Se Isto é um Homem
Autor: Primo Levi
Título Original: Se questo è un uomo (1947)
Editora: Editorial Teorema
Páginas: 180
ISBN: 9789726957829
Tradutor: Simonetta Cabrita Neto
Sinopse
Na noite de 13 de Dezembro de 1943, Primo Levi, um jovem químico membro da resistência, é detido pelas forças alemãs. Tendo confessado a sua ascendência judaica, é deportado para Auschwitz em Fevereiro do ano seguinte; aí permanecerá até finais de Janeiro de 1945, quando o campo é finalmente libertado. Da experiência no campo nasce o escritor que neste livro relata, sem nunca ceder à tentação do melodrama e mantendo-se sempre dentro dos limites da mais rigorosa objectividade, a vida no Lager e a luta pela sobrevivência num meio em que o homem já nada conta. Se Isto é um Homem tornou-se rapidamente um clássico da literatura italiana e é, sem qualquer dúvida, um dos livros mais importantes da vastíssima produção literária sobre as perseguições nazis aos judeus.
Opinião
A grande maioria de nós já teve contacto com algum tipo de testemunho sobre as atrocidades cometidas aquando da 2.ª Guerra Mundial e dos horrores inimagináveis que se cometeram nos infames campos de concentração nazis; seja através de documentários, filmes, livros – ficção ou não ficção, o mundo ficou marcado por esta página negra da nossa história recente e felizmente continua a existir material para não nos deixar esquecer o que aconteceu e evitar que se repita.
Há já bastante tempo que tinha este livro referenciado e a esmagadora maioria das opiniões apontava para que fosse um excelente livro, mas ao mesmo tempo forte, intenso e, por vezes, bastante deprimente. O livro não é grande, mas o seu conteúdo revelou-se aquilo que prometia ser e, por isso, tive necessidade de o ler mais lentamente… para que me conseguisse habituar a ler sobre tanta miséria humana.
Primo Levi conta-nos, na primeira pessoa, o relato do período que passou num campo de concentração alemão, depois de ter sido capturado no final de 1943. A narrativa começa praticamente aí e termina com a chegada dos russos e, consequentemente, ao final do jugo alemão sobre o campo em que Levi se encontrava, no início de 1945. Durante mais de um ano, o autor viveu o horror da privação de qualquer dignidade humana e ditou a sorte que tivesse vivido para contar a sua história.
É difícil falar sobre este livro. O autor oscila entre um relato profundamente sentido e presente e um olhar distanciado e objectivo sobre o que se passou naquele período. Levi fala-nos sobre os campos de concentração como um modo de vida, sobre o que as pessoas faziam para lá sobreviver, sobre como os campos eram geridos, e os diferentes tipos de prisioneiros que lá estavam. Mas reflecte também sobre a extensão da maldade humana e tenta compreendê-la, sentindo ao mesmo tempo que, mesmo nas condições mais adversas, o ser humano é capaz de bondade. É um relato bastante realista e emotivo, mas apesar disso julgo que é impossível conseguirmos algum dia entender a desumanidade a que tantos milhares de pessoas foram sujeitas sem termos passado por isso.
Se Isto é um Homem é um livro assombroso e arrepiante, um testemunho valioso. Faz-nos pensar que nenhuma ficção alguma vez conseguirá alcançar a magnitude da realidade. Recomendo sem quaisquer reservas. – Célia M.
5/5 – Adorei
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Eu li esse livro à imenso tempo e também adorei. Uma análise profunda sobre o que significa ser Homem. Se um homem despojado de dignidade continua a ser um Homem ou se um homem capaz de tais atrocidades continua a ser um Homem? Obrigada por partilhar a sua opinião.
Parece ser intressante, li o “tudo o que tenho trago comigo” á pouco tempo e parece ser de um estilo parecido a este pelo menos o tema
Um dos meus preferidos sobre o Holocausto!
A tua crítica deixou-me interessada. Esta página negra da História Mundial é das que mais me fascina e sensibiliza, por isso, este livro parece ser daqueles de leitura obrigatória. Um testemunho de quem viveu estas atrocidades dá sempre uma melhor ideia/imagem do que se passou e parece sempre mais credível do que quem estuda esse período. Não conhecia a obra, espero lê-la.
Não li esse livro, mas pela tua opinião, fez-me lembrar um que eu já li: “Night”, de Elie Wiesel. Elie também é judeu e sobrevivente dos campos de concentração nazis e em “Night” revela a sua experiência enquanto adolescente nesses campos, a maneira como viviam e a angústia de ter sido separado da família. É uma história assombrosa e, para mim, incompreensível para quem nunca viveu nada de semelhante.
Elie Wiesel acabou por ganhar o Nobel da Paz em 1986.
Diana, quando andei a fazer pesquisa sobre o autor encontrei várias vezes referência a esse livro. Ficou na calha
Está por ler, está por ler!
Tenho as melhores referências deste livro. Ele próprio é uma referência.
Incrível como Levi sobreviveu a tanta coisa e, no fim, se suicidou =( ele próprio parece ser uma tese traumática/psicológica/actual.
Deixaste-me, de novo hehe, mais do que ansioso por finalmente pegar neste livro. Gostei de como finalizaste.
“Faz-nos pensar que nenhuma ficção alguma vez conseguirá alcançar a magnitude da realidade”. Sinceramente, eu e a minha filosofia aplicamos esta frase a qualquer tipo de livro! =P
um livro extraordinário, forte e cru na medida certa… se é que o certo existe quando se fala do holocausto. também eu o recomendo sem reservas!
Dentro da mesma temática, aconselho-te o Sem Destino, do Nobel húngaro Kertész Imre. Um relato muito comovente sobre um jovem que passa por vários campos de concentração.
Sandra
Sugestão anotada