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[Opinião] A Game of Thrones, de George R.R. Martin

Autor: George R.R. Martin
Editora: Bantam Books
Série: Song of Ice and Fire #1
Páginas: 694
ISBN: 9780553103540
Origem: Comprado

Sinopse: Summers span decades. Winter can last a lifetime. And the struggle for the Iron Throne has begun.
As Warden of the north, Lord Eddard Stark counts it a curse when King Robert bestows on him the office of the Hand. His honour weighs him down at court where a true man does what he will, not what he must … and a dead enemy is a thing of beauty.
The old gods have no power in the south, Stark’s family is split and there is treachery at court. Worse, the vengeance-mad heir of the deposed Dragon King has grown to maturity in exile in the Free Cities. He claims the Iron Throne.

Opinião: Assim que soube que a série televisiva baseada nos livros de George R.R. Martin ia mesmo para a frente, decidi reler esta história que tanto me marcou. Passaram-se mais de três anos desde que li a versão portuguesa (o primeiro volume original é constituído por A Guerra dos Tronos e A Muralha de Gelo), por isso já só me lembrava das linhas gerais da história. A série será transmitida nos E.U.A. a partir de 17 de Abril e decidi começar a releitura, desta vez em inglês, algum tempo antes, para poder fazê-lo devagar e apanhar os detalhes que me escaparam à primeira e que ganham outros contornos quando já se conhece o final.

O enredo de A Game of Thrones desenvolve-se principalmente numa terra imaginária, chamada Westeros, onde os antigos Sete Reinos são governados por apenas um Rei. Esse Rei é Robert Baratheon, que no início desta história ruma ao Norte, onde os Stark governam Winterfell, para pedir ao seu velho amigo, Eddard Stark, que seja o seu braço direito, depois da morte da anterior “Mão do Rei”.

Como alguns de vocês já devem saber, o livro encontra-se dividido em capítulos que são contados do ponto de vista de uma personagem em particular. Neste primeiro livro, a maioria das personagens em destaque pertencem à família Stark, o que inevitavelmente faz com que o leitor ganhe um amor especial aos seus membros. Fora dos Stark, temos capítulos dedicados a Tyrion Lannister, um anão que é irmão da pérfida Rainha, e a Daenerys Targaryen, exilada de Westeros e uma das últimas herdeiras da dinastia Targaryen, que deseja reconquistar o trono que lhe foi roubado por Robert Baratheon. Desde o início que a minha personagem preferida é Jon Snow, o filho bastardo de Eddard Stark; depois de ter lido todos os livros continuou a ser, mas é curioso verificar que as minhas outras duas personagens preferidas são basicamente odiosas neste primeiro volume.

Já reflecti bastante sobre o que é que exactamente me atrai tanto nesta história. Não são as pequenas doses de fantasia, apesar de gostar de livros com elementos fantásticos; também não é o ambiente medieval, com um rol quase interminável de personagens, Casas e locais, apesar de me sentir muito bem com enredos históricos. Quantos e quantos livros não li já passados num mundo imaginário, num cenário medieval? Porque é que esta história me agarra desta forma? A resposta reside nas personagens e na habilidade que o autor tem em torná-las reais aos nossos olhos. Existem personagens para todos os gostos, mas praticamente todas têm algo que podemos adorar ou odiar, nenhuma é totalmente boa ou má, num mundo que não é preto nem branco. Há neste livro diálogos excelentes, e o que não nos é dito, seja nesses diálogos, seja nos acontecimentos que não presenciamos, abre caminho à nossa imaginação e à vontade de permanecer em Westeros mesmo quando não temos o livro aberto.

George R.R. Martin é cruel: só quem leu os livros dele percebe até que ponto esta afirmação é verdadeira. Mas não é o mundo real também cruel? Se desejarem que a história vá numa determinada direcção, o mais certo é que ela vá precisamente no sentido oposto. Martin tem o dom de nos apresentar acontecimentos inesperados que não sentimos serem gratuitos; estão ali para agarrar o leitor, mas deixam a sensação de inevitabilidade, como se estivéssemos a olhar para uma história há muito decorrida, cujo desenrolar não podemos influenciar. Esta releitura foi muito recompensadora, porque olhei para a história com outros olhos; nunca mais vai ser possível reproduzir as emoções da primeira leitura, mas sinto-me tentada a dizer que a releitura foi ainda melhor, porque foi também bastante emotiva, mas mais rica pela atenção que dediquei a detalhes que me passaram ao lado na primeira vez.

Com A Dance With Dragons previsto para 12 de Julho, os próximos 3 meses e meio serão passados a reler os outros três livros, para ter a história bem fresca assim que o novo volume sair. Fica também prometida uma apreciação da série televisiva quando a primeira temporada chegar ao final. 

Classificação: 5/5 – Adorei


Sobre Célia

Tenho 36 anos e adoro ler desde que me conheço. O blogue Estante de Livros foi criado em Julho de 2007, e nasceu da minha vontade de partilhar as opiniões sobre o que ia lendo. Gosto de ler muitos géneros diferentes. Alguns dos favoritos são fantasia, romances históricos, policiais/thrillers e não-ficção.