande Depressão rumaram à Califórnia em busca do trabalho que o seu local de origem já não lhes garantia. Steinbeck desejava com este livro chamar a atenção para os culpados da grave crise que deflagrou no seu país.

Grande parte do enredo segue a história da família Joad, que se vê obrigada a abandonar a sua casa em Oklahoma devido às tempestades de areia que assolaram a região nos anos 30 e que pioraram ainda mais a situação precária em que já viviam. Sem outra alternativa, rumam à Califórnia em busca de trabalho e da sua sobrevivência, numa viagem em que a esperança num futuro melhor era o que não podiam deixar fugir.

A família Joad é numerosa: pai, mãe, 6 filhos, tio, dois avós e ainda o marido de uma das filhas, que por sinal está grávida. Todas estas pessoas, mais um ex-pregador que se junta à família, rumam à Califórnia num camião que ameaça avariar a qualquer momento, cheio de pessoas e dos pertences da vida que deixaram para trás. Acompanhamos as peripécias da viagem da família, a sua chegada à Califórnia e a consequente luta por encontrar um sítio onde morar e trabalhar.

A personagem principal é Tom Joad, o filho. Depois de passar alguns anos na prisão por ter assassinado um homem, regressa a casa mesmo a tempo de acompanhar a família na viagem. Apesar do seu passado recente, Tom é um jovem que demonstra ter dentro de si uma revolta crescente quanto às condições de vida das classes mais pobres. Mas a personagem que realmente me cativou foi a Mãe. Uma mulher do campo, trabalhadora, fruto do seu tempo, mas com uma sabedoria simples e tocante. Acho que os melhores diálogos do livro têm a sua intervenção, com frases simples mas comoventes de tão profundas e verdadeiras. Depois, toda esta viagem acaba por ser um hino à esperança, à dignidade humana e ao direito que todos temos em conseguir uma vida melhor. Simbólico, nos dias que correm.

O relato das aventuras e desventuras da família é intercalado com capítulos curtos que o autor utiliza para contextualizar a época e os acontecimentos que a marcaram. É também nestes capítulos que, na minha opinião, a escrita de Steinbeck brilha com mais força. Não se trata de uma escrita rebuscada ou confusa, mas é clara, certeira e emotiva nas doses certas… Fiquei completamente rendida ao brilhantismo deste escritor e como tenho aqui por casa A Pérola e O Inverno do Nosso Descontentamento espero lê-los em breve. As minhas expectativas foram completamente ultrapassadas e, por isso, é uma leitura que recomendo vivamente.

Uma nota final para esta edição. Tenho alguns livros da Colecção Mil Folhas, não adquiridos na altura em que saíram, mas todos em segunda mão. Até agora ainda só tinha lido uns mais fininhos e por isso não me tinha apercebido da dificuldade em manter aberto um livro destes com maior envergadura, porque se junta a capa dura a uma largura de página inferior ao normal. É a única queixa, porque de resto o material é bastante razoável e a tradução também me pareceu boa. 

Classificação: 5/5 – Adorei


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.