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Se Isto é um Homem

Friday, February 4, 2011 Post de Estante de Livros

Autor: Primo Levi
Título Original: Se questo è un uomo (1947)
Editora: Editorial Teorema
Páginas: 180
ISBN: 9789726957829
Tradutor: Simonetta Cabrita Neto

Sinopse
Na noite de 13 de Dezembro de 1943, Primo Levi, um jovem químico membro da resistência, é detido pelas forças alemãs. Tendo confessado a sua ascendência judaica, é deportado para Auschwitz em Fevereiro do ano seguinte; aí permanecerá até finais de Janeiro de 1945, quando o campo é finalmente libertado. Da experiência no campo nasce o escritor que neste livro relata, sem nunca ceder à tentação do melodrama e mantendo-se sempre dentro dos limites da mais rigorosa objectividade, a vida no Lager e a luta pela sobrevivência num meio em que o homem já nada conta. Se Isto é um Homem tornou-se rapidamente um clássico da literatura italiana e é, sem qualquer dúvida, um dos livros mais importantes da vastíssima produção literária sobre as perseguições nazis aos judeus.

Opinião
A grande maioria de nós já teve contacto com algum tipo de testemunho sobre as atrocidades cometidas aquando da 2.ª Guerra Mundial e dos horrores inimagináveis que se cometeram nos infames campos de concentração nazis; seja através de documentários, filmes, livros – ficção ou não ficção, o mundo ficou marcado por esta página negra da nossa história recente e felizmente continua a existir material para não nos deixar esquecer o que aconteceu e evitar que se repita.

Há já bastante tempo que tinha este livro referenciado e a esmagadora maioria das opiniões apontava para que fosse um excelente livro, mas ao mesmo tempo forte, intenso e, por vezes, bastante deprimente. O livro não é grande, mas o seu conteúdo revelou-se aquilo que prometia ser e, por isso, tive necessidade de o ler mais lentamente… para que me conseguisse habituar a ler sobre tanta miséria humana.

Primo Levi conta-nos, na primeira pessoa, o relato do período que passou num campo de concentração alemão, depois de ter sido capturado no final de 1943. A narrativa começa praticamente aí e termina com a chegada dos russos e, consequentemente, ao final do jugo alemão sobre o campo em que Levi se encontrava, no início de 1945. Durante mais de um ano, o autor viveu o horror da privação de qualquer dignidade humana e ditou a sorte que tivesse vivido para contar a sua história.

É difícil falar sobre este livro. O autor oscila entre um relato profundamente sentido e presente e um olhar distanciado e objectivo sobre o que se passou naquele período. Levi fala-nos sobre os campos de concentração como um modo de vida, sobre o que as pessoas faziam para lá sobreviver, sobre como os campos eram geridos, e os diferentes tipos de prisioneiros que lá estavam. Mas reflecte também sobre a extensão da maldade humana e tenta compreendê-la, sentindo ao mesmo tempo que, mesmo nas condições mais adversas, o ser humano é capaz de bondade. É um relato bastante realista e emotivo, mas apesar disso julgo que é impossível conseguirmos algum dia entender a desumanidade a que tantos milhares de pessoas foram sujeitas sem termos passado por isso.

Se Isto é um Homem é um livro assombroso e arrepiante, um testemunho valioso. Faz-nos pensar que nenhuma ficção alguma vez conseguirá alcançar a magnitude da realidade. Recomendo sem quaisquer reservas. – Célia M.

5/5 – Adorei






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10 Responses to “Se Isto é um Homem”

  1. M. A. Leal says:

    Eu li esse livro à imenso tempo e também adorei. Uma análise profunda sobre o que significa ser Homem. Se um homem despojado de dignidade continua a ser um Homem ou se um homem capaz de tais atrocidades continua a ser um Homem? Obrigada por partilhar a sua opinião.

  2. kikwasses says:

    Parece ser intressante, li o “tudo o que tenho trago comigo” á pouco tempo e parece ser de um estilo parecido a este pelo menos o tema

  3. tonsdeazul says:

    Um dos meus preferidos sobre o Holocausto!

  4. cristina says:

    A tua crítica deixou-me interessada. Esta página negra da História Mundial é das que mais me fascina e sensibiliza, por isso, este livro parece ser daqueles de leitura obrigatória. Um testemunho de quem viveu estas atrocidades dá sempre uma melhor ideia/imagem do que se passou e parece sempre mais credível do que quem estuda esse período. Não conhecia a obra, espero lê-la.

  5. Diana says:

    Não li esse livro, mas pela tua opinião, fez-me lembrar um que eu já li: “Night”, de Elie Wiesel. Elie também é judeu e sobrevivente dos campos de concentração nazis e em “Night” revela a sua experiência enquanto adolescente nesses campos, a maneira como viviam e a angústia de ter sido separado da família. É uma história assombrosa e, para mim, incompreensível para quem nunca viveu nada de semelhante.
    Elie Wiesel acabou por ganhar o Nobel da Paz em 1986.

    • Estante de Livros says:

      Diana, quando andei a fazer pesquisa sobre o autor encontrei várias vezes referência a esse livro. Ficou na calha ;)

  6. Pedro says:

    Está por ler, está por ler!

    Tenho as melhores referências deste livro. Ele próprio é uma referência.

    Incrível como Levi sobreviveu a tanta coisa e, no fim, se suicidou =( ele próprio parece ser uma tese traumática/psicológica/actual.

    Deixaste-me, de novo hehe, mais do que ansioso por finalmente pegar neste livro. Gostei de como finalizaste.

    “Faz-​nos pen­sar que nenhuma fic­ção alguma vez con­se­guirá alcan­çar a mag­ni­tude da rea­li­dade”. Sinceramente, eu e a minha filosofia aplicamos esta frase a qualquer tipo de livro! =P

  7. tulisses says:

    um livro extraordinário, forte e cru na medida certa… se é que o certo existe quando se fala do holocausto. também eu o recomendo sem reservas!

  8. Sandra says:

    Dentro da mesma temática, aconselho-te o Sem Destino, do Nobel húngaro Kertész Imre. Um relato muito comovente sobre um jovem que passa por vários campos de concentração.

    Sandra


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